Os motores da economia: campo forte, consumo resiliente e investimento em alta
PIB do Brasil cresce 1,4% e supera potências globais no 1º trimestre: virada consistente ou fôlego passageiro
Economia
O Brasil iniciou 2025 com um dado que surpreendeu analistas e investidores dentro e fora do país: o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 1,4% no primeiro trimestre, o melhor desempenho desde o terceiro trimestre de 2020, ainda sob os efeitos de recuperação pós-pandemia. O crescimento coloca o país como a quinta economia que mais cresceu entre 49 países, segundo levantamento da Austin Rating — atrás apenas de Índia, Filipinas, Polônia e Rússia.
O número chama ainda mais atenção quando se observa quem ficou para trás: Estados Unidos (+0,4%), China (+1,3%), Alemanha (-0,2%), França (+0,2%) e Reino Unido (-0,3%). Ou seja, o Brasil não apenas cresceu, como se destacou num contexto de desaceleração global, inflação persistente e juros altos nas principais economias do mundo.
Os motores da economia: campo forte, consumo resiliente e investimento em alta
O destaque do trimestre foi, sem dúvida, o desempenho da agropecuária, com crescimento de 12,2%. A safra recorde de grãos, sobretudo de soja e milho, aliada a preços internacionais competitivos, impulsionou as exportações e beneficiou regiões produtoras do Centro-Oeste e Sul. A produtividade no campo também avançou, com aumento da tecnologia embarcada e da irrigação de precisão.
Outro dado relevante foi o crescimento de 3,1% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) — os chamados investimentos fixos em máquinas, equipamentos, construção e infraestrutura. Esse número aponta para uma confiança renovada por parte de empresas e investidores em projetos de médio e longo prazo.
O consumo das famílias, por sua vez, cresceu 1,0%, impulsionado pela recuperação do mercado de trabalho, programas de transferência de renda e reajustes do salário mínimo acima da inflação. No entanto, o consumo ainda sofre o impacto do crédito caro: a taxa Selic segue em patamar elevado (10,25% ao ano), encarecendo empréstimos e financiamentos.
“Estamos diante de um crescimento real, com fundamentos. A agropecuária teve um papel excepcional, mas também há sinais de que a economia doméstica está se reorganizando”, afirma André Cavalcante, diretor de planejamento de uma multinacional de bens de consumo. “Empresas voltaram a contratar, consumidores estão mais confiantes, e setores como construção e logística estão aquecidos.”
Perspectiva corporativa: crescimento com cautela
No meio empresarial, o resultado do PIB gerou otimismo, mas também foi recebido com moderação. Embora alguns setores tenham acelerado investimentos, muitos executivos ainda demonstram preocupação com a volatilidade política e a fragilidade fiscal do país.
“É um fôlego importante, mas ainda insuficiente para falar em virada estrutural”, avalia Carla Souza, CFO de uma grande empresa do setor energético. “O Brasil precisa dar sinais mais claros de responsabilidade fiscal e previsibilidade regulatória para atrair capital estrangeiro e destravar grandes projetos.”
O crescimento também reacendeu debates dentro dos conselhos administrativos sobre reorganização de portfólios, novos ciclos de inovação e regionalização de operações, especialmente no setor industrial, que teve crescimento tímido, mas positivo.
Comparativo internacional: por que o Brasil cresceu mais?
Em meio a um mundo pressionado por conflitos geopolíticos, queda na demanda global e políticas monetárias restritivas, o Brasil conseguiu se destacar. Além do agronegócio, o país também se beneficiou de:
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Estabilidade cambial no trimestre, que reduziu pressões inflacionárias e ajudou a manter preços internos sob controle.
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Política fiscal menos expansionista, com foco no novo arcabouço fiscal e tentativa de controle de gastos.
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Inflação sob controle, com IPCA acumulado em 12 meses abaixo de 4%, permitindo ao Banco Central dar início a cortes graduais na Selic.
Segundo a economista-chefe da Clarion Partners, Maria Teresa Figueiredo, o Brasil está em um ponto de inflexão. “A resiliência da economia brasileira chama atenção. O setor externo está forte, o mercado de trabalho está reagindo, e o setor público — embora pressionado — ainda tem margem para manobras pontuais.”
O que esperar para os próximos meses?
Apesar do bom começo de ano, há nuvens no horizonte. O governo ainda precisa lidar com um rombo fiscal estimado em R$ 80 bilhões em 2025, além de enfrentar a tensão no Congresso em torno da aprovação de reformas e do novo regime de metas fiscais.
