Política Nacional
Adiada votação de flexibilização dos gastos com terceirização no setor público
Política Nacional
Após dúvidas e manifestações contrárias dos senadores em Plenário, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, anunciou a retirada de pauta do projeto que retira gastos com terceirização dos limites de despesas com pessoal previstos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), de 2000. A matéria estava na pauta da sessão desta quinta-feira (12) e chegou a receber relatório favorável do senador Efraim Filho (União-PB).
De acordo com o PLP 141/2024, despesas com pessoal caracterizadas como repasses para entidades sem fins lucrativos ou pagamentos de serviços prestados por empresas, organizações sociais, cooperativas ou consórcios públicos não estarão submetidas aos limites estabelecidos pela LRF. Esse limites são de 60% da receita corrente líquida, nos casos de estados e municípios, ou de 50%, no caso da União.
Na prática, isso quer dizer que contratos de terceirização de mão-de-obra que não representarem aluguel de mão-de-obra, mas prestação de serviços especializados, não serão considerados para esses limites.
Efraim explicou que a matéria foi fruto das demandas apresentadas por prefeitos e governadores na Marcha dos Prefeitos, evento que ocorre anualmente em Brasília. Ele informou que buscou incluir no texto “o máximo de salvaguardas” para garantir critérios e a fiscalização dos órgãos de controle e de auditorias dos tribunais.
No entanto, mesmo com dispositivos que orientam as auditorias e a atuação dos tribunais, a matéria despertou preocupação de grande parte dos senadores. Eles argumentaram que o mecanismo é uma forma de “burlar” a LRF, o que poderia ocasionar desequilíbrio fiscal.
— A minha preocupação com este projeto é uma abertura, é extrapolar custos estabelecidos pela lei e criar um festival de contratações — disse Eduardo Girão (Novo-CE).
O senador Omar Aziz (PSD-AM) salientou que os prefeitos frequantemente recorrem ao Congresso Nacional “reclamando” de falta de recursos e da impossibilidade de pagar as contas. Com esse projeto, segundo ele, os gestores municipais teriam uma espécie de sinal livre para gastar “a toque de caixa”.
— [Estaríamos] dando poderes imensuráveis aos gestores, que vão contratar centenas de pessoas como cabos eleitorais, criando programas fictícios e pagando salário, sem dar reajustes para um servidor que é concursado — criticou.
Também manifestaram contrariedade com o projeto os senadores Magno Malta (PL-ES), Carlos Portinho (PL-RJ), Esperidião Amin (PP-SC), Beto Faro (PT-PA), Jaques Wagner (PT-BA) e Fabiano Contarato (PT-ES).
Por outro lado, os senadores Otto Alencar (PSD-BA), Laércio Oliveira (PP-SE) e Daniella Ribeiro (PSD-PB) alegaram que esse tipo de contratação já está ocorrendo em muitos municípios e Tribunais de Justiça, e que o projeto viria para regulamentar a ação. Segundo eles, os gestores buscam esse tipo de contratação, muitas vezes, para a área da saúde, pelo caráter de urgência e por ser, segundo eles, um processo menos burocrático.
— Este método já está sendo praticado em vários estados, com a aceitação dos Tribunais de Contas dos estados e dos municípios. Portanto, é uma matéria que vem a regulamentar o que já está sendo feito hoje — argumentou Otto.
O presidente Rodrigo Pacheco sugeriu que o relator aprofunde o debate com os líderes partidários para avaliar a inclusão do projeto na pauta do Plenário em outra oportunidade. Isso pode ocorrer ainda este ano, caso haja um acordo para votação.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Nacional
Lei da Profissão Multimídia provoca reação de sindicatos e divide o setor de comunicação
Nova legislação sancionada pelo presidente Lula reacende debate sobre acúmulo de funções, precarização do trabalho e futuro do jornalismo e do rádio
A sanção da Lei nº 15.325/2026, publicada nesta quarta-feira (7) no Diário Oficial da União, colocou novamente no centro do debate nacional o futuro das profissões da comunicação. A nova norma reconhece oficialmente a profissão de multimídia, permitindo que um único profissional atue na produção, edição e distribuição de conteúdos audiovisuais e digitais.
A medida, no entanto, gerou forte reação de jornalistas e radialistas, que veem na lei um risco direto à regulamentação das categorias. Já as emissoras de rádio e TV defendem a mudança como um avanço necessário diante da convergência tecnológica.
Sindicatos falam em prejuízo aos trabalhadores
Em nota conjunta, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os 31 sindicatos filiados e o Movimento Nacional dos Radialistas (MNR) afirmaram que a nova legislação representa um ataque direto às profissões regulamentadas, além de abrir espaço para insegurança jurídica e precarização das relações de trabalho.
Segundo as entidades, as atribuições previstas para o profissional multimídia já são garantidas, por lei, aos jornalistas e radialistas. A crítica central é que a nova norma permite o acúmulo de funções sem regras claras, o que pode beneficiar empresas e sobrecarregar os trabalhadores.
“As entidades representativas vão tomar as medidas legais necessárias para preservar as profissões frente a mais essa aberração legislativa,”diz o comunicado.
Outro ponto destacado é a ausência de diálogo durante a tramitação do projeto. Os sindicatos afirmam que não foram ouvidos e que a lei não define carga horária, exigência de registro profissional ou formação específica para a nova atividade.
A Fenaj também demonstrou surpresa com a sanção presidencial.
“Causa estranhamento que um governo com origem no movimento dos trabalhadores tenha sancionado a proposta sem vetos,”afirmou a federação.
Emissoras defendem modernização
Em posição oposta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) avaliou a lei como um passo importante para adequar o setor às transformações tecnológicas.
Para a entidade, o reconhecimento da profissão de multimídia traz clareza a um mercado cada vez mais marcado pela atuação em múltiplas plataformas.
O presidente-executivo da Abert, Cristiano Lobato Flôres, destacou que a legislação acompanha a realidade atual da comunicação.
“A nova lei está alinhada à convergência tecnológica do setor, que exige atuação transversal, adaptação constante e atualização permanente dos profissionais,”afirmou.
O que muda com a nova lei
De acordo com a Lei nº 15.325/2026, o profissional multimídia pode ser de nível técnico ou superior e atuar na criação, produção, captação, edição, planejamento, gestão, programação, publicação e distribuição de conteúdos de som, imagem, vídeo, animação e texto em meios eletrônicos e digitais.
A legislação inclui atividades como:
gestão de sites, portais e redes sociais;
desenvolvimento de aplicativos, jogos e animações;
produção e direção de conteúdos audiovisuais.
A atuação é permitida em empresas públicas e privadas, incluindo emissoras de rádio e TV, produtoras de conteúdo, agências de publicidade e plataformas digitais. A lei também autoriza que profissionais de outras áreas assumam funções multimídia por meio de aditivo contratual, desde que haja acordo com o empregador.
Tema deve render novos embates
A sanção da lei expõe um embate antigo entre inovação tecnológica e direitos trabalhistas. Enquanto empresas defendem flexibilidade para acompanhar o mercado digital, trabalhadores alertam para o risco de perda de identidade profissional e de garantias históricas.
O debate promete avançar nos sindicatos, no Congresso e possivelmente no Judiciário — e a WebTV Mato Grosso segue acompanhando os desdobramentos de uma mudança que impacta diretamente quem vive da comunicação no Brasil.