Política Nacional
Mulheres devem ser protagonistas em decisões sobre crise climática, destacam parlamentares do G20
Política Nacional
Parlamentares de países do G20 defenderam mais participação das mulheres em decisões sobre a crise climática mundial, já que elas estão entre os grupos mais afetados por desastres ambientais.
Essa foi a tônica da primeira sessão de trabalho do Fórum Parlamentar do G20, que trata das recomendações da 1ª Reunião de Mulheres Parlamentares do P20, realizada em julho em Maceió (AL), formalizadas na chamada Carta de Alagoas. O tema da sessão foi “Promovendo a justiça climática e o desenvolvimento sustentável sob a perspectiva de gênero e raça”.
A presidente da União Interparlamentar (UIP), Tulia Ackson, destacou que os efeitos da crise climática são sentidos mais pelas mulheres. Segundo ela, um terço das mulheres trabalham com agricultura globalmente, mas mulheres rurais são apenas 15% das donas de terras e estão mais sujeitas à insegurança alimentar. Ela ressaltou ainda que até 2050, a mudança climática pode levar mais de 158 mil mulheres e meninas à pobreza e também pode levá-las a situações de mais violência.
Conforme Tulia Ackson, mais mulheres no Parlamento podem levar a políticas mais robustas para enfrentamento das mudanças climáticas. Por isso, ela defende paridade de gênero na política.

Prioridades da Câmara
“Os desastres climáticos que temos assistido afetam de forma desproporcional mulheres, crianças, idosos e demais populações vulneráveis”, apontou a secretária da Mulher e coordenadora da bancada feminina na Câmara, a deputada Benedita da Silva (PT-RJ).
Para ilustrar essa situação, ela citou enchentes recentes no Rio Grande do Sul e a seca nos rios da Amazônia, além dos incêndios no Pantanal e no cerrado, em que populações ribeirinhas, quilombolas e populações periféricas das cidades foram as mais impactadas. “Mulheres são as principais responsáveis por encontrar comida e prestar cuidados aos familiares e vizinhos e também são elas que precisam lidar com as famílias”, disse.
Benedita da Silva citou iniciativas do Parlamento Brasileiro sobre o tema, incluindo projeto de lei para o manejo adequado do fogo; a regulação de atividades agrícolas e políticas de incentivo à conservação ambiental, como o pagamento por serviços ambientais; o acesso a crédito para atividades sustentáveis; e a inclusão de mulheres em iniciativas de ecoturismo, agricultura sustentável e gestão de recursos hídricos. Ela frisou a importância do papel de mulheres de comunidades tradicionais e rurais no manejo sustentável. E ainda a garantia da saúde para a população negra, com políticas que diminuam o racismo ambiental.
Política de cuidados
A senadora Leila Barros (PDT-DF), líder da bancada feminina no Senado, disse que o ponto central da Carta de Alagoas é “a necessidade de direcionar investimento para políticas climáticas sensíveis ao gênero”. Na avaliação da parlamentar, as mulheres e as populações negras e indígenas devem ser protagonistas em espaços de decisão climática, desde a criação da política até a sua implementação.
Outro ponto central da Carta de Alagoas, de acordo com a senadora, é a adoção de medidas que valorizem o trabalho não remunerado de cuidados e doméstico, desempenhado principalmente por mulheres. “Precisamos de financiamento público para a criação de um sistema de cuidados acessíveis e que promovam a segurança econômica de mulheres e meninas”, defendeu. Ela lembrou que cerca de metade dos lares brasileiros são liderados por mulheres, sendo 60% delas negras, e a elas é dado o desafio de garantir o sustento familiar.
Já a deputada Maria do Rosário (PT-RS), 2ª secretária da Mesa Diretora da Câmara, destacou, entre as recomendações contidas na Carta de Alagoas, instar os estados do G20 a reconhecerem a centralidade dos direitos econômicos das mulheres para alcançar a Agenda 2030 e os objetivos do desenvolvimento sustentável da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Prioridades dos países
A senadora russa Tatiana Sakharova salientou a importância da cooperação internacional para a agenda ambiental e, entre as prioridades da Rússia nessa agenda, citou a neutralidade do carbono e a busca pela “energia verde”, como a energia nuclear, eólica e a solar.
Maria Emília Cerqueira, parlamentar de Portugal, disse que o país está comprometido com a Agenda 2030 das Nações Unidas. Ela reiterou que meninas e mulheres são as primeiras impactadas pelo aumento de pobreza e desemprego e destacou a importância da educação para reverter esse quadro.
