Disputa de narrativas:
Terminal da Fernando Corrêa revela bastidores políticos em Rondonópolis
Cidades
No coração de Rondonópolis, um espaço que por décadas simbolizou movimento e desenvolvimento urbano voltou a ganhar vida. Mas por trás da nova estrutura do terminal da Fernando Corrêa, existe uma história que vai além da obra: envolve gestões diferentes, projetos concorrentes e uma disputa simbólica sobre memória e reconhecimento.
Da antiga rodoviária ao novo projeto urbano
O local onde hoje está o novo terminal urbano já foi um dos pontos mais movimentados da cidade. A antiga rodoviária funcionou ali por décadas, até ser desativada no início dos anos 2000, deixando para trás uma área central que, por muito tempo, ficou esquecida.
A ideia de revitalizar o espaço não nasceu agora. Ainda na gestão do ex-prefeito José Carlos do Pátio, surgiu o projeto de transformar a antiga área da rodoviária em um novo terminal de transporte coletivo urbano. Foi nesse período que a proposta saiu do papel e teve início, marcando o primeiro passo concreto para a reocupação daquele ponto estratégico da cidade.
Obra parada, retomada e reconfigurada
Apesar do início ainda na gestão anterior, o projeto enfrentou interrupções e acabou não sendo concluído naquele momento. A obra passou por um período de paralisação, ficando novamente como símbolo de promessa não cumprida no centro da cidade.
Somente anos depois, já em outra administração municipal, os trabalhos foram retomados, com readequações no projeto original e a proposta de modernização da estrutura. A nova versão trouxe melhorias como acessibilidade, climatização e reorganização do fluxo do transporte coletivo.
A disputa pelo nome: memória local x referência nacional
Se a obra já carregava um histórico de idas e vindas, o nome do terminal abriu um novo capítulo de debate.
Antes da definição oficial, um projeto de lei apresentado por um vereador de Rondonópolis propunha que o espaço recebesse o nome do ex-vereador Juary Miranda, figura conhecida na política local falecido na pandemia. A proposta tinha como base valorizar uma liderança diretamente ligada à história do município.
No entanto, a decisão final seguiu outro caminho.
Por iniciativa do Executivo, o terminal passou a ser denominado em homenagem a José Bonifácio de Andrada e Silva, personagem histórico de relevância nacional, conhecido como o “Patriarca da Independência”.
Repercussão: reconhecimento e questionamentos
A mudança de nome não passou despercebida.
De um lado, há quem defenda a escolha como uma forma de conectar a cidade à história do Brasil, ampliando o valor simbólico do espaço público.
Do outro, surgiram questionamentos sobre a perda de uma oportunidade de homenagear figuras locais — especialmente diante da existência de uma proposta anterior voltada a um nome da própria cidade.
Nos bastidores políticos, o episódio também é visto como reflexo de diferentes visões administrativas: de um lado, o legado de uma obra iniciada na gestão de José Carlos do Pátio; do outro, a marca de quem concluiu e decidiu a identidade final do espaço.
Mais que uma obra, um símbolo em disputa
A entrega do novo terminal representa, sem dúvida, um avanço na mobilidade urbana e na revitalização do centro de Rondonópolis.
Mas também escancara algo comum na política municipal: obras públicas não são apenas concreto e estrutura — são também palco de disputas por autoria, reconhecimento e memória.
No fim das contas, o terminal da Fernando Corrêa passa a ser mais do que um ponto de embarque. Ele se torna um símbolo de como diferentes gestões deixam suas marcas — seja no início, na execução ou até no nome que fica para a história.
Cidades
Justiça nega liminar a Mariúva e caminho fica aberto para convocação de Adonias na Câmara de Rondonópolis
Decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública considerou legal o ato do presidente Paulo Schuh que declarou a extinção do mandato da vereadora
A Justiça de Mato Grosso decidiu, nesta quarta-feira (3), manter a extinção do mandato da vereadora Mariúva Valentin Chaves da Silva (MDB) e negou o pedido de liminar apresentado pela parlamentar para tentar suspender a decisão tomada pela Câmara Municipal de Rondonópolis.
Na prática, a decisão do juiz Jorge Hassib Ibrahim, da 2ª Vara Especializada da Fazenda Pública, retira o principal obstáculo judicial que impedia o avanço da convocação do suplente.
Com isso, o ex-vereador Adonias Fernandes (MDB), primeiro suplente da coligação, deve ser convocado para assumir a vaga. Adonias já foi vereador de Rondonópolis por cinco mandatos.
Justiça considerou legal o ato do presidente da Câmara
Mariúva entrou na Justiça questionando o procedimento adotado pelo presidente da Câmara, Paulo Schuh (PL), que declarou a extinção do mandato durante a 81ª Sessão Ordinária, realizada no dia 26 de agosto.
Entre os argumentos apresentados pela vereadora estava a alegação de que o presidente não poderia ter tomado a decisão sozinho e que a competência seria da Mesa Diretora. Ela também sustentou que não teve direito de defesa.
Os argumentos, porém, não foram aceitos pelo juiz.
Na decisão, o magistrado entendeu que a atuação do presidente da Câmara teve caráter declaratório. Em outras palavras, segundo a Justiça, Schuh não estaria aplicando uma nova punição à vereadora, mas apenas formalizando uma consequência jurídica que já havia ocorrido em razão de uma condenação criminal definitiva.
Mas por que o mandato foi extinto?
O ponto principal está na suspensão dos direitos políticos de Mariúva em razão de uma condenação criminal que já transitou em julgado, ou seja, não cabe mais recurso naquela decisão.
A Constituição Federal estabelece que a condenação criminal definitiva provoca a suspensão dos direitos políticos enquanto durarem seus efeitos.
O juiz também citou entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal de que essa suspensão ocorre de forma automática, não dependendo de uma nova votação ou de um processo dentro da Câmara.
Por esse entendimento, a Câmara apenas reconhece oficialmente a situação.
E por que Adonias pode assumir?
É justamente aí que entra o ex-vereador Adonias Fernandes.
O juiz citou o artigo 8º, parágrafo 1º, do Decreto-Lei nº 201/1967. A legislação determina que, quando estiver comprovada a causa de extinção do mandato, o presidente da Câmara deve comunicar o Plenário, registrar a decisão em ata e convocar imediatamente o suplente.
Por isso, com a liminar negada, o caminho fica aberto para que a Câmara avance na convocação do primeiro suplente.
Na prática, a decisão judicial mantém a extinção do mandato de Mariúva e permite que o processo de substituição siga adiante.
O que acontece agora?
A partir da decisão, a expectativa é que a Câmara Municipal dê sequência aos procedimentos necessários para a convocação de Adonias Fernandes.
A decisão desta quarta-feira não representa uma condenação nova contra Mariúva. O que está sendo discutido na Justiça é a validade do procedimento adotado pela Câmara para declarar a extinção do mandato diante da situação jurídica já existente.
O caso ainda pode ter novos desdobramentos judiciais, mas, neste momento, a liminar que poderia suspender a extinção do mandato foi negada e não há, nessa decisão, impedimento para a convocação do suplente.
A população agora acompanha os próximos passos dentro da Câmara, que poderá confirmar a convocação e, posteriormente, a posse de Adonias Fernandes para ocupar a cadeira deixada por Mariúva.
