Search
Close this search box.

Política Nacional

Menopausa: CAS discute garantia de tratamento hormonal no SUS

Publicados

Política Nacional

A oferta de tratamento hormonal pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para mulheres em menopausa ou climatério — transição da fase reprodutiva para a não reprodutiva — foi o tema central de audiência pública realizada nesta quarta-feira (16) pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS). O debate aconteceu na semana em que se comemora o Dia Mundial da Menopausa (18 de outubro), instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Um projeto de lei apresentado pelo senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), que está em análise na CAS, garante o acesso à reposição hormonal e a outras medicações que ajudam a aliviar os sintomas como ondas de calor, insônia e problemas cardiovasculares durante essa etapa da vida. 

De acordo com Mecias, o SUS não oferece atualmente o principal tratamento para amenizar esses sintomas. O PL 3.933/2023 também cria a Semana Nacional de Conscientização para Mulheres na Menopausa ou no Climatério.  

A representante da Associação Menopausa Feliz, Adriana Ferreira, 58 anos, relatou que entrou na menopausa na casa dos 40 anos após a retirada do útero. Ela afirmou que sua qualidade de vida melhorou significativamente com o tratamento hormonal. Para Ferreira, o país carece de políticas públicas voltadas especificamente para a menopausa.

— Hoje temos políticas públicas que abrangem todos os ciclos de vida, exceto a menopausa. Não podemos permitir que esse ciclo seja invisibilizado — disse.

Leia Também:  Participantes de audiência defendem Família Acolhedora e pedem mais divulgação do programa

A especialista em ginecologia endócrina, Fabiane Berta, criticou a desinformação generalizada sobre o tema e a maneira como muitas mulheres são tratadas nesse contexto.

— Falta informação, somos tratadas como ‘loucas’ e muitas vezes sem acesso a medicação adequada —  apontou. 

A médica também chamou a atenção para o baixo número de mulheres que utilizam terapia hormonal no Brasil. De acordo com ela, apenas 19,5% já fizeram ou fazem o tratamento, número que está em queda. Ela sugeriu que o SUS treine profissionais para oferecer acolhimento especializado.

— Médicos e o público precisam ser educados sobre o tema. Quantas vezes vamos ao médico e ouvimos: ‘Espera que vai passar’. Há déficit de informações confiáveis sobre a menopausa — afirmou.

Sintomas

Entre os sintomas decorrentes da deficiência hormonal, o hipoestrogenismo, estão problemas vasomotores, distúrbios do sono, alterações de humor, queixas geniturinárias, falta de desejo sexual e aumento de peso, conforme a médica ginecologista Maria Socorro Medeiros de Morais, idealizadora do Fórum Permanente de Defesa das Mulheres Idosas.

Ela explicou que a qualidade do envelhecimento feminino está diretamente ligada a mudanças no estilo de vida, ao acolhimento adequado e ao acesso à terapia hormonal durante o climatério.

— A menopausa não é mais uma pausa; as mulheres continuam ativas, trabalhando, gerando riquezas e sustentando suas famílias — disse a ginecologista. 

A coordenadora-geral de Atenção à Saúde das Mulheres do Ministério da Saúde, Renata Souza Reis, lembrou que hoje existe a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres e reforçou a importância de basear as políticas públicas em dados científicos, e não em experiências individuais. Ela também chamou a atenção para o fato de que o climatério, muitas vezes, revela sobrecargas e injustiças acumuladas ao longo da vida das mulheres.

Leia Também:  Conselho de Ética ouve novas testemunhas no processo contra Glauber Braga

— Não serão hormônios isolados que vão tratar todos os sintomas do climatério. Não podemos encontrar no climatério e na menopausa os únicos culpados para tudo — afirmou.

A representante do Ministério da Saúde enfatizou a necessidade de garantir que o envelhecimento feminino não seja pressionado por questões de produtividade ou de estética.

A relatora do projeto, senadora Teresa Leitão (PT-PE), disse que, até alguns anos atrás, as políticas de saúde da mulher eram voltadas principalmente para as mais jovens, mas que as demandas sociais exigem uma atualização das políticas públicas diante do envelhecimento da população brasileira. Teresa defendeu a necessidade de analisar o projeto com atenção. 