Vice-presidente do Senado na Índia, Shri Harivansh, também afirmou que o país está comprometido com a justiça climática e a equidade. Ele citou, entre as iniciativas no país, um programa de modernização de práticas agrícolas voltado para as mulheres. Outras prioridades são aumentar a produção de energia renovável e diminuir as emissões de carbono.
Para o deputado da África do Sul Mikateko Golden Mahlaule, não se pode ter justiça climática se os pobres e marginalizados – sendo eles, em sua maioria mulheres e crianças – não estão incluídos nas decisões políticas. A diminuição das emissões de carbono também está entre as prioridades do país.
Reportagem – Lara Haje
Edição – Geórgia Moraes
Fonte: Câmara dos Deputados
Nacional
Lei da Profissão Multimídia provoca reação de sindicatos e divide o setor de comunicação
Nova legislação sancionada pelo presidente Lula reacende debate sobre acúmulo de funções, precarização do trabalho e futuro do jornalismo e do rádio
A sanção da Lei nº 15.325/2026, publicada nesta quarta-feira (7) no Diário Oficial da União, colocou novamente no centro do debate nacional o futuro das profissões da comunicação. A nova norma reconhece oficialmente a profissão de multimídia, permitindo que um único profissional atue na produção, edição e distribuição de conteúdos audiovisuais e digitais.
A medida, no entanto, gerou forte reação de jornalistas e radialistas, que veem na lei um risco direto à regulamentação das categorias. Já as emissoras de rádio e TV defendem a mudança como um avanço necessário diante da convergência tecnológica.
Sindicatos falam em prejuízo aos trabalhadores
Em nota conjunta, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os 31 sindicatos filiados e o Movimento Nacional dos Radialistas (MNR) afirmaram que a nova legislação representa um ataque direto às profissões regulamentadas, além de abrir espaço para insegurança jurídica e precarização das relações de trabalho.
Segundo as entidades, as atribuições previstas para o profissional multimídia já são garantidas, por lei, aos jornalistas e radialistas. A crítica central é que a nova norma permite o acúmulo de funções sem regras claras, o que pode beneficiar empresas e sobrecarregar os trabalhadores.
“As entidades representativas vão tomar as medidas legais necessárias para preservar as profissões frente a mais essa aberração legislativa,”diz o comunicado.
Outro ponto destacado é a ausência de diálogo durante a tramitação do projeto. Os sindicatos afirmam que não foram ouvidos e que a lei não define carga horária, exigência de registro profissional ou formação específica para a nova atividade.
A Fenaj também demonstrou surpresa com a sanção presidencial.
“Causa estranhamento que um governo com origem no movimento dos trabalhadores tenha sancionado a proposta sem vetos,”afirmou a federação.
Emissoras defendem modernização
Em posição oposta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) avaliou a lei como um passo importante para adequar o setor às transformações tecnológicas.
Para a entidade, o reconhecimento da profissão de multimídia traz clareza a um mercado cada vez mais marcado pela atuação em múltiplas plataformas.
O presidente-executivo da Abert, Cristiano Lobato Flôres, destacou que a legislação acompanha a realidade atual da comunicação.
“A nova lei está alinhada à convergência tecnológica do setor, que exige atuação transversal, adaptação constante e atualização permanente dos profissionais,”afirmou.
O que muda com a nova lei
De acordo com a Lei nº 15.325/2026, o profissional multimídia pode ser de nível técnico ou superior e atuar na criação, produção, captação, edição, planejamento, gestão, programação, publicação e distribuição de conteúdos de som, imagem, vídeo, animação e texto em meios eletrônicos e digitais.
A legislação inclui atividades como:
gestão de sites, portais e redes sociais;
desenvolvimento de aplicativos, jogos e animações;
produção e direção de conteúdos audiovisuais.
A atuação é permitida em empresas públicas e privadas, incluindo emissoras de rádio e TV, produtoras de conteúdo, agências de publicidade e plataformas digitais. A lei também autoriza que profissionais de outras áreas assumam funções multimídia por meio de aditivo contratual, desde que haja acordo com o empregador.
Tema deve render novos embates
A sanção da lei expõe um embate antigo entre inovação tecnológica e direitos trabalhistas. Enquanto empresas defendem flexibilidade para acompanhar o mercado digital, trabalhadores alertam para o risco de perda de identidade profissional e de garantias históricas.
O debate promete avançar nos sindicatos, no Congresso e possivelmente no Judiciário — e a WebTV Mato Grosso segue acompanhando os desdobramentos de uma mudança que impacta diretamente quem vive da comunicação no Brasil.