Agronegócio
Itaipu quer comprar terras para índios em mais um capítulo dos conflitos fundiários
Agronegócio
O oeste do Paraná tem sido palco de intensos conflitos fundiários envolvendo comunidades indígenas, especialmente os Avá-Guarani, e produtores rurais. Essas tensões, que se arrastam há décadas, têm origem em disputas territoriais e reivindicações históricas por terras tradicionais.
A construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, na década de 1980, teve um impacto significativo nas terras ocupadas pelos Avá-Guarani. Muitos territórios indígenas foram alagados, levando ao deslocamento de comunidades e à perda de áreas tradicionais de subsistência. Desde então, os Avá-Guarani têm buscado a recuperação de suas terras ancestrais, resultando em retomadas e ocupações em regiões como Guaíra e Terra Roxa.
Nos últimos anos, a violência na região aumentou consideravelmente. Em dezembro de 2023, às vésperas do Natal, comunidades Avá-Guarani sofreram ataques com armas de fogo, resultando em feridos e relatos de atuação de milícias armadas.
Em janeiro de 2025, novos ataques foram registrados na aldeia Yvy Okaju, localizada na Terra Indígena Tekoha Guasu Guavirá, deixando duas crianças e dois jovens feridos. Em resposta à escalada dos conflitos, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania reforçou sua presença na região em agosto de 2024, enviando equipes para acompanhar de perto a situação e buscar soluções pacíficas. Além disso, o governo estadual cobrou celeridade do governo federal para resolver as invasões de terras no oeste do Paraná, buscando garantir a segurança e os direitos de todas as partes envolvidas.
As invasões e os conflitos têm causado insegurança jurídica e econômica para produtores rurais e comunidades indígenas. Levantamentos indicam que as invasões de terras no oeste do Paraná já comprometem uma parcela significativa das áreas agricultáveis em municípios como Terra Roxa e Guaíra, afetando diretamente a produção agropecuária e a subsistência das famílias locais.
NOVO CAPÍTULO – Na semana passada o Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), junto com Senar e Sindicato Rural denunciaram o desenrolar de mais um capitulo desta novela: um acordo da Itaipu para a compra de terras destinadas a comunidades indígenas.
A entidade manifestou repúdio ao acordo alegando que a decisão foi tomada sem a participação dos representantes do setor agropecuário e dos produtores rurais da região. Em nota oficial, o Sistema FAEP classificou o acordo como arbitrário e anunciou que buscará, por meios legais, a impugnação da decisão. Além disso, pretende acionar a bancada paranaense no Congresso Nacional e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para defender os interesses dos agricultores e pecuaristas locais.
A principal crítica da entidade refere-se ao processo de escolha das áreas, conduzido pela Fundação Nacional do Índio (Funai), e à avaliação dos imóveis, realizada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que teriam ocorrido sem a participação dos produtores rurais. O Sistema FAEP destaca que muitos desses produtores não demonstraram interesse em vender suas terras, o que poderia configurar uma desapropriação indevida, especialmente considerando o mercado de terras no Paraná.
O contexto desse desacordo está relacionado à tese do marco temporal, uma interpretação jurídica que estabelece que os povos indígenas têm direito à demarcação de terras que estavam sob sua posse ou disputa na data da promulgação da Constituição Federal, em 5 de outubro de 1988. Essa tese tem gerado debates acalorados entre setores do agronegócio e comunidades indígenas.
Por outro lado, organizações indígenas e entidades de defesa dos direitos humanos consideram a tese do marco temporal uma violação aos direitos dos povos originários, argumentando que desconsidera processos históricos de expulsão e migração forçada dessas comunidades.
A controvérsia em torno da compra de terras pela Itaipu e a aplicação do marco temporal reflete a complexidade dos debates sobre a demarcação de terras indígenas no Brasil, envolvendo aspectos jurídicos, sociais e econômicos que afetam diversas partes interessadas.
A complexidade dos conflitos fundiários no oeste do Paraná exige uma abordagem integrada e dialogada entre governo, comunidades indígenas e produtores rurais. A busca por soluções pacíficas e justas é essencial para garantir a segurança, os direitos territoriais e a convivência harmoniosa na região.
VEJA NA ÍNTEGRA A NOTA DA FAEP:
O Sistema FAEP considera arbitrário o acordo aprovado pelo Conselho de Administração da Itaipu para a compra de terras destinadas a comunidades indígenas, sem a participação dos representantes do setor agropecuário e dos produtores rurais do Oeste. Diante disso, a entidade buscará, por meios legais, a impugnação do acordo e acionará a bancada do Paraná no Congresso Nacional, além da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), para defender os agricultores e pecuaristas da região.
