Apesar da aprovação popular acima de 78%, a gestão de Cláudio Ferreira ainda enfrenta críticas em áreas como transporte coletivo, saúde e dívidas herdadas do município.
Gestão de Cláudio Ferreira em Rondonópolis: entre altos índices de aprovação e os desafios da cidade
Cidades
Ao assumir a Prefeitura de Rondonópolis no início de 2025, o prefeito Cláudio Ferreira (PL) encontrou uma máquina pública com dívidas milionárias, problemas na saúde, contratos emperrados e críticas acumuladas em setores sensíveis, como o transporte coletivo. Mesmo diante desse cenário, o gestor conseguiu imprimir ritmo à administração e, poucos meses depois, aparece nas pesquisas com índices de aprovação que chamam a atenção.
Uma pesquisa do Instituto Guimarães, realizada em junho, apontou que 78,3% da população aprovam a gestão de Ferreira. Desse total, 56,6% classificaram o trabalho como “ótimo” ou “bom”, 29,7% como “regular” e apenas 6,7% avaliaram como “ruim ou péssimo”. O resultado reforça a força política com que o prefeito inicia o governo.
Entre as ações destacadas pela administração estão medidas de contenção de gastos. Um exemplo foi a revisão de contrato para fornecimento de grama, que garantiu economia de mais de 30% aos cofres públicos. Essa linha de reavaliação de contratos se repete em outras áreas e se tornou bandeira de eficiência da gestão.
Mas nem tudo são acertos. Um dos principais gargalos relatados pela população continua sendo o transporte coletivo, alvo de queixas recorrentes pela má qualidade do serviço. Falta de ônibus, horários reduzidos e itinerários que não atendem plenamente os bairros mais distantes continuam a gerar insatisfação e a sensação de que o problema ainda não recebeu solução prática.
Outro desafio importante é o equilíbrio das contas públicas. A Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (Coder), por exemplo, acumula uma dívida de quase R$ 187 milhões, que pressiona a saúde financeira do município e exige negociações de longo prazo.
Na área da saúde, ainda há relatos de falta de medicamentos e de insumos em unidades básicas, situação que vem sendo enfrentada desde o início da gestão. A Prefeitura garante que tem buscado reorganizar estoques e reforçar o atendimento, mas os reflexos ainda são sentidos por quem depende do sistema público.
Entre acertos e desafios, a avaliação do governo Cláudio Ferreira parece dividir opiniões, mas, até aqui, os números mostram que a população dá um voto de confiança ao prefeito. A grande questão é se essa aprovação inicial se sustentará diante das dificuldades estruturais e da cobrança natural da comunidade por melhorias no dia a dia.
Cidades
Justiça nega liminar a Mariúva e caminho fica aberto para convocação de Adonias na Câmara de Rondonópolis
Decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública considerou legal o ato do presidente Paulo Schuh que declarou a extinção do mandato da vereadora
A Justiça de Mato Grosso decidiu, nesta quarta-feira (3), manter a extinção do mandato da vereadora Mariúva Valentin Chaves da Silva (MDB) e negou o pedido de liminar apresentado pela parlamentar para tentar suspender a decisão tomada pela Câmara Municipal de Rondonópolis.
Na prática, a decisão do juiz Jorge Hassib Ibrahim, da 2ª Vara Especializada da Fazenda Pública, retira o principal obstáculo judicial que impedia o avanço da convocação do suplente.
Com isso, o ex-vereador Adonias Fernandes (MDB), primeiro suplente da coligação, deve ser convocado para assumir a vaga. Adonias já foi vereador de Rondonópolis por cinco mandatos.
Justiça considerou legal o ato do presidente da Câmara
Mariúva entrou na Justiça questionando o procedimento adotado pelo presidente da Câmara, Paulo Schuh (PL), que declarou a extinção do mandato durante a 81ª Sessão Ordinária, realizada no dia 26 de agosto.
Entre os argumentos apresentados pela vereadora estava a alegação de que o presidente não poderia ter tomado a decisão sozinho e que a competência seria da Mesa Diretora. Ela também sustentou que não teve direito de defesa.
Os argumentos, porém, não foram aceitos pelo juiz.
Na decisão, o magistrado entendeu que a atuação do presidente da Câmara teve caráter declaratório. Em outras palavras, segundo a Justiça, Schuh não estaria aplicando uma nova punição à vereadora, mas apenas formalizando uma consequência jurídica que já havia ocorrido em razão de uma condenação criminal definitiva.
Mas por que o mandato foi extinto?
O ponto principal está na suspensão dos direitos políticos de Mariúva em razão de uma condenação criminal que já transitou em julgado, ou seja, não cabe mais recurso naquela decisão.
A Constituição Federal estabelece que a condenação criminal definitiva provoca a suspensão dos direitos políticos enquanto durarem seus efeitos.
O juiz também citou entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal de que essa suspensão ocorre de forma automática, não dependendo de uma nova votação ou de um processo dentro da Câmara.
Por esse entendimento, a Câmara apenas reconhece oficialmente a situação.
E por que Adonias pode assumir?
É justamente aí que entra o ex-vereador Adonias Fernandes.
O juiz citou o artigo 8º, parágrafo 1º, do Decreto-Lei nº 201/1967. A legislação determina que, quando estiver comprovada a causa de extinção do mandato, o presidente da Câmara deve comunicar o Plenário, registrar a decisão em ata e convocar imediatamente o suplente.
Por isso, com a liminar negada, o caminho fica aberto para que a Câmara avance na convocação do primeiro suplente.
Na prática, a decisão judicial mantém a extinção do mandato de Mariúva e permite que o processo de substituição siga adiante.
O que acontece agora?
A partir da decisão, a expectativa é que a Câmara Municipal dê sequência aos procedimentos necessários para a convocação de Adonias Fernandes.
A decisão desta quarta-feira não representa uma condenação nova contra Mariúva. O que está sendo discutido na Justiça é a validade do procedimento adotado pela Câmara para declarar a extinção do mandato diante da situação jurídica já existente.
O caso ainda pode ter novos desdobramentos judiciais, mas, neste momento, a liminar que poderia suspender a extinção do mandato foi negada e não há, nessa decisão, impedimento para a convocação do suplente.
A população agora acompanha os próximos passos dentro da Câmara, que poderá confirmar a convocação e, posteriormente, a posse de Adonias Fernandes para ocupar a cadeira deixada por Mariúva.
