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Prefeitura nega corte de insalubridade, mas histórico de impasses gera desconfiança entre agentes em Rondonópolis
Curiosidades
Nos últimos dias, mensagens espalhadas em grupos de WhatsApp reacenderam um tema sensível entre os profissionais da saúde pública em Rondonópolis: o pagamento do adicional de insalubridade para Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE).
Os boatos apontavam para um suposto corte ou retirada do benefício. A repercussão foi imediata. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (SISPMUR) chegou a convocar mobilização da categoria para discutir o assunto, diante da preocupação generalizada.
Prefeitura nega retirada do benefício
Procurada, a Prefeitura de Rondonópolis afirma que não houve suspensão nem retirada do adicional de insalubridade, e que o direito segue garantido conforme a legislação vigente.
A gestão municipal também reforçou que mudanças só podem ocorrer com base em critérios técnicos e legais, e orientou os servidores a evitarem compartilhar informações sem confirmação oficial.
Histórico recente ajuda a explicar o clima de insegurança
Apesar da negativa atual, o tema não é novo e já gerou conflitos recentes no município.
Em 2023, por exemplo, a própria Prefeitura reconheceu problemas no pagamento do adicional e foi obrigada, por decisão judicial, a regularizar a situação, incluindo:
• pagamento de parcelas retroativas a servidores
• implantação do adicional de 20% de insalubridade mensal 
Na época, houve atraso e dificuldades operacionais, o que levou a categoria a protestos e paralisações até a regularização dos valores. 
O que está por trás da nova onda de boatos
A atual circulação de informações não confirmadas acontece em um cenário já fragilizado.
Além do histórico local, discussões recentes em Mato Grosso sobre revisão de insalubridade — baseadas em laudos técnicos e critérios legais — têm gerado receio entre profissionais da saúde, especialmente sobre possíveis reduções de percentual conforme o grau de exposição. 
Esse contexto contribui para que qualquer informação sobre o tema ganhe força rapidamente, mesmo sem confirmação oficial.
Entre a lei e a prática
Especialistas apontam que o adicional de insalubridade:
• depende de laudos técnicos atualizados
• pode variar entre 10%, 20% e 40%, conforme o risco
• não é automático — precisa de enquadramento legal
Ou seja, embora o direito exista, a forma de pagamento pode variar ao longo do tempo, o que costuma gerar conflitos entre gestão e servidores.
O que é fato até agora
✔️ Não há confirmação oficial de corte geral da insalubridade em Rondonópolis
✔️ A Prefeitura afirma que o benefício está mantido
✔️ Existe histórico recente de problemas e atrasos no pagamento
✔️ A categoria já viveu situações de insegurança sobre o tema
Conclusão
Mais do que um simples boato, o episódio revela um problema maior: a falta de confiança consolidada entre servidores e gestão pública quando o assunto é insalubridade.
Sem transparência contínua e comunicação clara, qualquer ruído vira crise.
E, no meio disso tudo, ficam profissionais que atuam diariamente na linha de frente da saúde, tentando entender se o direito garantido no papel também está seguro na prática.
Cidades
Justiça nega liminar a Mariúva e caminho fica aberto para convocação de Adonias na Câmara de Rondonópolis
Decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública considerou legal o ato do presidente Paulo Schuh que declarou a extinção do mandato da vereadora
A Justiça de Mato Grosso decidiu, nesta quarta-feira (3), manter a extinção do mandato da vereadora Mariúva Valentin Chaves da Silva (MDB) e negou o pedido de liminar apresentado pela parlamentar para tentar suspender a decisão tomada pela Câmara Municipal de Rondonópolis.
Na prática, a decisão do juiz Jorge Hassib Ibrahim, da 2ª Vara Especializada da Fazenda Pública, retira o principal obstáculo judicial que impedia o avanço da convocação do suplente.
Com isso, o ex-vereador Adonias Fernandes (MDB), primeiro suplente da coligação, deve ser convocado para assumir a vaga. Adonias já foi vereador de Rondonópolis por cinco mandatos.
Justiça considerou legal o ato do presidente da Câmara
Mariúva entrou na Justiça questionando o procedimento adotado pelo presidente da Câmara, Paulo Schuh (PL), que declarou a extinção do mandato durante a 81ª Sessão Ordinária, realizada no dia 26 de agosto.
Entre os argumentos apresentados pela vereadora estava a alegação de que o presidente não poderia ter tomado a decisão sozinho e que a competência seria da Mesa Diretora. Ela também sustentou que não teve direito de defesa.
Os argumentos, porém, não foram aceitos pelo juiz.
Na decisão, o magistrado entendeu que a atuação do presidente da Câmara teve caráter declaratório. Em outras palavras, segundo a Justiça, Schuh não estaria aplicando uma nova punição à vereadora, mas apenas formalizando uma consequência jurídica que já havia ocorrido em razão de uma condenação criminal definitiva.
Mas por que o mandato foi extinto?
O ponto principal está na suspensão dos direitos políticos de Mariúva em razão de uma condenação criminal que já transitou em julgado, ou seja, não cabe mais recurso naquela decisão.
A Constituição Federal estabelece que a condenação criminal definitiva provoca a suspensão dos direitos políticos enquanto durarem seus efeitos.
O juiz também citou entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal de que essa suspensão ocorre de forma automática, não dependendo de uma nova votação ou de um processo dentro da Câmara.
Por esse entendimento, a Câmara apenas reconhece oficialmente a situação.
E por que Adonias pode assumir?
É justamente aí que entra o ex-vereador Adonias Fernandes.
O juiz citou o artigo 8º, parágrafo 1º, do Decreto-Lei nº 201/1967. A legislação determina que, quando estiver comprovada a causa de extinção do mandato, o presidente da Câmara deve comunicar o Plenário, registrar a decisão em ata e convocar imediatamente o suplente.
Por isso, com a liminar negada, o caminho fica aberto para que a Câmara avance na convocação do primeiro suplente.
Na prática, a decisão judicial mantém a extinção do mandato de Mariúva e permite que o processo de substituição siga adiante.
O que acontece agora?
A partir da decisão, a expectativa é que a Câmara Municipal dê sequência aos procedimentos necessários para a convocação de Adonias Fernandes.
A decisão desta quarta-feira não representa uma condenação nova contra Mariúva. O que está sendo discutido na Justiça é a validade do procedimento adotado pela Câmara para declarar a extinção do mandato diante da situação jurídica já existente.
O caso ainda pode ter novos desdobramentos judiciais, mas, neste momento, a liminar que poderia suspender a extinção do mandato foi negada e não há, nessa decisão, impedimento para a convocação do suplente.
A população agora acompanha os próximos passos dentro da Câmara, que poderá confirmar a convocação e, posteriormente, a posse de Adonias Fernandes para ocupar a cadeira deixada por Mariúva.
