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Fumaça no ar

Mato Grosso lidera focos de calor no país e entra em período crítico de queimadas

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Mato Grosso voltou a acender o alerta para o avanço das queimadas durante o período de estiagem. Dados de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que o estado concentra, neste início de agosto, o maior número de focos de calor registrados no país.

Desde o começo do mês, foram identificados 809 focos de calor em Mato Grosso, considerando incêndios ativos e áreas que permanecem sob monitoramento. O Pará aparece na sequência, com 580 registros.

Até esta terça-feira (11), Mato Grosso tinha 227 focos ativos.

Entre as áreas que mais chamam a atenção das equipes de monitoramento estão os municípios de Nova Santa Helena e Paranatinga. Em Nova Santa Helena, no norte do estado, o fogo já atingiu uma área próxima de 15 mil hectares e permanece ativo há cerca de dez dias.

A dimensão do incêndio coloca a ocorrência entre as maiores registradas atualmente no país. A fumaça também já alcança municípios próximos, como Cláudia e Sinop, aumentando a preocupação com a qualidade do ar e os impactos provocados pela queimada.

O combate mobiliza equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, que atua na região desde a última quinta-feira (6), inclusive com o apoio de uma aeronave utilizada nas operações contra as chamas.

Outro incêndio de grandes proporções é registrado na região de Barra do Garças, onde o fogo já dura quatro dias e atingiu pouco mais de 13 mil hectares.

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Fogo que não dá trégua

Nem sempre o incêndio de maior duração é aquele que ocupa a maior área. Em Paranatinga, por exemplo, uma ocorrência já se estende por 44 dias.

Em Água Boa, a situação também preocupa. A região enfrenta queimadas há mais de um mês.

O cenário é resultado de uma combinação conhecida pelo mato-grossense: pouca chuva, temperaturas elevadas, vegetação seca e vento. Com a chegada de agosto e a proximidade do período mais crítico da estiagem, o risco de novos incêndios aumenta.

O coronel da reserva do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, Aluisio Metelo, explica que a vegetação perde umidade ao longo da estiagem e passa a funcionar como combustível para o fogo.

Segundo ele, quando a vegetação seca encontra temperaturas altas e vento, as chamas podem ganhar força e se espalhar rapidamente.

A ação humana também pesa

Embora o clima e as características naturais do Cerrado favoreçam a ocorrência de queimadas, existe outro fator que preocupa as autoridades: a ação humana.

De acordo com o especialista, cerca de 90% das ignições estão relacionadas a atividades humanas, que podem envolver desde queimadas que saem do controle até ocorrências provocadas por equipamentos, máquinas, redes elétricas, margens de rodovias e, em alguns casos, ações criminosas.

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A orientação é evitar qualquer prática que possa provocar o início de um incêndio, principalmente neste período em que a vegetação está extremamente seca.

E existe um ponto importante: o fato de um incêndio começar em determinada região não significa, por si só, que seja possível apontar imediatamente a sua causa. É necessária uma investigação para determinar como o fogo começou.

Um estado coberto pela fumaça

O problema das queimadas não fica restrito às áreas rurais. A fumaça já pode ser percebida em diferentes municípios de Mato Grosso e começa a fazer parte da paisagem justamente no período em que a umidade relativa do ar também despenca.

Em algumas regiões, os índices ficam abaixo dos 30%, aumentando o desconforto e exigindo atenção principalmente nos dias mais secos.

O período mais crítico da estiagem costuma ocorrer entre agosto e setembro. Por isso, o cenário registrado neste início de mês serve como um alerta para o que ainda pode acontecer nas próximas semanas.

Para Mato Grosso, que todos os anos enfrenta o desafio de controlar incêndios durante a seca, o momento exige atenção redobrada, prevenção e resposta rápida. Quando o fogo começa, principalmente em uma vegetação completamente seca, algumas horas podem fazer uma diferença enorme no tamanho da área atingida.

