Cerimônia com a ministra Cármen Lúcia marca início do Ciclo de Transparência Democrática e amplia prazo para auditorias dos sistemas eleitorais.
Eleições 2026 TSE abre código-fonte das urnas eletrônicas um ano antes do pleito
Curiosidades
Brasília — O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciou, nesta quinta-feira (2/10), o Ciclo de Transparência Democrática para as eleições de 2026, com a abertura do código-fonte dos sistemas que serão utilizados nas urnas eletrônicas do próximo pleito.
A cerimônia contou com a presença da ministra Cármen Lúcia, presidente da Corte Eleitoral, e de outros membros da Justiça Eleitoral. Segundo o TSE, a medida busca reforçar a confiança pública no processo de votação e permitir que entidades fiscalizadoras possam analisar antecipadamente o funcionamento dos programas.
O que significa abrir o código-fonte?
O código-fonte é o conjunto de instruções que faz os sistemas operarem — o “cérebro” da urna eletrônica. Sua abertura permite que partidos, universidades, órgãos de controle e instituições técnicas possam inspecionar a lógica de programação, identificar eventuais falhas e sugerir melhorias.
No Brasil, essa prática já ocorre desde 2002, mas a novidade é que agora o acesso está sendo liberado um ano antes das eleições, oferecendo mais tempo para auditoria e análise.
Quem pode fiscalizar?
De acordo com a Resolução TSE nº 23.673/2021, até 14 classes de entidades estão habilitadas a realizar a inspeção, entre elas: partidos políticos, OAB, Ministério Público, Congresso Nacional, Polícia Federal, CGU, universidades e instituições ligadas à transparência e tecnologia.
As análises são feitas em sala própria do TSE, mediante agendamento, sem interferência da Justiça Eleitoral sobre o trabalho técnico.
Prazo de acesso
O código-fonte ficará disponível até a Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas, realizada semanas antes da votação. A partir desse momento, os programas são “selados” para impedir alterações.
Pontos positivos esperados
- Transparência reforçada no processo eleitoral.
- Auditoria antecipada, ampliando a chance de detectar inconsistências.
- Aprimoramento tecnológico a partir de contribuições externas.
- Controle social e participação de diferentes setores da sociedade.
Desafios e críticas
- Risco de exposição de módulos sensíveis, como criptografia.
- Limitações técnicas de algumas entidades para análise profunda.
- Restrições contratuais que podem limitar a divulgação de trechos do código.
- Volume e complexidade que exigem recursos especializados.
Histórico e contexto
O acesso ao código-fonte já foi disponibilizado em eleições passadas. Em 2024, por exemplo, entidades como o União Brasil, a Sociedade Brasileira de Computação e o Senado Federal realizaram inspeções. Além disso, o TSE promove os Testes Públicos de Segurança (TPS), quando especialistas são convidados a tentar explorar falhas em condições controladas.
O que acompanhar daqui em diante
- Número de entidades que efetivamente participarão das auditorias.
- Divulgação de relatórios com falhas identificadas e correções aplicadas.
- Envolvimento da sociedade civil e transparência na comunicação.
- Possíveis ações judiciais ou contestações relacionadas à segurança.
- Explicações claras ao eleitor sobre como o processo garante confiabilidade.
Cidades
Justiça nega liminar a Mariúva e caminho fica aberto para convocação de Adonias na Câmara de Rondonópolis
Decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública considerou legal o ato do presidente Paulo Schuh que declarou a extinção do mandato da vereadora
A Justiça de Mato Grosso decidiu, nesta quarta-feira (3), manter a extinção do mandato da vereadora Mariúva Valentin Chaves da Silva (MDB) e negou o pedido de liminar apresentado pela parlamentar para tentar suspender a decisão tomada pela Câmara Municipal de Rondonópolis.
Na prática, a decisão do juiz Jorge Hassib Ibrahim, da 2ª Vara Especializada da Fazenda Pública, retira o principal obstáculo judicial que impedia o avanço da convocação do suplente.
Com isso, o ex-vereador Adonias Fernandes (MDB), primeiro suplente da coligação, deve ser convocado para assumir a vaga. Adonias já foi vereador de Rondonópolis por cinco mandatos.
Justiça considerou legal o ato do presidente da Câmara
Mariúva entrou na Justiça questionando o procedimento adotado pelo presidente da Câmara, Paulo Schuh (PL), que declarou a extinção do mandato durante a 81ª Sessão Ordinária, realizada no dia 26 de agosto.
Entre os argumentos apresentados pela vereadora estava a alegação de que o presidente não poderia ter tomado a decisão sozinho e que a competência seria da Mesa Diretora. Ela também sustentou que não teve direito de defesa.
Os argumentos, porém, não foram aceitos pelo juiz.
Na decisão, o magistrado entendeu que a atuação do presidente da Câmara teve caráter declaratório. Em outras palavras, segundo a Justiça, Schuh não estaria aplicando uma nova punição à vereadora, mas apenas formalizando uma consequência jurídica que já havia ocorrido em razão de uma condenação criminal definitiva.
Mas por que o mandato foi extinto?
O ponto principal está na suspensão dos direitos políticos de Mariúva em razão de uma condenação criminal que já transitou em julgado, ou seja, não cabe mais recurso naquela decisão.
A Constituição Federal estabelece que a condenação criminal definitiva provoca a suspensão dos direitos políticos enquanto durarem seus efeitos.
O juiz também citou entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal de que essa suspensão ocorre de forma automática, não dependendo de uma nova votação ou de um processo dentro da Câmara.
Por esse entendimento, a Câmara apenas reconhece oficialmente a situação.
E por que Adonias pode assumir?
É justamente aí que entra o ex-vereador Adonias Fernandes.
O juiz citou o artigo 8º, parágrafo 1º, do Decreto-Lei nº 201/1967. A legislação determina que, quando estiver comprovada a causa de extinção do mandato, o presidente da Câmara deve comunicar o Plenário, registrar a decisão em ata e convocar imediatamente o suplente.
Por isso, com a liminar negada, o caminho fica aberto para que a Câmara avance na convocação do primeiro suplente.
Na prática, a decisão judicial mantém a extinção do mandato de Mariúva e permite que o processo de substituição siga adiante.
O que acontece agora?
A partir da decisão, a expectativa é que a Câmara Municipal dê sequência aos procedimentos necessários para a convocação de Adonias Fernandes.
A decisão desta quarta-feira não representa uma condenação nova contra Mariúva. O que está sendo discutido na Justiça é a validade do procedimento adotado pela Câmara para declarar a extinção do mandato diante da situação jurídica já existente.
O caso ainda pode ter novos desdobramentos judiciais, mas, neste momento, a liminar que poderia suspender a extinção do mandato foi negada e não há, nessa decisão, impedimento para a convocação do suplente.
A população agora acompanha os próximos passos dentro da Câmara, que poderá confirmar a convocação e, posteriormente, a posse de Adonias Fernandes para ocupar a cadeira deixada por Mariúva.
