Agronegócio
Déficit do governo ficou abaixo do esperado, mas agronegócio enfrenta retração e desafios
Agronegócio
O Governo Central encerrou 2024 com um déficit primário de R$ 43,004 bilhões, equivalente a 0,36% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme divulgado pelo Tesouro Nacional. O resultado, influenciado pelo crescimento de gastos obrigatórios e pelas despesas emergenciais com a reconstrução do Rio Grande do Sul, representou uma queda real de 81,7% em relação ao déficit registrado em 2023.
Apesar do déficit, o resultado foi melhor do que o esperado pelas instituições financeiras, que projetavam um déficit de R$ 55,4 bilhões. Ao considerar apenas os gastos dentro do arcabouço fiscal, o déficit primário ficou em R$ 11,032 bilhões (0,09% do PIB), dentro da margem de tolerância de R$ 28,75 bilhões estabelecida pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2024. Esse resultado exclui créditos extraordinários, a maioria destinada à reconstrução do Rio Grande do Sul, e renúncias fiscais.
As condições econômicas desafiadoras também impactaram o setor agropecuário ao longo do ano. O agronegócio brasileiro enfrentou uma combinação de juros elevados, aumento nos pedidos de recuperação judicial e adversidades climáticas que comprometeram a produção. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o PIB do setor registrou retração de 1,28% no segundo trimestre e acumulou uma queda de 3,5% ao longo do ano. Para 2025, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) projeta um crescimento de 5%.
A política monetária segue como um fator crítico para os produtores rurais, especialmente diante da previsão de manutenção da taxa Selic em níveis elevados, com projeção de 13,5% ao final de 2025.
O crédito para o setor deve passar por uma reestruturação, impulsionada pelo uso de tecnologia e pela maior exigência de critérios ambientais para concessão de financiamento. O avanço de ferramentas como inteligência artificial e análise de dados permitirá maior personalização do crédito, enquanto produtores que não se adequarem às exigências sustentáveis poderão enfrentar dificuldades para obter financiamento.
O mercado de crédito rural também deve acompanhar o comportamento cambial, que influencia tanto os custos de produção quanto a competitividade no mercado externo. A oscilação do dólar, cotado a R$ 5,88, tem impacto direto nos insumos importados e nas despesas de produtores que recorrem ao crédito em moeda estrangeira.
Os produtores que buscam financiamento precisam demonstrar uma gestão financeira sólida e adotar práticas sustentáveis, fatores cada vez mais valorizados pelas instituições financeiras. A organização documental, a diversificação das fontes de receita e a adoção de tecnologias que promovam eficiência e preservação ambiental são diferenciais para garantir acesso ao crédito.
Em um cenário de transformação no financiamento agropecuário, a sustentabilidade deixa de ser apenas uma tendência para se tornar um requisito essencial. Linhas de crédito condicionadas a critérios ambientais estarão em evidência, com destaque para práticas regenerativas, redução de emissões de carbono e aumento da biodiversidade.
O desempenho fiscal do Governo Central em 2024 foi influenciado tanto pelo aumento da arrecadação quanto pelo controle de despesas. A arrecadação recorde impediu um déficit ainda maior, impulsionada por receitas extraordinárias, como a taxação de fundos exclusivos e a reoneração de combustíveis. No entanto, os gastos com programas sociais e políticas de valorização do salário-mínimo seguiram em alta, influenciando o resultado fiscal.
Para 2025, o setor agropecuário seguirá atento às condições de crédito, ao impacto da política fiscal e às demandas crescentes por sustentabilidade. O cenário apresenta desafios, mas também oportunidades para aqueles que souberem se adaptar às novas exigências do mercado.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócio
Circuito Fazenda Rosa reúne mais de 700 mulheres e movimenta negócios durante a Exposul em Rondonópolis
Programação reuniu capacitação, troca de experiências e atividades ligadas à produção e aos negócios do agronegócio
Rondonópolis foi palco de uma grande mobilização de mulheres ligadas ao agronegócio durante a Exposul. O Circuito Fazenda Rosa reuniu mais de 700 participantes em uma programação que colocou em destaque temas como conhecimento, liderança, empreendedorismo e participação feminina nas atividades do campo.
Ao longo de dois dias, a iniciativa promoveu diferentes atividades, aproximando produtoras rurais, pecuaristas, empresárias, profissionais e empreendedoras que atuam direta ou indiretamente no setor.
A programação começou com uma experiência dentro de uma propriedade rural, onde as participantes puderam conhecer de perto aspectos da produção pecuária. Foram apresentados temas relacionados ao manejo do rebanho, genética, melhoramento, gestão e eficiência da produção.
A proposta foi aproximar as participantes da realidade do campo, mostrando como conhecimento técnico, planejamento e gestão fazem parte das decisões tomadas diariamente dentro das propriedades.
CONEXÃO ENTRE MULHERES
O segundo momento do circuito reuniu mais de 700 mulheres em Rondonópolis.
Além das palestras e debates sobre o papel feminino no agronegócio, o encontro também serviu como espaço para troca de experiências e formação de novos contatos profissionais.
Mulheres de diferentes áreas do setor puderam compartilhar experiências, apresentar seus trabalhos e estabelecer conexões que podem resultar em parcerias e novas oportunidades.
A organização informa que a rede formada pelo projeto já ultrapassa 10 mil mulheres conectadas em diferentes regiões do país.
PARTICIPAÇÃO FEMININA TAMBÉM NOS NEGÓCIOS
A programação terminou com um leilão que movimentou mais de 3 mil cabeças de gado.
A atividade também contou com participação feminina em diferentes etapas das negociações, incluindo produtoras, compradoras, vendedoras e profissionais ligadas à pecuária.
O cenário reforça uma realidade cada vez mais presente no agronegócio: as mulheres ocupam espaços em toda a cadeia produtiva, desde a administração das propriedades e produção até a comercialização e tomada de decisões.
PROJETO QUER CHEGAR A OUTRAS CIDADES DE MATO GROSSO
A etapa realizada em Rondonópolis faz parte de um circuito que pretende passar por diferentes municípios de Mato Grosso.
A proposta é levar informação, capacitação e oportunidades de conexão para mulheres que vivem e trabalham em regiões onde o agronegócio movimenta a economia local.
A expectativa é que o circuito alcance mais de 30 mil mulheres ao longo das próximas etapas.
A iniciativa busca justamente ampliar o acesso a conhecimento e fortalecer a participação feminina em um dos setores mais importantes da economia de Mato Grosso.
NÚMEROS DA ETAPA EM RONDONÓPOLIS
Os números apresentados pela organização mostram a dimensão da programação:
• Mais de 1 mil mulheres impactadas em dois dias;
• Mais de 700 participantes no encontro principal;
• Mais de 3 mil cabeças de gado movimentadas no leilão;
• Mais de 10 mil mulheres conectadas à rede do projeto;
• Mais de 30 mil mulheres são esperadas nas próximas etapas.
Mais do que os números, a passagem por Rondonópolis mostrou uma mudança que já pode ser percebida no campo: a presença feminina está cada vez mais integrada à produção, à gestão e aos negócios do agronegócio.
Com novas etapas previstas em outras regiões de Mato Grosso, o circuito segue com a proposta de levar conhecimento e conexão para mulheres que fazem parte da rotina do campo e da economia dos municípios produtores.