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Músicos de Rondonópolis se unem para discutir valorização da categoria e cobrar espaço nas políticas culturais

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Reunião reuniu cerca de 30 profissionais de diferentes estilos musicais e colocou na mesa temas como cachês, sistema de couvert, poluição sonora, participação em grandes eventos e aplicação de recursos públicos na cultura

A música de Rondonópolis entrou no ritmo da discussão sobre valorização profissional.

Cerca de 30 músicos, representantes de diferentes estilos e segmentos da cultura se reuniram para discutir problemas que, segundo os participantes, fazem parte da rotina de quem vive da música na cidade. A reunião contou com representantes da Associação dos Músicos, do setor de bares, do Procon, da subSecretaria Municipal de Cultura e também com integrantes do movimento cultural.

Entre os presentes estava o secretário adjunto da Secretaria de Cultura, Jhet além de Reginaldo Procon e Daniel, representante da Associação Mato-Grossense de Músicos. Também participaram músicos ligados ao rock, pagode, sertanejo, pop rock, DJs e outros segmentos.

A proposta foi colocar diferentes estilos musicais na mesma mesa e buscar caminhos para fortalecer uma categoria que movimenta não apenas a cultura, mas também bares, restaurantes, eventos, turismo e a economia local.

Cachê e couvert entram no centro da discussão

Um dos principais assuntos levantados foi a relação entre cachê e couvert artístico.

Os músicos questionaram a forma como alguns estabelecimentos vêm utilizando o couvert cobrado dos clientes e como isso se relaciona com o pagamento dos profissionais que se apresentam.

Para os participantes, é necessário discutir regras mais claras e uma relação mais equilibrada entre artistas e estabelecimentos, evitando que o músico fique em uma situação de desvalorização profissional.

A discussão também envolve a necessidade de conscientizar o público sobre o fato de que a apresentação musical é um trabalho e que o artista precisa ser remunerado de maneira justa.

O problema do som e a discussão sobre os decibéis

Outro ponto que chamou atenção foi a legislação municipal relacionada à emissão de som.

Os músicos defendem uma revisão das regras, principalmente em relação aos limites de pressão sonora para estabelecimentos que trabalham com música ao vivo.

Durante a própria reunião, os participantes fizeram uma demonstração utilizando um celular com aplicativo de decibelímetro. Mesmo sem microfone ou equipamento de som, apenas com a conversa entre as pessoas no ambiente, o aparelho chegou a registrar mais de 90 decibéis.

A demonstração não substitui uma medição técnica oficial, mas serviu para provocar uma discussão entre os participantes: até que ponto os limites atualmente estabelecidos conseguem diferenciar uma apresentação musical profissional de situações de poluição sonora?

A legislação municipal e decisões recentes envolvendo Rondonópolis mostram que a questão do ruído é tratada com rigor pelos órgãos de fiscalização. Em 2026, por exemplo, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve uma condenação por poluição sonora após uma medição oficial registrar 95,2 decibéis. Em outro caso recente, a Polícia Ambiental registrou 87,7 dB utilizando equipamento calibrado.

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É justamente nesse ponto que os músicos querem abrir uma discussão com o poder público: estabelecer regras que garantam o direito ao sossego da população, mas que também levem em consideração a realidade de bares, restaurantes e espaços que trabalham profissionalmente com música.

Artista local quer espaço ao lado dos grandes shows

Outra reivindicação apresentada na reunião foi a participação de artistas de Rondonópolis em grandes eventos realizados na cidade.

A discussão ganhou força quando foi citado o exemplo da Exposul, evento que, segundo os participantes, recebeu ceca de R$ 2 milhões em recursos municipais e não contou, na programação mencionada participação de artistas locais como os mesmo citaram.

Para os músicos, quando existe investimento público em um evento, também deveria existir uma contrapartida cultural para quem produz arte na própria cidade.

