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Política Nacional

Comissão da Câmara deve encaminhar sugestões recebidas em reunião sobre violência policial

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O presidente da Comissão de Legislação Participativa da Câmara, deputado Glauber Braga (Psol-RJ), disse que o colegiado vai encaminhar as sugestões recebidas de famílias de vítimas de violência policial a fim de combater o problema no Brasil. O assunto foi discutido em audiência pública nesta quarta-feira (11).

“Vocês [os participantes da audiência] discutem, traçam as prioridades e aí fazem conversas comigo e com o governo federal. Aguardamos essa priorização para traçar um calendário de ação”, informou Glauber Braga.

As principais sugestões apresentadas na audiência foram:

  • a utilização de câmeras corporais por todos os agentes de segurança pública – seja policial militar, policial penal ou policial rodoviário federal;
  • a revisão da formação de policiais; e
  • a aprovação do Projeto de Lei 2999/22, que busca amenizar os impactos da violência policial sobre os familiares das vítimas.

Relatos
Na audiência, familiares de jovens mortos pela polícia em diferentes estados do Brasil relataram sua experiência e compartilharam seu sofrimento.

Haydee Borges, tia de um rapaz de 18 anos morto em 2022 no Paraná, afirmou que o sobrinho foi executado sem razão, e a polícia teria alegado legítima defesa. Ela disse também que a luta contra o Estado é árdua e demanda equilíbrio emocional de pessoas que perderam entes queridos.

Câmeras
Foi de Haydee o pedido para que todos os agentes de segurança usem câmeras em seus uniformes. “A câmera vai proteger também o policial, que sai à rua para me proteger e proteger ao próximo. São minimamente alguns que estão cometendo atrocidades.”

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As câmeras deveriam ser obrigatórias também na opinião do deputado Tadeu Veneri (PT-PR). Ele acredita que o Brasil caminha para a barbárie se faltas e métodos absolutamente ilegais não forem punidos.

“O Ministério Público tem lavado as mãos, arquiva os casos e toca a vida pra frente. Quem morre, em sua ampla maioria, são pessoas da periferia. Se são criminosos, devem ser condenados e presos, não mortos”, criticou.

Limites
A diretora do Sistema Único de Segurança Pública, Isabel Seixas de Figueiredo, disse que o governo federal tem limites para atuar em um assunto que também é responsabilidade dos estados. Em todo caso, uma portaria (648/24) do governo federal traz orientações sobre o uso de câmeras corporais.

O governo também está finalizando um edital de R$ 102 milhões para que nove estados implementem ou ampliem programas de câmeras corporais com recursos federais.

Formação
Sueidy Pena, mãe de um adolescente de 16 anos morto em 2023 no Pará, pediu a revisão da formação policial.  “No Brasil não há pena de morte e eu sempre pergunto quem deu ordem para matar meu filho”, questionou. “A gente tem que fazer um rodeio muito grande para buscar justiça, a gente passa por muita dificuldade. Uma delas é conseguir advogado porque os advogados têm medo.”

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Ana Paula Oliveira, do Rio de Janeiro, perdeu o filho há dez anos e disse que nunca recebeu atenção psicossocial do Estado. “Eu sigo há dez anos condenada a viver com a falta do meu filho. Enquanto o policial segue livre, leve e solto, ainda por cima recebendo salário”, criticou. “Já as mães perdem a saúde. Não têm mais condições de trabalhar. Perdem seu local de moradia, porque perdem emprego e não têm mais dinheiro para pagar aluguel”, comparou.

Controle
Ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Cezar Britto disse que a atividade policial é fundamental, mas necessita de controle. Ele sugeriu a criação de um órgão estatal para controlar a atividade policial, com representantes sobretudo da sociedade. “As vítimas têm que ser ouvidas permanentemente nesse órgão”, sugeriu o jurista.

Projetos na Câmara
Entre os projetos de lei em análise na Câmara, o PL 2999/22, do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), busca garantir suporte a mães e outros familiares e ainda coibir e prevenir a violência policial contra crianças, adolescentes e jovens.

O texto ganhou urgência e está pronto para a análise do Plenário da Câmara, juntamente com outras propostas sobre o assunto.

