Cuiabá
Mesa Técnica debate soluções para dívidas da saúde municipal e o papel de Cuiabá como responsável pelo atendimento de todo o estado
Cuiabá
O secretário de Saúde de Cuiabá, Deiver Teixeira, participou na manhã de hoje (17), de mesa técnica do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) que debate a saúde pública em Cuiabá. Durante a reunião, o Município foi apontado como “mãe da saúde do Estado”, pois é responsável pelo atendimento de alta complexidade de grande parte da população de todo o estado, sem receber a contrapartida dos municípios.
O promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto ressaltou o propósito da mesa de buscar soluções não apenas de curto prazo, mas também de longo prazo, visando manter a saúde financeira, especialmente a de Cuiabá, que desempenha um papel fundamental na saúde pública do estado. “O objetivo da mesa é buscar soluções não só de curto, mas de longo prazo, para manter a saúde financeira, principalmente de Cuiabá, que é a grande mãe da saúde pública do estado.” Ele revelou que a capital recebe menos recursos do teto MAC do que deveria. “Há uma diferença estimada de milhões por ano que Cuiabá deixa de receber. A Empresa Cuiabana tem um contrato de direito público com a Secretaria Municipal de Saúde. E a Secretaria Municipal de Saúde tem que repassar 17,4 milhões de reais por mês. Só o HMC custa 24 milhões, ou seja, o que é previsto contratualizado pra Secretaria Municipal de Saúde não paga nem as contas do mês do HMC”.
Para o conselheiro José Carlos Novelli, relator da mesa técnica e das contas anuais de Cuiabá, o trabalho consensual é o melhor método para tomar decisões e evitar a interrupção nos serviços de saúde, que não afetam apenas Cuiabá, mas todo o estado. Segundo ele, através de um diálogo contínuo, será encontrada uma solução para garantir que a sociedade continue tendo acesso aos serviços necessários.
O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, apontou a dificuldade da Prefeitura de Cuiabá em cumprir as exigências do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado com o TCE-MT, o Judiciário e o Ministério Público Estadual (MPMT). Ele ressaltou a necessidade de colaboração do Governo do Estado para resolver essas questões, visando garantir o acesso da população aos serviços de saúde. O presidente da mesa técnica, conselheiro Valter Albano, explicou que o primeiro passo é apresentar um diagnóstico das dívidas pela equipe técnica da prefeitura, para então definir um plano de pagamento, seja pela destinação dos recursos previstos para a saúde pela prefeitura ou por meio de apoio do Governo Estadual. Essas medidas serão válidas até o final do mandato municipal, em 31 de dezembro.
O titular da pasta da saúde falou sobre as motivações da Mesa Técnica e sobre o que espera ao final dos trabalhos. “Esta reunião foi convocada devido às questões financeiras que enfrentamos. Aguardamos, como Secretaria Municipal de Saúde, e em conjunto com outras entidades, a definição de resoluções que nos auxiliem a resolver essas dívidas históricas, que têm se acumulado nos últimos tempos. As pessoas merecem ser pagas pelos serviços prestados, e isso deve ser feito de forma justa e legalmente correta. Quero salientar que sempre procuramos dialogar com todas as partes envolvidas. Já nos reunimos várias vezes, demonstrando nossa intenção de agir corretamente, com segurança jurídica e administrativa. Estamos aqui hoje porque acreditamos na importância do diálogo e da busca por soluções conjuntas, mesmo diante das dificuldades”, ressaltou.
Acompanharam o secretário de saúde na reunião o adjunto de Gestão, João Gustavo Volpato, adjunto de Gestão Hospitalar, Paulo Rós, diretor geral da Empresa Cuiabana, Giovani Koch, pelo secretário municipal de Planejamento, Eder Galiciano, adjunto de Tesouro, Cesar Fabiano e o procurador geral do município, Benedicto Cálix.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
Cuiabá
Polêmica em Mato Grosso: deputado estadual acusa jornalista de gravação irregular após divulgação de áudio
A cena política em Mato Grosso viveu um momento de tensão nesta quinta-feira (15), quando o deputado estadual Paulo Araújo (PP) rebateu com veemência a divulgação de um áudio no qual faz duras críticas ao governador Mauro Mendes (União Brasil).
O conteúdo foi revelado com exclusividade pelo jornalista Lázaro Thor, do portal PNB Online, e rapidamente se espalhou nas redes sociais e grupos de mensagens.
O áudio e o teor da gravação
O material divulgado pelo PNB Online mostra o parlamentar em conversa com colegas nos corredores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), discutindo, em tom forte, a relação entre o governo estadual e os servidores públicos.
O deputado teria dito que o governador “não se preocupa com o servidor,” em referência à maneira como Mauro Mendes tem lidado com questões de reajustes e políticas públicas voltadas ao funcionalismo.
Embora o teor da fala tenha repercutido, Paulo Araújo questiona a forma como o conteúdo foi obtido e publicado.
Em entrevista concedida ainda nesta quinta, o parlamentar classificou a gravação como “clandestina, criminosa e irregular” e afirmou que não houve autorização sua para a captação do áudio.
Reação política e jurídica
Em suas declarações, Araújo não negou o conteúdo das críticas ao governador, mas argumentou que o trecho divulgado representa apenas uma pequena parte de uma conversa mais extensa — que, segundo ele, durou cerca de 30 minutos e teria sido tirada de contexto.
O deputado anunciou que pretende registrar um boletim de ocorrência contra o jornalista responsável pela divulgação, afirmando que a gravação teria sido feita “de forma indevida” em um ambiente privado dentro da ALMT.
Ele também conclamou o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) a se posicionar contra a prática.
Posicionamento da redação do PNB Online
Em resposta às críticas do parlamentar, a equipe do PNB Online ressaltou que a gravação foi feita em um espaço público da Assembleia, onde repórteres e profissionais de imprensa têm livre circulação.
Segundo a redação do portal, o fato de uma declaração ser pública e de interesse coletivo justifica a cobertura e a publicação, que têm caráter jornalístico e informativo para a sociedade.
Contexto mais amplo
O caso reacende um debate antigo sobre os limites da atuação da imprensa na cobertura de figuras públicas e o equilíbrio entre transparência e proteção de privacidade. Especialistas lembram que, em ambientes públicos, declarações de agentes públicos podem e devem ser registradas e divulgadas quando têm relevância direta para o interesse da população — sobretudo em contextos eleitorais ou de políticas públicas. (Comentário contextual — não diretamente citado em fontes.)
Liberdade de imprensa: a divulgação de falas de agentes públicos é fundamental ao exercício da cidadania, desde que realizada dentro dos limites legais e éticos.
Legislação sobre gravações: no Brasil, a gravação em ambiente público é, em regra, permitida; em ambiente privado, exige autorização das partes.
Responsabilidade política: a repercussão de declarações de parlamentares pode impactar alianças e debates no Parlamento e na sociedade.