Política Nacional
Segue para o Plenário indicação de Iagê Miola para para conselho diretor da ANPD
Política Nacional
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou durante a sessão desta quarta-feira (11) a indicação de Iagê Zendron Miola (MSF 31/2024) para compor o Conselho Diretor da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). O senador Eduardo Gomes (PL-TO) foi o relator da indicação, aprovada por 26 votos favoráveis e apenas um contrário na comissão.
Durante a sabatina, os senadores trataram de duas questões: a aprovação, pelo Senado, do projeto que regulamenta a inteligência artificial no Brasil, e a necessidade de regulamentação das plataformas de redes sociais.
O senador Esperidião Amin (PP-SC) falou sobre a importância da proteção dos dados pessoais no Brasil. O parlamentar destacou um dos pontos aprovados no texto sobre a inteligência artificial.
— A criação do Sistema Nacional de Regulação e Governança de Inteligência Artificial (SAI) é uma tarefa privativa do presidente da República, é um sistema gerido pelo Executivo. A Presidência da República terá que propor algo e nós teremos a responsabilidade de votar — argumentou.
Esperidião Amin ainda chamou a atenção para os prejuízos causados pelos ataques cibernéticos diários. Segundo ele, os danos gerados por esses ataques hoje equivalem ao valor de todo o Produto Interno Bruto (PIB) da terceira economia do mundo em volume.
Já o senador Fabiano Contarato (PT-ES) elogiou o trabalho desenvolvido por Iagê na Controladoria-Geral da União (CGU) junto ao ministro Vinícius de Carvalho. A ANPD, nas palavras do senador, é de fundamental importância porque lida com informação e transparência.
— Não tenho dúvida que hoje, com rede social e informações em plataformas, é preciso que haja regulação. Elas precisam ser responsabilizadas, uma vez que estão efetivamente praticando crimes. Temos que entender que a liberdade de expressão não pode ser utilizada como escudo protetivo para a prática de crimes — sentenciou.
O sabatinado esclareceu um ponto que considera importante dentro do debate atual sobre regulamentação das redes sociais e uso de inteligência artificial no Brasil.
— A ANPD, a partir do que foi estabelecido pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), não tem qualquer tipo de competência para exercer função de moderação de conteúdo para as redes sociais. E essa não é uma competência que seria atribuída à Agência caso o projeto de lei votado aqui no Senado seja aprovado pela Câmara dos Deputados. Não há nenhum espaço, seja na legislação vigente ou na futura, para esse tipo de exercício por parte da Agência — afirmou.
Trajetória
Iagê Zendron Miola é doutor em Direito e Sociedade pela Università degli Studi di Milano, mestre em Sociologia Jurídica pelo International Institute for the Sociology of Law (IISL)e graduado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Foi Visiting Scholar na New York University (NYU) e é alumni do Institute for Global Law Policy Workshop da Harvard Law School.
Também é professor do Departamento de Direito da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), além de pesquisador-associado do Núcleo Direito e Democracia do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), com atuação nas áreas de Direito Econômico e Sociologia Jurídica, e experiência nos temas de regulação econômica, defesa da concorrência, plataformas digitais e transição ecológica.
Ele coordena, desde 2019, o Grupo de Pesquisa Direito, Economia e Sociedade (GDES) e o Observatório do Poder Econômico (OPE). Atualmente, está cedido à Controladoria-Geral da União (CGU), onde atua como assessor especial.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Nacional
Lei da Profissão Multimídia provoca reação de sindicatos e divide o setor de comunicação
Nova legislação sancionada pelo presidente Lula reacende debate sobre acúmulo de funções, precarização do trabalho e futuro do jornalismo e do rádio
A sanção da Lei nº 15.325/2026, publicada nesta quarta-feira (7) no Diário Oficial da União, colocou novamente no centro do debate nacional o futuro das profissões da comunicação. A nova norma reconhece oficialmente a profissão de multimídia, permitindo que um único profissional atue na produção, edição e distribuição de conteúdos audiovisuais e digitais.
A medida, no entanto, gerou forte reação de jornalistas e radialistas, que veem na lei um risco direto à regulamentação das categorias. Já as emissoras de rádio e TV defendem a mudança como um avanço necessário diante da convergência tecnológica.
Sindicatos falam em prejuízo aos trabalhadores
Em nota conjunta, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os 31 sindicatos filiados e o Movimento Nacional dos Radialistas (MNR) afirmaram que a nova legislação representa um ataque direto às profissões regulamentadas, além de abrir espaço para insegurança jurídica e precarização das relações de trabalho.
Segundo as entidades, as atribuições previstas para o profissional multimídia já são garantidas, por lei, aos jornalistas e radialistas. A crítica central é que a nova norma permite o acúmulo de funções sem regras claras, o que pode beneficiar empresas e sobrecarregar os trabalhadores.
“As entidades representativas vão tomar as medidas legais necessárias para preservar as profissões frente a mais essa aberração legislativa,”diz o comunicado.
Outro ponto destacado é a ausência de diálogo durante a tramitação do projeto. Os sindicatos afirmam que não foram ouvidos e que a lei não define carga horária, exigência de registro profissional ou formação específica para a nova atividade.
A Fenaj também demonstrou surpresa com a sanção presidencial.
“Causa estranhamento que um governo com origem no movimento dos trabalhadores tenha sancionado a proposta sem vetos,”afirmou a federação.
Emissoras defendem modernização
Em posição oposta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) avaliou a lei como um passo importante para adequar o setor às transformações tecnológicas.
Para a entidade, o reconhecimento da profissão de multimídia traz clareza a um mercado cada vez mais marcado pela atuação em múltiplas plataformas.
O presidente-executivo da Abert, Cristiano Lobato Flôres, destacou que a legislação acompanha a realidade atual da comunicação.
“A nova lei está alinhada à convergência tecnológica do setor, que exige atuação transversal, adaptação constante e atualização permanente dos profissionais,”afirmou.
O que muda com a nova lei
De acordo com a Lei nº 15.325/2026, o profissional multimídia pode ser de nível técnico ou superior e atuar na criação, produção, captação, edição, planejamento, gestão, programação, publicação e distribuição de conteúdos de som, imagem, vídeo, animação e texto em meios eletrônicos e digitais.
A legislação inclui atividades como:
gestão de sites, portais e redes sociais;
desenvolvimento de aplicativos, jogos e animações;
produção e direção de conteúdos audiovisuais.
A atuação é permitida em empresas públicas e privadas, incluindo emissoras de rádio e TV, produtoras de conteúdo, agências de publicidade e plataformas digitais. A lei também autoriza que profissionais de outras áreas assumam funções multimídia por meio de aditivo contratual, desde que haja acordo com o empregador.
Tema deve render novos embates
A sanção da lei expõe um embate antigo entre inovação tecnológica e direitos trabalhistas. Enquanto empresas defendem flexibilidade para acompanhar o mercado digital, trabalhadores alertam para o risco de perda de identidade profissional e de garantias históricas.
O debate promete avançar nos sindicatos, no Congresso e possivelmente no Judiciário — e a WebTV Mato Grosso segue acompanhando os desdobramentos de uma mudança que impacta diretamente quem vive da comunicação no Brasil.