A Câmara também analisa o PL 3295/24, que torna obrigatório o uso de câmeras corporais pelos integrantes das forças de segurança federais, estaduais, distritais e municipais.

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Natalia Doederlein

Fonte: Câmara dos Deputados

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Nacional

Lei da Profissão Multimídia provoca reação de sindicatos e divide o setor de comunicação

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Nova legislação sancionada pelo presidente Lula reacende debate sobre acúmulo de funções, precarização do trabalho e futuro do jornalismo e do rádio

 

A sanção da Lei nº 15.325/2026, publicada nesta quarta-feira (7) no Diário Oficial da União, colocou novamente no centro do debate nacional o futuro das profissões da comunicação. A nova norma reconhece oficialmente a profissão de multimídia, permitindo que um único profissional atue na produção, edição e distribuição de conteúdos audiovisuais e digitais.

A medida, no entanto, gerou forte reação de jornalistas e radialistas, que veem na lei um risco direto à regulamentação das categorias. Já as emissoras de rádio e TV defendem a mudança como um avanço necessário diante da convergência tecnológica.

Sindicatos falam em prejuízo aos trabalhadores

Em nota conjunta, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os 31 sindicatos filiados e o Movimento Nacional dos Radialistas (MNR) afirmaram que a nova legislação representa um ataque direto às profissões regulamentadas, além de abrir espaço para insegurança jurídica e precarização das relações de trabalho.

Segundo as entidades, as atribuições previstas para o profissional multimídia já são garantidas, por lei, aos jornalistas e radialistas. A crítica central é que a nova norma permite o acúmulo de funções sem regras claras, o que pode beneficiar empresas e sobrecarregar os trabalhadores.

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“As entidades representativas vão tomar as medidas legais necessárias para preservar as profissões frente a mais essa aberração legislativa,”diz o comunicado.

Outro ponto destacado é a ausência de diálogo durante a tramitação do projeto. Os sindicatos afirmam que não foram ouvidos e que a lei não define carga horária, exigência de registro profissional ou formação específica para a nova atividade.

A Fenaj também demonstrou surpresa com a sanção presidencial.

“Causa estranhamento que um governo com origem no movimento dos trabalhadores tenha sancionado a proposta sem vetos,”afirmou a federação.

Emissoras defendem modernização

Em posição oposta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) avaliou a lei como um passo importante para adequar o setor às transformações tecnológicas.

Para a entidade, o reconhecimento da profissão de multimídia traz clareza a um mercado cada vez mais marcado pela atuação em múltiplas plataformas.

O presidente-executivo da Abert, Cristiano Lobato Flôres, destacou que a legislação acompanha a realidade atual da comunicação.

“A nova lei está alinhada à convergência tecnológica do setor, que exige atuação transversal, adaptação constante e atualização permanente dos profissionais,”afirmou.

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O que muda com a nova lei

De acordo com a Lei nº 15.325/2026, o profissional multimídia pode ser de nível técnico ou superior e atuar na criação, produção, captação, edição, planejamento, gestão, programação, publicação e distribuição de conteúdos de som, imagem, vídeo, animação e texto em meios eletrônicos e digitais.

A legislação inclui atividades como:

gestão de sites, portais e redes sociais;

desenvolvimento de aplicativos, jogos e animações;

produção e direção de conteúdos audiovisuais.

A atuação é permitida em empresas públicas e privadas, incluindo emissoras de rádio e TV, produtoras de conteúdo, agências de publicidade e plataformas digitais. A lei também autoriza que profissionais de outras áreas assumam funções multimídia por meio de aditivo contratual, desde que haja acordo com o empregador.

Tema deve render novos embates

A sanção da lei expõe um embate antigo entre inovação tecnológica e direitos trabalhistas. Enquanto empresas defendem flexibilidade para acompanhar o mercado digital, trabalhadores alertam para o risco de perda de identidade profissional e de garantias históricas.

O debate promete avançar nos sindicatos, no Congresso e possivelmente no Judiciário — e a WebTV Mato Grosso segue acompanhando os desdobramentos de uma mudança que impacta diretamente quem vive da comunicação no Brasil.

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