Cuiabá
Organizadores destacam momento histórico da 1ª Marcha da Visibilidade Trans, que promoveu reflexão sobre dignidade e respeito para todas as pessoas
Cuiabá
A 1ª Marcha da Visibilidade Trans da história de Mato Grosso foi realizada na última sexta-feira (27), com apoio da Prefeitura de Cuiabá, via Secretaria Municipal da Mulher, em conjunto com o Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (Ibrat-MT), Conexão Nacional de Mulheres Transexuais e Travestis (Conatt) e o Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) da Defensoria Pública de Mato Grosso.
O percurso da caminhada foi de aproximadamente 1,3 quilômetro e teve início na Praça Alencastro, localizada em frente à Prefeitura de Cuiabá. O trajeto seguiu a rota: Praça Alencastro (ponto de concentração) – Rua Treze de Junho – Praça Ipiranga – Praça Bispo – Av. Getúlio Vargas – Praça Alencastro.
“Nós movimentamos a praça com muitas representações, tanto da comunidade trans quanto da LGBTQI+, além disso, contamos com organizações importantes como a Defensoria Pública, Ministério Público e outras não governamentais que estiveram presentes para apoiar a diversidade”, elencou Elis Prates, secretária Adjunta da Mulher.
O movimento buscou maior proximidade com as instituições públicas no intuito de promover maior visibilidade para as pessoas trans e cobrar engajamento na construção de políticas públicas referentes à saúde, combate à violência e preconceito estrutural.
Apenas 4% da população trans feminina no Brasil possui um emprego formal. Além disso, a expectativa de vida de uma pessoa trans no país é de 35 anos, segundo o relatório da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).
“A marcha de hoje é uma construção coletiva, um marco histórico para Mato Grosso porque estamos indo às ruas para reivindicar direitos básicos que hoje a população trans e travesti não consegue acessar”, disse Julian Takanã, coordenador estadual da Ibrat-MT.
A Defensoria Pública de Mato Grosso foi uma das principais parceiras do movimento, oferecendo o serviço de mudança de nome e gênero que pode ser solicitado sem necessidade de ação judicial.
“Prestamos todo o atendimento jurídico para os serviços de mudança de nome e gênero dentro desse evento histórico, de visibilidade que esse segmento precisa, principalmente o movimento trans que necessita de ampla visibilidade”, destacou Rosana Leite, defensora pública.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
Cuiabá
Polêmica em Mato Grosso: deputado estadual acusa jornalista de gravação irregular após divulgação de áudio
A cena política em Mato Grosso viveu um momento de tensão nesta quinta-feira (15), quando o deputado estadual Paulo Araújo (PP) rebateu com veemência a divulgação de um áudio no qual faz duras críticas ao governador Mauro Mendes (União Brasil).
O conteúdo foi revelado com exclusividade pelo jornalista Lázaro Thor, do portal PNB Online, e rapidamente se espalhou nas redes sociais e grupos de mensagens.
O áudio e o teor da gravação
O material divulgado pelo PNB Online mostra o parlamentar em conversa com colegas nos corredores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), discutindo, em tom forte, a relação entre o governo estadual e os servidores públicos.
O deputado teria dito que o governador “não se preocupa com o servidor,” em referência à maneira como Mauro Mendes tem lidado com questões de reajustes e políticas públicas voltadas ao funcionalismo.
Embora o teor da fala tenha repercutido, Paulo Araújo questiona a forma como o conteúdo foi obtido e publicado.
Em entrevista concedida ainda nesta quinta, o parlamentar classificou a gravação como “clandestina, criminosa e irregular” e afirmou que não houve autorização sua para a captação do áudio.
Reação política e jurídica
Em suas declarações, Araújo não negou o conteúdo das críticas ao governador, mas argumentou que o trecho divulgado representa apenas uma pequena parte de uma conversa mais extensa — que, segundo ele, durou cerca de 30 minutos e teria sido tirada de contexto.
O deputado anunciou que pretende registrar um boletim de ocorrência contra o jornalista responsável pela divulgação, afirmando que a gravação teria sido feita “de forma indevida” em um ambiente privado dentro da ALMT.
Ele também conclamou o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) a se posicionar contra a prática.
Posicionamento da redação do PNB Online
Em resposta às críticas do parlamentar, a equipe do PNB Online ressaltou que a gravação foi feita em um espaço público da Assembleia, onde repórteres e profissionais de imprensa têm livre circulação.
Segundo a redação do portal, o fato de uma declaração ser pública e de interesse coletivo justifica a cobertura e a publicação, que têm caráter jornalístico e informativo para a sociedade.
Contexto mais amplo
O caso reacende um debate antigo sobre os limites da atuação da imprensa na cobertura de figuras públicas e o equilíbrio entre transparência e proteção de privacidade. Especialistas lembram que, em ambientes públicos, declarações de agentes públicos podem e devem ser registradas e divulgadas quando têm relevância direta para o interesse da população — sobretudo em contextos eleitorais ou de políticas públicas. (Comentário contextual — não diretamente citado em fontes.)
Liberdade de imprensa: a divulgação de falas de agentes públicos é fundamental ao exercício da cidadania, desde que realizada dentro dos limites legais e éticos.
Legislação sobre gravações: no Brasil, a gravação em ambiente público é, em regra, permitida; em ambiente privado, exige autorização das partes.
Responsabilidade política: a repercussão de declarações de parlamentares pode impactar alianças e debates no Parlamento e na sociedade.