Política Nacional
Contarato vai comandar CMA em meio a ‘desafios sem precedentes’
Política Nacional
A Comissão de Meio Ambiente (CMA) elegeu nesta quarta-feira (19) o senador Fabiano Contarato (PT-ES) como presidente para o biênio 2025-2026. Em seguida, o parlamentar convidou a senadora a Leila Barros (PDT-DF) — que presidiu o colegiado no biênio anterior — para exercer a vice-presidência, proposta que foi ratificada pelos demais membros.
Contarato afirmou que a agenda ambiental que se apresenta impõe “desafios sem precedentes”, em face da crescente emergência climática. Ele lembrou que no último ano foi ultrapassado o limite crítico de 1,5°C de aumento na temperatura média global.
— Diante desse cenário, é imperativo aprimorarmos nosso ordenamento ambiental. Três elementos são fundamentais para mitigar o dano ao meio ambiente: fiscalização intensa, educação ambiental e legislação mais rigorosa para punir efetivamente quem atenta contra a proteção ambiental. É imperativo fortalecermos os órgãos de fiscalização e ampliamos os investimentos em soluções sustentáveis que respeitem a natureza e promovam o bem-estar social — enumerou.
O novo presidente da CMA lembrou que “sentimos na pele” as consequências da elevação climática, como estiagens prolongadas, enchentes — como as ocorridas no estado do Rio Grande do Sul em 2024 — e ondas de calor extremo. Além disso, mais de 30 milhões de hectares foram consumidos por queimadas no ano passado, o que gerou consequências “trágicas” para os biomas e para as comunidades locais. O senador ponderou que esses eventos ameaçam a economia, desestabilizam a educação, sobrecarregam a saúde e comprometem a produção de alimentos.
— As ações de mitigação, a adaptação urgente de cidades e campos, a restauração de ecossistemas e a promoção da justiça climática precisam ocupar o centro de nossos debates e ações. A União desempenha um papel crucial, mas essa responsabilidade deve ser compartilhada por todos os atores da sociedade — defendeu.
Contarato enfatizou também desafios como a realização da próxima edição da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que será sediada em Belém (PA) no mês de novembro. Ele salientou que o evento colocará o Brasil no centro das negociações climáticas globais e externou o compromisso da CMA em contribuir com o encontro internacional. Também falou sobre a possível exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas, na região conhecida como margem equatorial.
— Devemos utilizar nossos recursos naturais e riquezas com responsabilidade e sustentabilidade, com o firme compromisso de gerar empregos e melhorar a vida do povo brasileiro. A exploração de petróleo na margem equatorial é um tema essencial na estratégia energética do país, e precisamos abordá-lo com a devida ponderação e responsabilidade.
A CMA é formada por 17 senadores titulares e 17 suplentes. O colegiado já tem 15 propostas prontas para serem inseridas em pauta. A comissão se reúne às quartas-feiras, às 9h.
Biografia
Fabiano Contarato nasceu em 20 de junho de 1966, em Nova Venécia (ES), e é formado em direito pela Universidade de Vila Velha. Delegado da Polícia Civil, atuou com delitos de trânsito por mais de 10 anos e foi diretor-geral do Detran-ES. Também foi corregedor-geral na Secretaria de Controle e Transparência do Estado.
Contarato é senador desde 2019 e presidiu a CMA no seu primeiro biênio no Senado (2019-2020) e também já foi líder do seu partido no Senado.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Nacional
Lei da Profissão Multimídia provoca reação de sindicatos e divide o setor de comunicação
Nova legislação sancionada pelo presidente Lula reacende debate sobre acúmulo de funções, precarização do trabalho e futuro do jornalismo e do rádio
A sanção da Lei nº 15.325/2026, publicada nesta quarta-feira (7) no Diário Oficial da União, colocou novamente no centro do debate nacional o futuro das profissões da comunicação. A nova norma reconhece oficialmente a profissão de multimídia, permitindo que um único profissional atue na produção, edição e distribuição de conteúdos audiovisuais e digitais.
A medida, no entanto, gerou forte reação de jornalistas e radialistas, que veem na lei um risco direto à regulamentação das categorias. Já as emissoras de rádio e TV defendem a mudança como um avanço necessário diante da convergência tecnológica.
Sindicatos falam em prejuízo aos trabalhadores
Em nota conjunta, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os 31 sindicatos filiados e o Movimento Nacional dos Radialistas (MNR) afirmaram que a nova legislação representa um ataque direto às profissões regulamentadas, além de abrir espaço para insegurança jurídica e precarização das relações de trabalho.
Segundo as entidades, as atribuições previstas para o profissional multimídia já são garantidas, por lei, aos jornalistas e radialistas. A crítica central é que a nova norma permite o acúmulo de funções sem regras claras, o que pode beneficiar empresas e sobrecarregar os trabalhadores.
“As entidades representativas vão tomar as medidas legais necessárias para preservar as profissões frente a mais essa aberração legislativa,”diz o comunicado.
Outro ponto destacado é a ausência de diálogo durante a tramitação do projeto. Os sindicatos afirmam que não foram ouvidos e que a lei não define carga horária, exigência de registro profissional ou formação específica para a nova atividade.
A Fenaj também demonstrou surpresa com a sanção presidencial.
“Causa estranhamento que um governo com origem no movimento dos trabalhadores tenha sancionado a proposta sem vetos,”afirmou a federação.
Emissoras defendem modernização
Em posição oposta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) avaliou a lei como um passo importante para adequar o setor às transformações tecnológicas.
Para a entidade, o reconhecimento da profissão de multimídia traz clareza a um mercado cada vez mais marcado pela atuação em múltiplas plataformas.
O presidente-executivo da Abert, Cristiano Lobato Flôres, destacou que a legislação acompanha a realidade atual da comunicação.
“A nova lei está alinhada à convergência tecnológica do setor, que exige atuação transversal, adaptação constante e atualização permanente dos profissionais,”afirmou.
O que muda com a nova lei
De acordo com a Lei nº 15.325/2026, o profissional multimídia pode ser de nível técnico ou superior e atuar na criação, produção, captação, edição, planejamento, gestão, programação, publicação e distribuição de conteúdos de som, imagem, vídeo, animação e texto em meios eletrônicos e digitais.
A legislação inclui atividades como:
gestão de sites, portais e redes sociais;
desenvolvimento de aplicativos, jogos e animações;
produção e direção de conteúdos audiovisuais.
A atuação é permitida em empresas públicas e privadas, incluindo emissoras de rádio e TV, produtoras de conteúdo, agências de publicidade e plataformas digitais. A lei também autoriza que profissionais de outras áreas assumam funções multimídia por meio de aditivo contratual, desde que haja acordo com o empregador.
Tema deve render novos embates
A sanção da lei expõe um embate antigo entre inovação tecnológica e direitos trabalhistas. Enquanto empresas defendem flexibilidade para acompanhar o mercado digital, trabalhadores alertam para o risco de perda de identidade profissional e de garantias históricas.
O debate promete avançar nos sindicatos, no Congresso e possivelmente no Judiciário — e a WebTV Mato Grosso segue acompanhando os desdobramentos de uma mudança que impacta diretamente quem vive da comunicação no Brasil.