Especialistas destacam que a instalação definitiva do campus da UNEMAT em Rondonópolis não beneficiaria apenas o município, mas toda a região Sudeste do estado
Enquanto Governo investe R$ 900 milhões em parque com roda-gigante, Rondonópolis segue à espera de campus definitivo da UNEMAT
Cidades
O contraste entre os investimentos públicos no Mato Grosso tem gerado polêmica entre lideranças políticas, comunidade acadêmica e moradores da região Sudeste do estado. De um lado, o Governo do Estado anuncia com entusiasmo a construção do Parque Novo Mato Grosso — um megaempreendimento turístico e de entretenimento a 8 km de Cuiabá, com custo estimado em R$ 900 milhões. Do outro, a cidade de Rondonópolis, segunda maior economia do estado, enfrenta uma longa e silenciosa batalha para consolidar definitivamente um campus da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) no município.

Parque Novo Mato Grosso promete abrigar a maior roda-gigante da América Latina, com 108 metros
Parque de Diversões ou Polo de Conhecimento?
Previsto para ser inaugurado até o fim de 2026, o Parque Novo Mato Grosso promete abrigar a maior roda-gigante da América Latina, com 108 metros de altura, além de kartódromo, pista de motocross, área para shows com capacidade para até 80 mil pessoas, entre outras atrações. O projeto é coordenado pela MT Participações e Projetos (MT Par), com recursos públicos, e deve ser posteriormente concedido à iniciativa privada para gestão.
Durante o lançamento da obra, o governador Mauro Mendes (União Brasil) destacou o impacto econômico e turístico do parque, afirmando que ele colocará Mato Grosso no “mapa das grandes atrações da América Latina”. No entanto, as declarações de Mendes reacenderam críticas por parte de parlamentares e da comunidade acadêmica, que cobram a priorização de investimentos em áreas estruturais, como a educação superior pública, especialmente no interior do estado.
O Grito Silencioso de Rondonópolis
Desde 2017, lideranças comunitárias, estudantes e parlamentares de Rondonópolis lutam para que o núcleo pedagógico da UNEMAT instalado na cidade seja transformado em um campus definitivo. A conquista de um prédio próprio já foi alcançada, e o Termo de Cessão de Uso da área foi assinado entre a Prefeitura e a universidade. Ainda assim, a estrutura permanece limitada, sem a formalização do campus nem previsão de orçamento para manutenção plena.
Em reuniões recentes, a reitoria da UNEMAT afirmou que a meta é consolidar o campus nos próximos cinco anos. No entanto, até o momento, não há comissão técnica criada nem previsão de recursos no orçamento estadual para viabilizar essa transformação — um sinal evidente da falta de prioridade por parte do Executivo estadual.
“O que falta é vontade política. O prédio está lá. A área está legalizada. O que precisamos agora é do compromisso efetivo do Governo para transformar esse sonho em realidade”, afirma um representante estudantil da UNEMAT de Rondonópolis.

instalação definitiva do campus da UNEMAT em Rondonópolis no antigo aeroporto
Educação como Pilar do Desenvolvimento
Especialistas destacam que a instalação definitiva do campus da UNEMAT em Rondonópolis não beneficiaria apenas o município, mas toda a região Sudeste do estado, que sofre com a escassez de instituições públicas de ensino superior. A presença de um campus consolidado seria estratégica para impulsionar a formação de profissionais qualificados, a geração de empregos e o fortalecimento da economia regional por meio da educação.
Enquanto isso, os recursos vultosos destinados a uma roda-gigante e a atrações turísticas, embora possam gerar impactos positivos no turismo e lazer, geram questionamentos sobre as prioridades do governo estadual em um momento de grandes desafios sociais, especialmente nas áreas de educação, saúde e mobilidade.
Debate que Precisa Ganhar Espaço
O debate não é sobre ser contra o progresso ou o turismo, mas sim sobre o equilíbrio entre investimentos. Por que investir quase R$ 1 bilhão em um parque de diversões, enquanto estudantes universitários do interior do estado assistem à estagnação de um projeto que pode mudar realidades por gerações?
A efetivação do campus da UNEMAT em Rondonópolis é um passo essencial para garantir mais justiça educacional e desenvolvimento regional equilibrado. A expectativa da população é que o governo ouça essas demandas e amplie sua visão de futuro, compreendendo que não há progresso sustentável sem educação de qualidade acessível a todos.
Cidades
Passagem a R$ 2 muda rotina de quem depende do ônibus em Rondonópolis
A manhã desta quarta-feira (06) começou diferente para milhares de trabalhadores, estudantes e famílias de Rondonópolis. No bolso, a mudança já começa a fazer efeito: a tarifa do transporte coletivo agora custa R$ 2,00 — valor fixo e permanente.
O anúncio foi feito pelo prefeito Cláudio Ferreira durante a inauguração do primeiro terminal de ônibus da história da cidade, um marco que simboliza não apenas avanço estrutural, mas também uma virada no acesso ao transporte público.
Mais do que números, a redução mexe diretamente com a vida de quem depende do ônibus todos os dias. Para quem utiliza o serviço duas vezes por dia, a economia mensal pode ultrapassar R$ 80, se comparado ao valor praticado no início da atual gestão.
Uma queda que chama atenção
A tarifa vem passando por uma sequência de reduções:
- Início da gestão: R$ 4,10
- Primeira redução: R$ 3,00
- Valor atual: R$ 2,00
Na prática, o custo caiu para menos da metade do que era cobrado anteriormente.
Mais do que tarifa: estrutura
A redução não veio sozinha. Junto dela, a Prefeitura entregou um novo terminal de transporte coletivo — moderno, climatizado e com uma estrutura inédita para o município.
Para muitos usuários, a mudança representa mais do que economia: significa dignidade no deslocamento diário.
Impacto direto na cidade
A iniciativa faz parte de um pacote de ações voltadas à mobilidade urbana, colocando Rondonópolis em evidência quando o assunto é transporte acessível.
Num cenário onde o custo de vida pressiona cada vez mais, pagar menos para se locomover pode ser o detalhe que faz diferença no fim do mês — e na qualidade de vida.