Pesquisa do professor Sérgio Santos, da UNEMAT de Alto Araguaia, com orientação do professor Dr. Marcos Borges (Unicamp), propõe o MIND — um método baseado em Design Inclusivo e IA, voltado a estudantes com TDAH e outros perfis neurodivergentes.
Professor da UNEMAT propõe método inovador que usa Inteligência Artificial para tornar o ensino de Computação mais acessível
Cidades
“Você sabia que muitos estudantes com TDAH têm dificuldade para acompanhar aulas de Computação porque os materiais didáticos não são acessíveis às suas necessidades?”

Professor Sérgio Santos da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) Alto Araguaia
A pergunta, feita pelo professor Sérgio Santos, da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), campus de Alto Araguaia, traduz o ponto de partida de uma pesquisa que está chamando atenção no meio acadêmico pela proposta inovadora e humana.
Sérgio, que também é pesquisador vinculado à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), desenvolvendo o MIND — Method for Inclusive Neurodivergent Design, com orientação do professor Dr. Marcos Borges.
O método combina Design Inclusivo e Inteligência Artificial para apoiar professores na criação de materiais didáticos acessíveis a estudantes neurodivergentes, especialmente aqueles com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Um novo olhar sobre o ensino de Computação
A pesquisa parte de um desafio real: muitos alunos neurodivergentes enfrentam dificuldades para acompanhar disciplinas de Computação, uma área conhecida pela alta carga de informações técnicas, visuais e cognitivas.
Mesmo com avanços em acessibilidade digital, ainda são raros os métodos práticos que ajudem docentes a adaptar conteúdos de forma inclusiva e eficaz.
O MIND surge justamente para preencher essa lacuna.
Baseado nas diretrizes de Design Inclusivo (Liebel, 2024) e nas recomendações de Acessibilidade Digital, o método busca traduzir princípios de inclusão em instruções formais que possam ser compreendidas por Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) — como GPT, Gemini e DeepSeek.
Esses modelos, guiados por comandos cuidadosamente estruturados (prompts), são capazes de criar e adaptar materiais didáticos personalizados, ajustados a diferentes estilos de aprendizagem e níveis de atenção.
Como o MIND funcionará
O desenvolvimento do método segue três etapas principais:
- Revisão e mapeamento das diretrizes de acessibilidade aplicáveis ao ensino de Computação;
- Criação de um framework computacional, com apoio de IA generativa, para desenvolver conteúdos acessíveis, visuais, interativos e multimodais;
- Aplicação e avaliação prática em turmas do ensino superior, envolvendo entrevistas, questionários e análise do desempenho acadêmico.
Com isso, a proposta visa apoiar docentes na produção de materiais inclusivos e, ao mesmo tempo, melhorar a permanência e o rendimento de estudantes neurodivergentes em cursos de exatas.
Da sala de aula à inovação científica
Professor da UNEMAT de Alto Araguaia, Sérgio Santos tem trabalhado para transformar desafios pedagógicos em soluções tecnológicas.
“Com o MIND, queremos garantir que nenhum estudante fique para trás”, resume o pesquisador.
O trabalho é desenvolvido sob orientação do professor Dr. Marcos Borges, da Faculdade de Tecnologia da Unicamp, trazendo expertise acadêmica e científica que fortalece o método e a aplicabilidade do projeto.
Impacto e relevância
O trabalho reforça a importância de pensar a acessibilidade para além das rampas e dos softwares — levando-a também para o campo cognitivo e pedagógico.
Mais do que uma proposta tecnológica, o MIND é um convite à reflexão sobre como ensinar de forma empática, respeitando a pluralidade de mentes e modos de aprender.
Ao unir design, neurodiversidade e inteligência artificial, o projeto coloca Mato Grosso e a UNEMAT no centro de um debate contemporâneo sobre educação inclusiva e inovação acadêmica.
“Educar é entender que cada mente aprende de um jeito”
Para o professor Sérgio Santos, o futuro do ensino passa pela personalização inteligente:
“Educar é entender que cada mente aprende de um jeito. A tecnologia, quando guiada por princípios humanos, pode nos ajudar a chegar a todos.”
