Planejando o futuro
Prefeitura inicia revisão do Plano Diretor e abre espaço para participação da sociedade em Rondonópolis
Cidades
Rondonópolis dá o primeiro passo para planejar o futuro da cidade. Depois de quase duas décadas sem uma revisão do principal instrumento de planejamento urbano, a Prefeitura iniciou oficialmente os trabalhos para atualização do Plano Diretor Municipal, documento que vai nortear o crescimento da cidade pelos próximos anos.
A primeira reunião aconteceu nesta segunda-feira (20), no Paço Municipal, reunindo representantes do poder público, da Câmara Municipal, entidades empresariais, setor da construção civil, mercado imobiliário e integrantes da sociedade organizada. O encontro marcou a apresentação da empresa de consultoria que será responsável pela condução dos estudos e pela elaboração da proposta do novo Plano Diretor.
A expectativa da administração municipal é construir um documento moderno, atualizado e que reflita as necessidades atuais de Rondonópolis, levando em consideração o crescimento populacional, o desenvolvimento econômico, a mobilidade urbana, a habitação, o meio ambiente e a expansão ordenada da cidade.
Durante a reunião, a secretária municipal de Habitação e Urbanismo, Yasmin Waki, destacou que o Plano Diretor em vigor é de 2006 e que sua revisão já deveria ter ocorrido há vários anos, conforme determina a legislação.
Segundo ela, a atual gestão definiu o assunto como prioridade justamente pela importância que o documento possui para o desenvolvimento do município.
A empresa Houer Consultoria, responsável pela elaboração técnica do novo Plano Diretor, explicou que os trabalhos começam com um diagnóstico detalhado da realidade do município. Essa fase inclui levantamento de informações técnicas e, principalmente, a participação popular, considerada essencial para que o planejamento represente os interesses da população.
O consultor Evandro Gottardo explicou que a intenção é construir uma proposta sólida, capaz de orientar o crescimento urbano da cidade pelos próximos dez anos, reduzindo conflitos futuros e oferecendo mais segurança para investimentos públicos e privados.
Além do poder público, entidades representativas também participaram da reunião. A presidente da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Rondonópolis (ACIR), Denise Freitas, avaliou positivamente a abertura para que diferentes setores possam contribuir desde o início da construção do novo Plano Diretor.
Na avaliação dela, ouvir empresários, trabalhadores, profissionais técnicos e a população em geral fortalece o processo e aumenta as chances de que a futura legislação reflita as reais necessidades da cidade.
Ao longo dos próximos meses, a Prefeitura deverá promover audiências públicas e outras etapas participativas para ouvir sugestões da comunidade antes que a proposta seja encaminhada para análise e votação na Câmara Municipal.
Mais do que uma obrigação legal, a revisão do Plano Diretor representa uma oportunidade para definir como Rondonópolis pretende crescer nas próximas décadas, estabelecendo regras para ocupação do solo, expansão urbana, mobilidade, preservação ambiental e desenvolvimento econômico.
A expectativa do Executivo é concluir uma minuta técnica consistente, construída de forma participativa, para que o projeto seja encaminhado ao Legislativo com amplo respaldo da sociedade.
Cidades
Justiça nega liminar a Mariúva e caminho fica aberto para convocação de Adonias na Câmara de Rondonópolis
Decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública considerou legal o ato do presidente Paulo Schuh que declarou a extinção do mandato da vereadora
A Justiça de Mato Grosso decidiu, nesta quarta-feira (3), manter a extinção do mandato da vereadora Mariúva Valentin Chaves da Silva (MDB) e negou o pedido de liminar apresentado pela parlamentar para tentar suspender a decisão tomada pela Câmara Municipal de Rondonópolis.
Na prática, a decisão do juiz Jorge Hassib Ibrahim, da 2ª Vara Especializada da Fazenda Pública, retira o principal obstáculo judicial que impedia o avanço da convocação do suplente.
Com isso, o ex-vereador Adonias Fernandes (MDB), primeiro suplente da coligação, deve ser convocado para assumir a vaga. Adonias já foi vereador de Rondonópolis por cinco mandatos.
Justiça considerou legal o ato do presidente da Câmara
Mariúva entrou na Justiça questionando o procedimento adotado pelo presidente da Câmara, Paulo Schuh (PL), que declarou a extinção do mandato durante a 81ª Sessão Ordinária, realizada no dia 26 de agosto.
Entre os argumentos apresentados pela vereadora estava a alegação de que o presidente não poderia ter tomado a decisão sozinho e que a competência seria da Mesa Diretora. Ela também sustentou que não teve direito de defesa.
Os argumentos, porém, não foram aceitos pelo juiz.
Na decisão, o magistrado entendeu que a atuação do presidente da Câmara teve caráter declaratório. Em outras palavras, segundo a Justiça, Schuh não estaria aplicando uma nova punição à vereadora, mas apenas formalizando uma consequência jurídica que já havia ocorrido em razão de uma condenação criminal definitiva.
Mas por que o mandato foi extinto?
O ponto principal está na suspensão dos direitos políticos de Mariúva em razão de uma condenação criminal que já transitou em julgado, ou seja, não cabe mais recurso naquela decisão.
A Constituição Federal estabelece que a condenação criminal definitiva provoca a suspensão dos direitos políticos enquanto durarem seus efeitos.
O juiz também citou entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal de que essa suspensão ocorre de forma automática, não dependendo de uma nova votação ou de um processo dentro da Câmara.
Por esse entendimento, a Câmara apenas reconhece oficialmente a situação.
E por que Adonias pode assumir?
É justamente aí que entra o ex-vereador Adonias Fernandes.
O juiz citou o artigo 8º, parágrafo 1º, do Decreto-Lei nº 201/1967. A legislação determina que, quando estiver comprovada a causa de extinção do mandato, o presidente da Câmara deve comunicar o Plenário, registrar a decisão em ata e convocar imediatamente o suplente.
Por isso, com a liminar negada, o caminho fica aberto para que a Câmara avance na convocação do primeiro suplente.
Na prática, a decisão judicial mantém a extinção do mandato de Mariúva e permite que o processo de substituição siga adiante.
O que acontece agora?
A partir da decisão, a expectativa é que a Câmara Municipal dê sequência aos procedimentos necessários para a convocação de Adonias Fernandes.
A decisão desta quarta-feira não representa uma condenação nova contra Mariúva. O que está sendo discutido na Justiça é a validade do procedimento adotado pela Câmara para declarar a extinção do mandato diante da situação jurídica já existente.
O caso ainda pode ter novos desdobramentos judiciais, mas, neste momento, a liminar que poderia suspender a extinção do mandato foi negada e não há, nessa decisão, impedimento para a convocação do suplente.
A população agora acompanha os próximos passos dentro da Câmara, que poderá confirmar a convocação e, posteriormente, a posse de Adonias Fernandes para ocupar a cadeira deixada por Mariúva.