Além disso, o cenário externo segue instável, com possível recessão técnica na Europa, desaceleração chinesa e eleições nos EUA trazendo incertezas para os mercados.
“A manutenção desse crescimento depende diretamente da nossa capacidade de reduzir juros de forma sustentável e avançar em reformas como a tributária e a administrativa”, ressalta Luiza Medeiros, CEO de uma empresa de tecnologia com atuação na América Latina. “Caso contrário, o resultado do primeiro trimestre pode acabar sendo apenas um ‘respiro’ dentro de uma trajetória ainda cheia de obstáculos.”
As projeções para o segundo trimestre variam entre 0,5% e 0,9% de crescimento, segundo casas como Itaú, XP e Bradesco. O consenso do mercado, segundo o Boletim Focus, aponta para um PIB de 2,2% em 2025, mas a estimativa ainda pode ser revista para cima, caso o ritmo atual se mantenha.
Agronegócio
Circuito Fazenda Rosa reúne mais de 700 mulheres e movimenta negócios durante a Exposul em Rondonópolis
Programação reuniu capacitação, troca de experiências e atividades ligadas à produção e aos negócios do agronegócio
Rondonópolis foi palco de uma grande mobilização de mulheres ligadas ao agronegócio durante a Exposul. O Circuito Fazenda Rosa reuniu mais de 700 participantes em uma programação que colocou em destaque temas como conhecimento, liderança, empreendedorismo e participação feminina nas atividades do campo.
Ao longo de dois dias, a iniciativa promoveu diferentes atividades, aproximando produtoras rurais, pecuaristas, empresárias, profissionais e empreendedoras que atuam direta ou indiretamente no setor.
A programação começou com uma experiência dentro de uma propriedade rural, onde as participantes puderam conhecer de perto aspectos da produção pecuária. Foram apresentados temas relacionados ao manejo do rebanho, genética, melhoramento, gestão e eficiência da produção.
A proposta foi aproximar as participantes da realidade do campo, mostrando como conhecimento técnico, planejamento e gestão fazem parte das decisões tomadas diariamente dentro das propriedades.
CONEXÃO ENTRE MULHERES
O segundo momento do circuito reuniu mais de 700 mulheres em Rondonópolis.
Além das palestras e debates sobre o papel feminino no agronegócio, o encontro também serviu como espaço para troca de experiências e formação de novos contatos profissionais.
Mulheres de diferentes áreas do setor puderam compartilhar experiências, apresentar seus trabalhos e estabelecer conexões que podem resultar em parcerias e novas oportunidades.
A organização informa que a rede formada pelo projeto já ultrapassa 10 mil mulheres conectadas em diferentes regiões do país.
PARTICIPAÇÃO FEMININA TAMBÉM NOS NEGÓCIOS
A programação terminou com um leilão que movimentou mais de 3 mil cabeças de gado.
A atividade também contou com participação feminina em diferentes etapas das negociações, incluindo produtoras, compradoras, vendedoras e profissionais ligadas à pecuária.
O cenário reforça uma realidade cada vez mais presente no agronegócio: as mulheres ocupam espaços em toda a cadeia produtiva, desde a administração das propriedades e produção até a comercialização e tomada de decisões.
PROJETO QUER CHEGAR A OUTRAS CIDADES DE MATO GROSSO
A etapa realizada em Rondonópolis faz parte de um circuito que pretende passar por diferentes municípios de Mato Grosso.
A proposta é levar informação, capacitação e oportunidades de conexão para mulheres que vivem e trabalham em regiões onde o agronegócio movimenta a economia local.
A expectativa é que o circuito alcance mais de 30 mil mulheres ao longo das próximas etapas.
A iniciativa busca justamente ampliar o acesso a conhecimento e fortalecer a participação feminina em um dos setores mais importantes da economia de Mato Grosso.
NÚMEROS DA ETAPA EM RONDONÓPOLIS
Os números apresentados pela organização mostram a dimensão da programação:
• Mais de 1 mil mulheres impactadas em dois dias;
• Mais de 700 participantes no encontro principal;
• Mais de 3 mil cabeças de gado movimentadas no leilão;
• Mais de 10 mil mulheres conectadas à rede do projeto;
• Mais de 30 mil mulheres são esperadas nas próximas etapas.
Mais do que os números, a passagem por Rondonópolis mostrou uma mudança que já pode ser percebida no campo: a presença feminina está cada vez mais integrada à produção, à gestão e aos negócios do agronegócio.
Com novas etapas previstas em outras regiões de Mato Grosso, o circuito segue com a proposta de levar conhecimento e conexão para mulheres que fazem parte da rotina do campo e da economia dos municípios produtores.