Sugestão de imagem para capa:
Uma foto do professor Sérgio Santos em sala de aula ou em ambiente de laboratório, com elementos de Computação ao fundo (como notebook, código ou projetor), acompanhada da legenda:
Professor Sérgio Santos, da UNEMAT de Alto Araguaia, desenvolve método inovador para tornar o ensino de Computação mais acessível. Orientação: Professor Dr. Marcos Borges, da Unicamp.
https://www.instagram.com/p/DPmDuyygKej/
Cidades
Justiça nega liminar a Mariúva e caminho fica aberto para convocação de Adonias na Câmara de Rondonópolis
Decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública considerou legal o ato do presidente Paulo Schuh que declarou a extinção do mandato da vereadora
A Justiça de Mato Grosso decidiu, nesta quarta-feira (3), manter a extinção do mandato da vereadora Mariúva Valentin Chaves da Silva (MDB) e negou o pedido de liminar apresentado pela parlamentar para tentar suspender a decisão tomada pela Câmara Municipal de Rondonópolis.
Na prática, a decisão do juiz Jorge Hassib Ibrahim, da 2ª Vara Especializada da Fazenda Pública, retira o principal obstáculo judicial que impedia o avanço da convocação do suplente.
Com isso, o ex-vereador Adonias Fernandes (MDB), primeiro suplente da coligação, deve ser convocado para assumir a vaga. Adonias já foi vereador de Rondonópolis por cinco mandatos.
Justiça considerou legal o ato do presidente da Câmara
Mariúva entrou na Justiça questionando o procedimento adotado pelo presidente da Câmara, Paulo Schuh (PL), que declarou a extinção do mandato durante a 81ª Sessão Ordinária, realizada no dia 26 de agosto.
Entre os argumentos apresentados pela vereadora estava a alegação de que o presidente não poderia ter tomado a decisão sozinho e que a competência seria da Mesa Diretora. Ela também sustentou que não teve direito de defesa.
Os argumentos, porém, não foram aceitos pelo juiz.
Na decisão, o magistrado entendeu que a atuação do presidente da Câmara teve caráter declaratório. Em outras palavras, segundo a Justiça, Schuh não estaria aplicando uma nova punição à vereadora, mas apenas formalizando uma consequência jurídica que já havia ocorrido em razão de uma condenação criminal definitiva.
Mas por que o mandato foi extinto?
O ponto principal está na suspensão dos direitos políticos de Mariúva em razão de uma condenação criminal que já transitou em julgado, ou seja, não cabe mais recurso naquela decisão.
A Constituição Federal estabelece que a condenação criminal definitiva provoca a suspensão dos direitos políticos enquanto durarem seus efeitos.
O juiz também citou entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal de que essa suspensão ocorre de forma automática, não dependendo de uma nova votação ou de um processo dentro da Câmara.
Por esse entendimento, a Câmara apenas reconhece oficialmente a situação.
E por que Adonias pode assumir?
É justamente aí que entra o ex-vereador Adonias Fernandes.
O juiz citou o artigo 8º, parágrafo 1º, do Decreto-Lei nº 201/1967. A legislação determina que, quando estiver comprovada a causa de extinção do mandato, o presidente da Câmara deve comunicar o Plenário, registrar a decisão em ata e convocar imediatamente o suplente.
Por isso, com a liminar negada, o caminho fica aberto para que a Câmara avance na convocação do primeiro suplente.
Na prática, a decisão judicial mantém a extinção do mandato de Mariúva e permite que o processo de substituição siga adiante.
O que acontece agora?
A partir da decisão, a expectativa é que a Câmara Municipal dê sequência aos procedimentos necessários para a convocação de Adonias Fernandes.
A decisão desta quarta-feira não representa uma condenação nova contra Mariúva. O que está sendo discutido na Justiça é a validade do procedimento adotado pela Câmara para declarar a extinção do mandato diante da situação jurídica já existente.
O caso ainda pode ter novos desdobramentos judiciais, mas, neste momento, a liminar que poderia suspender a extinção do mandato foi negada e não há, nessa decisão, impedimento para a convocação do suplente.
A população agora acompanha os próximos passos dentro da Câmara, que poderá confirmar a convocação e, posteriormente, a posse de Adonias Fernandes para ocupar a cadeira deixada por Mariúva.



