Investigações apontam que servidor da Câmara recebia valores de empréstimos simulados usados por facção criminosa para lavar dinheiro do tráfico
Polícia & Justiça Assessor parlamentar é preso em Rondonópolis na 5ª fase da Operação Eclipse
Cidades
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta terça-feira (30), em Rondonópolis, a quinta fase da Operação Eclipse, que desmantela um esquema milionário de lavagem de dinheiro comandado por uma facção criminosa com base em Água Boa e ramificações em várias cidades do Estado, entre elas Barra do Garças e Rondonópolis.
Um dos alvos da ação foi um assessor parlamentar da Câmara Municipal de Rondonópolis, de 51 anos, preso preventivamente após investigações revelarem sua ligação direta com o grupo criminoso. De acordo com a apuração, ele recebia valores provenientes de supostos empréstimos concedidos por uma empresa de fachada, criada justamente para movimentar recursos obtidos com o tráfico de drogas.
Na prática, os depósitos simulavam transações financeiras legítimas, mas escondiam a origem ilícita do dinheiro. As provas surgiram a partir da análise de contas bancárias e de comunicações que revelaram o vínculo do servidor com os operadores do esquema.
Durante o cumprimento do mandado em sua residência, a polícia apreendeu R$ 14 mil em espécie, além de um veículo Toyota Corolla preto e outros objetos de valor.
Ao todo, nesta fase da operação, foram cumpridos 18 ordens judiciais expedidas pelo Núcleo de Inquéritos Policiais (Nipo) de Cuiabá: sete mandados de busca e apreensão, sete de prisão preventiva e quatro medidas cautelares, incluindo bloqueio de contas e sequestro de bens.
Segundo a Polícia Civil, o esquema era clandestino e estruturado, com divisão de funções bem definidas entre os integrantes da facção, que atuavam em diferentes cidades de Mato Grosso.
Cidades
Justiça nega liminar a Mariúva e caminho fica aberto para convocação de Adonias na Câmara de Rondonópolis
Decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública considerou legal o ato do presidente Paulo Schuh que declarou a extinção do mandato da vereadora
A Justiça de Mato Grosso decidiu, nesta quarta-feira (3), manter a extinção do mandato da vereadora Mariúva Valentin Chaves da Silva (MDB) e negou o pedido de liminar apresentado pela parlamentar para tentar suspender a decisão tomada pela Câmara Municipal de Rondonópolis.
Na prática, a decisão do juiz Jorge Hassib Ibrahim, da 2ª Vara Especializada da Fazenda Pública, retira o principal obstáculo judicial que impedia o avanço da convocação do suplente.
Com isso, o ex-vereador Adonias Fernandes (MDB), primeiro suplente da coligação, deve ser convocado para assumir a vaga. Adonias já foi vereador de Rondonópolis por cinco mandatos.
Justiça considerou legal o ato do presidente da Câmara
Mariúva entrou na Justiça questionando o procedimento adotado pelo presidente da Câmara, Paulo Schuh (PL), que declarou a extinção do mandato durante a 81ª Sessão Ordinária, realizada no dia 26 de agosto.
Entre os argumentos apresentados pela vereadora estava a alegação de que o presidente não poderia ter tomado a decisão sozinho e que a competência seria da Mesa Diretora. Ela também sustentou que não teve direito de defesa.
Os argumentos, porém, não foram aceitos pelo juiz.
Na decisão, o magistrado entendeu que a atuação do presidente da Câmara teve caráter declaratório. Em outras palavras, segundo a Justiça, Schuh não estaria aplicando uma nova punição à vereadora, mas apenas formalizando uma consequência jurídica que já havia ocorrido em razão de uma condenação criminal definitiva.
Mas por que o mandato foi extinto?
O ponto principal está na suspensão dos direitos políticos de Mariúva em razão de uma condenação criminal que já transitou em julgado, ou seja, não cabe mais recurso naquela decisão.
A Constituição Federal estabelece que a condenação criminal definitiva provoca a suspensão dos direitos políticos enquanto durarem seus efeitos.
O juiz também citou entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal de que essa suspensão ocorre de forma automática, não dependendo de uma nova votação ou de um processo dentro da Câmara.
Por esse entendimento, a Câmara apenas reconhece oficialmente a situação.
E por que Adonias pode assumir?
É justamente aí que entra o ex-vereador Adonias Fernandes.
O juiz citou o artigo 8º, parágrafo 1º, do Decreto-Lei nº 201/1967. A legislação determina que, quando estiver comprovada a causa de extinção do mandato, o presidente da Câmara deve comunicar o Plenário, registrar a decisão em ata e convocar imediatamente o suplente.
Por isso, com a liminar negada, o caminho fica aberto para que a Câmara avance na convocação do primeiro suplente.
Na prática, a decisão judicial mantém a extinção do mandato de Mariúva e permite que o processo de substituição siga adiante.
O que acontece agora?
A partir da decisão, a expectativa é que a Câmara Municipal dê sequência aos procedimentos necessários para a convocação de Adonias Fernandes.
A decisão desta quarta-feira não representa uma condenação nova contra Mariúva. O que está sendo discutido na Justiça é a validade do procedimento adotado pela Câmara para declarar a extinção do mandato diante da situação jurídica já existente.
O caso ainda pode ter novos desdobramentos judiciais, mas, neste momento, a liminar que poderia suspender a extinção do mandato foi negada e não há, nessa decisão, impedimento para a convocação do suplente.
A população agora acompanha os próximos passos dentro da Câmara, que poderá confirmar a convocação e, posteriormente, a posse de Adonias Fernandes para ocupar a cadeira deixada por Mariúva.