A reivindicação não é substituir artistas nacionais ou impedir a realização de grandes shows. A proposta discutida é criar mecanismos para que músicos locais tenham espaço na programação, especialmente quando houver recursos públicos envolvidos.

A valorização dos artistas locais, inclusive, já aparece em documentos e propostas públicas relacionadas à política cultural de Rondonópolis. Em plano de governo apresentado para o município, por exemplo, consta a proposta de valorizar artistas locais em eventos, festivais e atividades culturais.

Casario pode virar palco para a música local

Durante a reunião também foi discutida a possibilidade de ampliação e restauração do espaço do Casario para transformá-lo em uma estrutura permanente voltada à realização de shows locais e regionais.

A ideia defendida pelos participantes é utilizar o espaço como ponto de encontro cultural, criando uma agenda de apresentações que possa movimentar artistas, produtores, comerciantes e o próprio turismo.

Na visão apresentada durante a reunião, um espaço estruturado para receber música poderia funcionar durante todo o ano, e não somente em grandes festividades.

A proposta também busca descentralizar a cultura e levar apresentações para diferentes regiões da cidade.

Música nas praças e cultura mais próxima da população

Outro assunto levantado foi a utilização das praças públicas para apresentações musicais.

A ideia que é de Tom e Alexandra criadores do projeto encontro dos butequeiros é criar ou fortalecer projetos de música nas praças, permitindo que artistas locais tenham espaço para mostrar seu trabalho e que a população tenha acesso gratuito à produção cultural da própria cidade.

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Para os músicos, iniciativas desse tipo podem cumprir duas funções ao mesmo tempo: valorizar quem produz cultura em Rondonópolis e aproximar a população dos artistas que vivem e trabalham aqui.

Representatividade junto à Secretaria de Cultura

A reunião também trouxe uma cobrança por maior representatividade dos músicos dentro das discussões da Secretaria Municipal de Cultura.

A categoria defende uma comunicação mais próxima com o poder público e a criação de mecanismos permanentes de diálogo para que as decisões relacionadas à música não sejam tomadas sem a participação de quem está diariamente nos palcos.

A presença de representantes da Secretaria de Cultura na reunião foi vista como uma oportunidade para que as reivindicações sejam levadas diretamente ao poder público.

E a Lei Aldir Blanc?

A aplicação dos recursos destinados à cultura também entrou na pauta.

Rondonópolis já possui histórico de utilização da Lei Aldir Blanc. Durante a primeira fase da legislação emergencial, o município publicou diversos editais destinados a segmentos culturais, incluindo um edital específico para projetos do setor de música e dança.

Na época, a própria Prefeitura destacou que os recursos permitiram que músicos, cantores e outros profissionais da cultura continuassem desenvolvendo suas atividades em um dos períodos mais difíceis enfrentados pelo setor.

Agora, a preocupação apresentada pelos músicos é que os recursos destinados à cultura tenham aplicação que contemple de maneira efetiva os profissionais da música e os diferentes segmentos existentes na cidade.

Uma categoria tentando falar a mesma língua

Mais do que uma reunião sobre cachê, som ou shows, o encontro mostrou uma tentativa de unir uma categoria que muitas vezes trabalha de maneira individual.

Rock, pagode, sertanejo, pop rock, DJs e outros estilos dividiram a mesma mesa para discutir problemas que, apesar das diferenças musicais, acabam sendo comuns para quem vive dos palcos.

A mensagem deixada pelos participantes foi direta: Rondonópolis tem músicos, tem produção cultural e tem público. O que a categoria busca agora é mais diálogo, regras mais claras e espaço dentro das políticas culturais do município.

A reunião não encerra a discussão. Pelo contrário.

A intenção dos participantes é transformar as reivindicações apresentadas em propostas concretas e levar o debate para os órgãos públicos, representantes do setor empresarial e demais segmentos envolvidos.

Porque, antes de qualquer grande atração chegar a Rondonópolis, existe uma música que já toca todos os dias por aqui.

E quem vive dela quer ser ouvido.

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