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FONAC: 83ª edição debate os desafios da gestão patrimonial na administração pública e almoxarifado virtual pode servir como solução
Cuiabá
Reunidos em Cuiabá, onde participam da 83ª edição do FONAC – Fórum Nacional de Secretários Municipais de Administração, gestores da área têm a oportunidade de conhecer experiências que têm feito a diferença na gestão pública. O evento aborda temas atuais e inovadores com o objetivo de melhorar os serviços oferecidos ao cidadão. Entre os destaques está a possibilidade de implementação do almoxarifado virtual, uma solução capaz de reduzir os desafios relacionados ao controle de materiais adquiridos. O tema foi abordado por Luciano Ribeiro, professor da ESAFI, durante a palestra “Os desafios da gestão patrimonial na administração pública”, realizada na manhã desta sexta-feira (13), no Hotel Deville, onde acontece a programação do FONAC.
Segundo Luciano, o controle dos bens adquiridos é, sem dúvida, um grande desafio, e a contabilidade é uma importante aliada nesse processo. “É fundamental atuar com base na contabilidade, no registro físico e no registro contábil. O grande problema do descontrole está relacionado aos bens materiais, tanto no dia a dia quanto nas transições de gestão. Controlar esses materiais é essencial”, destacou.
A gestão patrimonial refere-se ao controle tangível do que está registrado na contabilidade, ou seja, à administração eficiente dos gastos. A contabilidade realiza um registro detalhado de tudo o que é necessário para alimentar a administração pública no que diz respeito aos bens patrimoniais, permitindo ao gestor realizar um controle mais eficaz. O principal desafio está no recebimento, na movimentação e no desfazimento desses materiais. Ao trabalhar eficientemente esses três aspectos, a gestão patrimonial se torna mais eficaz.
O almoxarifado virtual surge como uma alternativa moderna para enfrentar esses desafios. Esse sistema possibilita que todo o processo de aquisição, controle e entrega de materiais seja realizado de forma digital. Além disso, as solicitações precisam ser aprovadas por gestores, que podem ajustar quantidades ou solicitar justificativas antes de validar as compras.
Entre os benefícios citados estão:
- Redução de custos com armazenamento físico, uma vez que os itens são entregues diretamente aos solicitantes;
- Maior controle nas aquisições, com a possibilidade de contratos licitatórios de longo prazo, reduzindo a necessidade de processos de compra frequentes;
- Agilidade e transparência, com a contabilização automática das entregas no final de cada mês.
No sistema, a entrega é feita diretamente ao solicitante, que realiza a conferência e finaliza a aquisição para a contabilização e pagamento no fechamento do mês.
Na capital paulista, por exemplo, a secretária de Gestão da cidade, Marcela Arruda, relatou que existe uma loja virtual que gerencia materiais de uso comum entre secretarias, cumprindo função semelhante ao almoxarifado virtual.
A secretária municipal de Gestão de Cuiabá, Ellaine Mendes, esclareceu dúvidas sobre o processo de contratação para o almoxarifado virtual, que pode ser realizado por meio de licitação ou pregão e é destinado ao fornecimento de materiais de uso comum entre todas as secretarias.
Para o secretário Naldo Alves, esses e outros temas abordados no FONAC são de grande importância. “Os temas tratados aqui são extremamente relevantes. Ontem (12), no primeiro dia do evento, já tivemos debates de altíssimo nível, e hoje não será diferente. O principal diferencial do FONAC é a troca de experiências e informações atualizadas entre os secretários. Aqui podemos tirar dúvidas, dar opiniões, apresentar os projetos que estamos desenvolvendo e debater os principais temas da atualidade. Participar deste fórum é um privilégio e uma oportunidade de levar inovação para a gestão municipal”, pontuou Naldo Alves, secretário de Administração de João Pessoa (PB).
As propostas apresentadas no evento são acessíveis a todos os secretários, permitindo que sejam implementadas nas capitais e contribuam para o aprimoramento da gestão pública e dos serviços oferecidos aos cidadãos.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
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Polêmica em Mato Grosso: deputado estadual acusa jornalista de gravação irregular após divulgação de áudio
A cena política em Mato Grosso viveu um momento de tensão nesta quinta-feira (15), quando o deputado estadual Paulo Araújo (PP) rebateu com veemência a divulgação de um áudio no qual faz duras críticas ao governador Mauro Mendes (União Brasil).
O conteúdo foi revelado com exclusividade pelo jornalista Lázaro Thor, do portal PNB Online, e rapidamente se espalhou nas redes sociais e grupos de mensagens.
O áudio e o teor da gravação
O material divulgado pelo PNB Online mostra o parlamentar em conversa com colegas nos corredores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), discutindo, em tom forte, a relação entre o governo estadual e os servidores públicos.
O deputado teria dito que o governador “não se preocupa com o servidor,” em referência à maneira como Mauro Mendes tem lidado com questões de reajustes e políticas públicas voltadas ao funcionalismo.
Embora o teor da fala tenha repercutido, Paulo Araújo questiona a forma como o conteúdo foi obtido e publicado.
Em entrevista concedida ainda nesta quinta, o parlamentar classificou a gravação como “clandestina, criminosa e irregular” e afirmou que não houve autorização sua para a captação do áudio.
Reação política e jurídica
Em suas declarações, Araújo não negou o conteúdo das críticas ao governador, mas argumentou que o trecho divulgado representa apenas uma pequena parte de uma conversa mais extensa — que, segundo ele, durou cerca de 30 minutos e teria sido tirada de contexto.
O deputado anunciou que pretende registrar um boletim de ocorrência contra o jornalista responsável pela divulgação, afirmando que a gravação teria sido feita “de forma indevida” em um ambiente privado dentro da ALMT.
Ele também conclamou o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) a se posicionar contra a prática.
Posicionamento da redação do PNB Online
Em resposta às críticas do parlamentar, a equipe do PNB Online ressaltou que a gravação foi feita em um espaço público da Assembleia, onde repórteres e profissionais de imprensa têm livre circulação.
Segundo a redação do portal, o fato de uma declaração ser pública e de interesse coletivo justifica a cobertura e a publicação, que têm caráter jornalístico e informativo para a sociedade.
Contexto mais amplo
O caso reacende um debate antigo sobre os limites da atuação da imprensa na cobertura de figuras públicas e o equilíbrio entre transparência e proteção de privacidade. Especialistas lembram que, em ambientes públicos, declarações de agentes públicos podem e devem ser registradas e divulgadas quando têm relevância direta para o interesse da população — sobretudo em contextos eleitorais ou de políticas públicas. (Comentário contextual — não diretamente citado em fontes.)
Liberdade de imprensa: a divulgação de falas de agentes públicos é fundamental ao exercício da cidadania, desde que realizada dentro dos limites legais e éticos.
Legislação sobre gravações: no Brasil, a gravação em ambiente público é, em regra, permitida; em ambiente privado, exige autorização das partes.
Responsabilidade política: a repercussão de declarações de parlamentares pode impactar alianças e debates no Parlamento e na sociedade.