Política Nacional
Comissão de Esporte analisa vínculo trabalhista para árbitros
Política Nacional
A Comissão de Esporte (CEsp) promove nesta quarta-feira (16), às 14h30, reunião semipresencial do grupo de trabalho que estuda a relação de emprego entre os árbitros e as federações esportivas.
A medida é prevista no Projeto de Lei (PL) 864/2019, de autoria do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) e que está em análise na CEsp. O pedido para a criação do grupo de trabalho (REQ 12/2024-Cesp) para avaliar a proposta partiu do senador Romário (PL-RJ), que preside a Comissão de Esporte.
A legislação atual deixa expresso que o árbitro e seus auxiliares não possuem vínculo empregatício com as entidades desportivas a que estão vinculados. Os árbitros — conforme o artigo 78 da Lei 14.597, de 2023 (Lei Geral do Esporte), e do artigo 88 da Lei 9.615, de 1998 (Lei do Passe Livre) — são meros prestadores de serviços para a entidade desportiva responsável pela organização do evento, não havendo relação de subordinação de natureza laboral entre eles, a exemplo do praticado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e federações estaduais de futebol.
Romário explica que o projeto visa remover a barreira ao vínculo de emprego prevista na lei, de modo a garantir a esses árbitros os direitos trabalhistas de qualquer empregado e contribuir para a profissionalização da arbitragem desportiva no país. No entanto, diz ele, as audiências públicas promovidas pela comissão mostraram que não há um entendimento pacificado sobre o tema. “No mesmo sentido, recentes manifestações públicas do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deixam claro que a profissionalização dos árbitros requer uma análise aprofundada e com o envolvimento de todas as partes interessadas”, diz Romário no requerimento que solicitou a criação do grupo de trabalho.
Convidados
Foram convidados para participar da reunião, entre outros:
- Vicente Costa Pithon Barreto, coordenador do grupo de trabalho
- Priscila Dibi Schvarcz e Renan Bernardi Kalil, procuradores do Ministério Público do Trabalho
- Evandro Rogério Roman, ex-árbitro de futebol
- Gabriella Cristina Gonçalves Carneiro, auditora fiscal do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego
- Marcelo Van Gasse, presidente da Associação de Árbitros de Futebol do Brasil (Abrafut)
- Raphael Claus, árbitro de futebol
- Luís Antônio Silva dos Santos, ex-árbitro de futebol
- Luiz Felipe Guimarães Santoro, assessor jurídico da Confederação Brasileira de Futebol (CBF)
- Giulliano Bozzano, gerente técnico de Arbitragem da Comissão de Arbitragem da CBF
- Patricio Hernan Loustau, presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Paulista de Futebol
- Luiz Mairovitch, diretor do Departamento de Arbitragem da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro
- Salmo Valentim, presidente da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf)
- Rafael Bozzano, advogado
- Eloísa Vilela de Souza, vice-presidente do Conselho Regional de Educação Física da 1ª Região (RJ)
- Vinícius Machado Calixto e Lucas Silva de Castro, consultores legislativos do Senado Federal
- Sandro Marques Cavalcante Silva, chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor do Ministério do Esporte
- representante da Federação Internacional de Futebol Associado (Fifa)
- representante da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol)
A comissão ainda aguarda a confirmação da participação de todos os convidados. A reunião da CEsp será realizada na sala 13 da ala Alexandre Costa.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Nacional
Lei da Profissão Multimídia provoca reação de sindicatos e divide o setor de comunicação
Nova legislação sancionada pelo presidente Lula reacende debate sobre acúmulo de funções, precarização do trabalho e futuro do jornalismo e do rádio
A sanção da Lei nº 15.325/2026, publicada nesta quarta-feira (7) no Diário Oficial da União, colocou novamente no centro do debate nacional o futuro das profissões da comunicação. A nova norma reconhece oficialmente a profissão de multimídia, permitindo que um único profissional atue na produção, edição e distribuição de conteúdos audiovisuais e digitais.
A medida, no entanto, gerou forte reação de jornalistas e radialistas, que veem na lei um risco direto à regulamentação das categorias. Já as emissoras de rádio e TV defendem a mudança como um avanço necessário diante da convergência tecnológica.
Sindicatos falam em prejuízo aos trabalhadores
Em nota conjunta, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os 31 sindicatos filiados e o Movimento Nacional dos Radialistas (MNR) afirmaram que a nova legislação representa um ataque direto às profissões regulamentadas, além de abrir espaço para insegurança jurídica e precarização das relações de trabalho.
Segundo as entidades, as atribuições previstas para o profissional multimídia já são garantidas, por lei, aos jornalistas e radialistas. A crítica central é que a nova norma permite o acúmulo de funções sem regras claras, o que pode beneficiar empresas e sobrecarregar os trabalhadores.
“As entidades representativas vão tomar as medidas legais necessárias para preservar as profissões frente a mais essa aberração legislativa,”diz o comunicado.
Outro ponto destacado é a ausência de diálogo durante a tramitação do projeto. Os sindicatos afirmam que não foram ouvidos e que a lei não define carga horária, exigência de registro profissional ou formação específica para a nova atividade.
A Fenaj também demonstrou surpresa com a sanção presidencial.
“Causa estranhamento que um governo com origem no movimento dos trabalhadores tenha sancionado a proposta sem vetos,”afirmou a federação.
Emissoras defendem modernização
Em posição oposta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) avaliou a lei como um passo importante para adequar o setor às transformações tecnológicas.
Para a entidade, o reconhecimento da profissão de multimídia traz clareza a um mercado cada vez mais marcado pela atuação em múltiplas plataformas.
O presidente-executivo da Abert, Cristiano Lobato Flôres, destacou que a legislação acompanha a realidade atual da comunicação.
“A nova lei está alinhada à convergência tecnológica do setor, que exige atuação transversal, adaptação constante e atualização permanente dos profissionais,”afirmou.
O que muda com a nova lei
De acordo com a Lei nº 15.325/2026, o profissional multimídia pode ser de nível técnico ou superior e atuar na criação, produção, captação, edição, planejamento, gestão, programação, publicação e distribuição de conteúdos de som, imagem, vídeo, animação e texto em meios eletrônicos e digitais.
A legislação inclui atividades como:
gestão de sites, portais e redes sociais;
desenvolvimento de aplicativos, jogos e animações;
produção e direção de conteúdos audiovisuais.
A atuação é permitida em empresas públicas e privadas, incluindo emissoras de rádio e TV, produtoras de conteúdo, agências de publicidade e plataformas digitais. A lei também autoriza que profissionais de outras áreas assumam funções multimídia por meio de aditivo contratual, desde que haja acordo com o empregador.
Tema deve render novos embates
A sanção da lei expõe um embate antigo entre inovação tecnológica e direitos trabalhistas. Enquanto empresas defendem flexibilidade para acompanhar o mercado digital, trabalhadores alertam para o risco de perda de identidade profissional e de garantias históricas.
O debate promete avançar nos sindicatos, no Congresso e possivelmente no Judiciário — e a WebTV Mato Grosso segue acompanhando os desdobramentos de uma mudança que impacta diretamente quem vive da comunicação no Brasil.