— A questão que se apresenta é: o que e como faremos isso? O nosso desafio é aprovar uma lei que atinja seus fins almejados. Tirar a lei do papel ressaltou a senadora.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Nacional

Lei da Profissão Multimídia provoca reação de sindicatos e divide o setor de comunicação

Publicados

em

Nova legislação sancionada pelo presidente Lula reacende debate sobre acúmulo de funções, precarização do trabalho e futuro do jornalismo e do rádio

 

A sanção da Lei nº 15.325/2026, publicada nesta quarta-feira (7) no Diário Oficial da União, colocou novamente no centro do debate nacional o futuro das profissões da comunicação. A nova norma reconhece oficialmente a profissão de multimídia, permitindo que um único profissional atue na produção, edição e distribuição de conteúdos audiovisuais e digitais.

A medida, no entanto, gerou forte reação de jornalistas e radialistas, que veem na lei um risco direto à regulamentação das categorias. Já as emissoras de rádio e TV defendem a mudança como um avanço necessário diante da convergência tecnológica.

Sindicatos falam em prejuízo aos trabalhadores

Em nota conjunta, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os 31 sindicatos filiados e o Movimento Nacional dos Radialistas (MNR) afirmaram que a nova legislação representa um ataque direto às profissões regulamentadas, além de abrir espaço para insegurança jurídica e precarização das relações de trabalho.

Segundo as entidades, as atribuições previstas para o profissional multimídia já são garantidas, por lei, aos jornalistas e radialistas. A crítica central é que a nova norma permite o acúmulo de funções sem regras claras, o que pode beneficiar empresas e sobrecarregar os trabalhadores.

Leia Também:  Câmara aprova inclusão obrigatória de dispositivo para abrir porta-malas por dentro em veículos novos; acompanhe

“As entidades representativas vão tomar as medidas legais necessárias para preservar as profissões frente a mais essa aberração legislativa,”diz o comunicado.

Outro ponto destacado é a ausência de diálogo durante a tramitação do projeto. Os sindicatos afirmam que não foram ouvidos e que a lei não define carga horária, exigência de registro profissional ou formação específica para a nova atividade.

A Fenaj também demonstrou surpresa com a sanção presidencial.

“Causa estranhamento que um governo com origem no movimento dos trabalhadores tenha sancionado a proposta sem vetos,”afirmou a federação.

Emissoras defendem modernização

Em posição oposta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) avaliou a lei como um passo importante para adequar o setor às transformações tecnológicas.

Para a entidade, o reconhecimento da profissão de multimídia traz clareza a um mercado cada vez mais marcado pela atuação em múltiplas plataformas.

O presidente-executivo da Abert, Cristiano Lobato Flôres, destacou que a legislação acompanha a realidade atual da comunicação.

“A nova lei está alinhada à convergência tecnológica do setor, que exige atuação transversal, adaptação constante e atualização permanente dos profissionais,”afirmou.

Leia Também:  Davi agradece apoio e reforça compromisso com a busca de consensos

O que muda com a nova lei

De acordo com a Lei nº 15.325/2026, o profissional multimídia pode ser de nível técnico ou superior e atuar na criação, produção, captação, edição, planejamento, gestão, programação, publicação e distribuição de conteúdos de som, imagem, vídeo, animação e texto em meios eletrônicos e digitais.

A legislação inclui atividades como:

gestão de sites, portais e redes sociais;

desenvolvimento de aplicativos, jogos e animações;

produção e direção de conteúdos audiovisuais.

A atuação é permitida em empresas públicas e privadas, incluindo emissoras de rádio e TV, produtoras de conteúdo, agências de publicidade e plataformas digitais. A lei também autoriza que profissionais de outras áreas assumam funções multimídia por meio de aditivo contratual, desde que haja acordo com o empregador.

Tema deve render novos embates

A sanção da lei expõe um embate antigo entre inovação tecnológica e direitos trabalhistas. Enquanto empresas defendem flexibilidade para acompanhar o mercado digital, trabalhadores alertam para o risco de perda de identidade profissional e de garantias históricas.

O debate promete avançar nos sindicatos, no Congresso e possivelmente no Judiciário — e a WebTV Mato Grosso segue acompanhando os desdobramentos de uma mudança que impacta diretamente quem vive da comunicação no Brasil.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RONDONÓPOLIS

POLÍTICA

MATO GROSSO

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA