A Cop do Diesel
Na COP30, o futuro é verde. O diesel também.
Cidades
Belém está de portas abertas para o mundo na COP30, a conferência que promete salvar o planeta, redefinir o futuro energético e, claro, inspirar discursos emocionados sobre sustentabilidade. Tudo isso embalado por nada menos que 160 geradores a diesel — sim, diesel mesmo, aquele cheirinho clássico de progresso dos anos 80 que muitos acreditavam ter ficado no passado.
É quase poético: líderes globais debatendo sobre a urgência da transição energética, enquanto o ronco afinado dos geradores ecoa nos bastidores. Se alguém fechar os olhos, vai até se sentir num rally ecológico: poeira, fumaça e muita adrenalina climática.
Mas calma, é tudo por uma boa causa. Segundo os organizadores, trata-se de uma “solução temporária”. Afinal, nada mais temporário que um investimento generoso em combustíveis fósseis durante o maior evento ambiental do planeta — tradição é tradição, né?
Moradores locais, já acostumados com apagões e promessas, olham para essa frota de geradores com aquele sorriso confuso de quem não sabe se ri, se protesta ou se pergunta quando é que a energia limpa chega de verdade. Enquanto isso, os visitantes internacionais recebem uma aula prática sobre o funcionamento da economia brasileira: improviso, criatividade e muito diesel para não deixar a peteca — nem o planeta — cair.
No fim das contas, a COP30 já começou deixando uma mensagem poderosa: o futuro é sustentável, mas o presente ainda precisa de um empurrãozinho… ou 160. Porque, no Brasil, até a transição energética tem jeitinho.
Cidades
Prefeitura inicia revisão do Plano Diretor e abre espaço para participação da sociedade em Rondonópolis
Rondonópolis dá o primeiro passo para planejar o futuro da cidade. Depois de quase duas décadas sem uma revisão do principal instrumento de planejamento urbano, a Prefeitura iniciou oficialmente os trabalhos para atualização do Plano Diretor Municipal, documento que vai nortear o crescimento da cidade pelos próximos anos.
A primeira reunião aconteceu nesta segunda-feira (20), no Paço Municipal, reunindo representantes do poder público, da Câmara Municipal, entidades empresariais, setor da construção civil, mercado imobiliário e integrantes da sociedade organizada. O encontro marcou a apresentação da empresa de consultoria que será responsável pela condução dos estudos e pela elaboração da proposta do novo Plano Diretor.
A expectativa da administração municipal é construir um documento moderno, atualizado e que reflita as necessidades atuais de Rondonópolis, levando em consideração o crescimento populacional, o desenvolvimento econômico, a mobilidade urbana, a habitação, o meio ambiente e a expansão ordenada da cidade.
Durante a reunião, a secretária municipal de Habitação e Urbanismo, Yasmin Waki, destacou que o Plano Diretor em vigor é de 2006 e que sua revisão já deveria ter ocorrido há vários anos, conforme determina a legislação.
Segundo ela, a atual gestão definiu o assunto como prioridade justamente pela importância que o documento possui para o desenvolvimento do município.
A empresa Houer Consultoria, responsável pela elaboração técnica do novo Plano Diretor, explicou que os trabalhos começam com um diagnóstico detalhado da realidade do município. Essa fase inclui levantamento de informações técnicas e, principalmente, a participação popular, considerada essencial para que o planejamento represente os interesses da população.
O consultor Evandro Gottardo explicou que a intenção é construir uma proposta sólida, capaz de orientar o crescimento urbano da cidade pelos próximos dez anos, reduzindo conflitos futuros e oferecendo mais segurança para investimentos públicos e privados.
Além do poder público, entidades representativas também participaram da reunião. A presidente da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Rondonópolis (ACIR), Denise Freitas, avaliou positivamente a abertura para que diferentes setores possam contribuir desde o início da construção do novo Plano Diretor.
Na avaliação dela, ouvir empresários, trabalhadores, profissionais técnicos e a população em geral fortalece o processo e aumenta as chances de que a futura legislação reflita as reais necessidades da cidade.
Ao longo dos próximos meses, a Prefeitura deverá promover audiências públicas e outras etapas participativas para ouvir sugestões da comunidade antes que a proposta seja encaminhada para análise e votação na Câmara Municipal.
Mais do que uma obrigação legal, a revisão do Plano Diretor representa uma oportunidade para definir como Rondonópolis pretende crescer nas próximas décadas, estabelecendo regras para ocupação do solo, expansão urbana, mobilidade, preservação ambiental e desenvolvimento econômico.
A expectativa do Executivo é concluir uma minuta técnica consistente, construída de forma participativa, para que o projeto seja encaminhado ao Legislativo com amplo respaldo da sociedade.