A escolha das áreas, realizada pela Funai, e a avaliação dos imóveis, atribuída ao Incra, ocorreram sem a participação dos produtores – que, em sua maioria, não demonstram interesse em vender suas terras. Essa situação pode configurar desapropriação indevida, agravada pelo fato de que o mercado de terras se tornou um investimento rentável no Paraná.
Há anos, o Sistema FAEP e os sindicatos rurais do Oeste lutam por segurança jurídica, conforme o Marco Temporal – que limita as demarcações de terras indígenas à data da promulgação da Constituição Federal (5 de outubro de 1988) – e a recente Lei 14.701 fortalece esse compromisso. Enquanto invasões de terras continuam a gerar insegurança jurídica e prejuízos para o Paraná, reafirmamos que a solução não é a compra de terras por entidades públicas, mas o cumprimento rigoroso das leis.
Ágide Eduardo Meneguette
Presidente interino do Sistema FAEP
Fonte: Pensar Agro
Agronegócio
Semana do Cavalo abre com arena lotada, rodeio emocionante e sorteio de moto 0km em Rondonópolis
A abertura da Semana do Cavalo Rondonópolis É o Bicho Rodeio Festival confirmou a força da tradição sertaneja e o entusiasmo do público rondonopolitano. Com entrada gratuita, a primeira noite do evento foi marcada por competições equestres de alto nível, rodeio em touros, shows nacionais e o sorteio da primeira das quatro motos 0km que serão entregues ao longo da programação.
As atividades começaram ainda pela manhã, com as disputas dos Três Tambores e Ranch Sorting, reunindo competidores e apaixonados pelo universo do cavalo. Paralelamente, palestras técnicas voltadas ao setor agropecuário registraram grande participação de produtores, criadores e profissionais ligados ao segmento.
Um dos idealizadores da Semana do Cavalo, Carlos Eduardo Povôas, o Cae, destacou a grandiosidade da programação e a proposta de oferecer atrações durante todo o dia para a população.
“Desde as primeiras horas da manhã tivemos provas equestres, palestras, rodeio e grandes shows. É um evento pensado para toda a família, valorizando nossa cultura e tradição, com acesso gratuito para a população”, ressaltou.

Prefeito abre festividade montado e com a bandeira do Município
A abertura oficial contou com a presença do prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira, acompanhado da primeira-dama Alessandra Ferreira. Montado a cavalo e carregando a bandeira do município, o prefeito participou da cerimônia e homenageou os pioneiros que ajudaram a construir a história da cidade e da produção rural na região.
Disputa acirrada no rodeio
Dentro da Arena João Potero, os peões-atletas protagonizaram uma noite de grandes emoções no É o Bicho Rodeio Festival. Competidores de nível nacional e internacional enfrentaram algumas das melhores boiadas do estado, garantindo espetáculo para o público presente.
Após a primeira rodada, a liderança ficou com a equipe Central Gráfica, que somou 341,50 pontos. Na sequência aparecem Casa Jardim, com 331 pontos; Trans 4 Patas, atual campeã, com 172,10; Bandeirantes Calçados, com 172 pontos; e Rancho Country, com 84,50 pontos.
Para Rômulo de Jesus, organizador do rodeio, a primeira noite mostrou que a disputa pelo título será intensa.
“Temos atletas experientes e equipes muito fortes. O público pode esperar grandes montarias e uma competição equilibrada até a grande final”, afirmou.
Primeira moto 0km já tem dona
Um dos momentos mais aguardados da noite foi o sorteio da primeira moto 0km da promoção realizada durante o evento.
A felizarda foi a auxiliar administrativa Ihasmim Oliveira, de 18 anos, moradora de Rondonópolis. Ela recebeu o cupom após realizar compras na loja West Country, uma das empresas participantes da campanha.
A promoção continua durante os próximos dias. A cada R$ 100 em compras nas lojas parceiras — Rancho Country, Compre Fácil, Tend Tudo, Casa Jardim, Bandeirantes Calçados e West Country — o cliente recebe um cupom para concorrer às motos que serão sorteadas diariamente.
Shows encerram a primeira noite
Após as emoções do rodeio, o público lotou a arena para acompanhar os shows da Resenha da Muierada e do cantor Jero Neto e Banda. As apresentações animaram a madrugada e encerraram o primeiro dia de programação em clima de festa.
Evento também tem caráter solidário
Além de celebrar a cultura sertaneja e o agronegócio, a Semana do Cavalo mantém sua tradição solidária. Todos os alimentos arrecadados durante os quatro dias de evento serão destinados a instituições filantrópicas e entidades assistenciais de Rondonópolis.
A programação segue até sábado com palestras técnicas, provas equestres, leilões, rodeio e apresentações musicais nacionais, consolidando o evento como um dos maiores encontros do setor agropecuário e cultural da região sul de Mato Grosso.