Política Nacional
Senado se destaca em índices de governança e sustentabilidade do TCU
Política Nacional
O Senado Federal melhorou seu desempenho no Índice de Governança e Sustentabilidade (iESGo), feito pelo Tribunal de Contas da União (TCU), ao alcançar o percentual de 74,80%. Na versão 2024, a Casa se destaca nos novos critérios socioambientais, obtendo um resultado de 95,50% no Índice Integrado de Sustentabilidade Ambiental e Social (iES).
O levantamento “Governança, Sustentabilidade e Gestão nas organizações públicas federais” do TCU é uma espécie de espelho da situação da administração pública federal quanto às práticas de governança, integradas às práticas socioambientais. O trabalho avaliou 387 organizações federais do Executivo, Legislativo e Judiciário.
A proposta do Tribunal é, a partir dos dados, obter e sistematizar informações sobre a situação de governança pública e gestão nessas organizações federais: “o TCU passa a contar com um instrumento capaz de medir a adesão de organizações públicas a práticas que vão além de governança e gestão, mas alcançam a sustentabilidade ambiental e a responsabilidade social”.
A adoção das práticas de governança e sustentabilidade leva as organizações públicas a se tornarem mais eficientes, já que a expectativa é de que haja redução de custos, de acordo com o tribunal. “Além disso, tais práticas conferem legitimidade à gestão das organizações. Sendo assim, ao medir suas próprias práticas com base no questionário do Índice de Governança e Sustentabilidade (iESGo), gestores têm mais condições de investir nas áreas mais vulneráveis apontadas no levantamento”, aponta o relatório do TCU.
As organizações se autoavaliam sob orientação do TCU (existem formulários e critérios) e os resultados são conferidos pelo tribunal quando da realização de auditoria, segundo o chefe da Diretoria-Executiva de Gestão, Márcio Tancredi.
— Os nossos esforços para melhorar governança e gestão são antigos, mas demoram para dar fruto. Esse trabalho já tem um tempo, faz quase uma década que entramos na linha de melhorar esses mecanismos internos. Finalmente conseguimos dar um estirão, por conta da maturidade que conseguimos dentro da instituição em gestão e governança. Nosso índice é o maior entre as “cabeças” de Poderes — afirma Tancredi.
O índice é muito amplo e avalia praticamente todas as disciplinas de gestão dentro da Casa (gestão de pessoas, TI, segurança da informação, contratações, orçamento, impacto ambiental e social). Em todas elas, afirma o chefe da Direg, é preciso adotar novos padrões, fazer melhorias.
— A exigência cresce de índice para índice, as perguntas mudam, os graus de exigência mudam. A nota de 2021 foi relativa a um conjunto mais singelo de exigências. Então, esse aumento é em cima de uma base ainda mais apertada. Não é esforço de um órgão da Casa. Pelas áreas abrangidas, é um esforço bastante horizontal. Muita gente é responsável — afirma o diretor.
Para Tancredi, “esse esforço […] dá credibilidade para a administração do Senado e transmite para a sociedade a maneira como tratamos com seriedade as questões de gestão e governança”.
— Ainda temos muito para melhorar, mas nosso nível de maturidade é muito bom. Nos coloca no nível ‘aperfeiçoado’ de gestão e governança — avalia o diretor.
Práticas socioambientais
O Senado obteve um percentual de 74,80% no iESGo que, pela primeira vez, reuniu indicadores de governança associados com as práticas sustentáveis socioambientais. Para isso, foram considerados os indicadores de liderança, estratégia, controle, o Índice Integrado de Sustentabilidade Ambiental e Social (iES) e o Índice de Gestão Pública (iGest). Nessa avaliação geral, a Casa aparece na 92ª posição entre as organizações avaliadas.
Um dos melhores desempenhos do Senado foi medido no iES, com 95,50% dos 100% possíveis. Para medir a governança e gestão na área ambiental, foi averiguado, por exemplo, se o desempenho da gestão de sustentabilidade ambiental é monitorado, se relatórios de monitoramento estão disponíveis para a liderança da organização e se, no caso de não alcançar as metas, a organização registra os motivos e propõe medidas de tratamento. No índice ambiental, o Senado obteve o percentual de 92,40%.
Já no de sustentabilidade social — que monitora, por exemplo, a definição de um modelo de gestão com o estabelecimento de responsabilidades, objetivos, indicadores e metas — a Casa alcançou o maior de todos os percentuais: 98%.
— O Senado se saiu muito bem nos novos critérios ambiental e social. Vanguarda entre as instituições públicas. O pior desempenho global das organizações foi nesses critérios. O Senado já tem uma ação muito antiga nessas áreas, já tínhamos desempenho muito bom, o índice é que não enxergava — diz Tancredi.
Já no Índice Integrado de Governança e Gestão Pública (IGG) — que sintetiza as práticas de governança organizacional e gestão públicas, excetuando as de sustentabilidade — o Senado passou do percentual de 49,30%, em 2021, para 71,10% no levantamento deste ano, o que representa uma evolução de mais de 44%.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Nacional
Lei da Profissão Multimídia provoca reação de sindicatos e divide o setor de comunicação
Nova legislação sancionada pelo presidente Lula reacende debate sobre acúmulo de funções, precarização do trabalho e futuro do jornalismo e do rádio
A sanção da Lei nº 15.325/2026, publicada nesta quarta-feira (7) no Diário Oficial da União, colocou novamente no centro do debate nacional o futuro das profissões da comunicação. A nova norma reconhece oficialmente a profissão de multimídia, permitindo que um único profissional atue na produção, edição e distribuição de conteúdos audiovisuais e digitais.
A medida, no entanto, gerou forte reação de jornalistas e radialistas, que veem na lei um risco direto à regulamentação das categorias. Já as emissoras de rádio e TV defendem a mudança como um avanço necessário diante da convergência tecnológica.
Sindicatos falam em prejuízo aos trabalhadores
Em nota conjunta, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os 31 sindicatos filiados e o Movimento Nacional dos Radialistas (MNR) afirmaram que a nova legislação representa um ataque direto às profissões regulamentadas, além de abrir espaço para insegurança jurídica e precarização das relações de trabalho.
Segundo as entidades, as atribuições previstas para o profissional multimídia já são garantidas, por lei, aos jornalistas e radialistas. A crítica central é que a nova norma permite o acúmulo de funções sem regras claras, o que pode beneficiar empresas e sobrecarregar os trabalhadores.
“As entidades representativas vão tomar as medidas legais necessárias para preservar as profissões frente a mais essa aberração legislativa,”diz o comunicado.
Outro ponto destacado é a ausência de diálogo durante a tramitação do projeto. Os sindicatos afirmam que não foram ouvidos e que a lei não define carga horária, exigência de registro profissional ou formação específica para a nova atividade.
A Fenaj também demonstrou surpresa com a sanção presidencial.
“Causa estranhamento que um governo com origem no movimento dos trabalhadores tenha sancionado a proposta sem vetos,”afirmou a federação.
Emissoras defendem modernização
Em posição oposta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) avaliou a lei como um passo importante para adequar o setor às transformações tecnológicas.
Para a entidade, o reconhecimento da profissão de multimídia traz clareza a um mercado cada vez mais marcado pela atuação em múltiplas plataformas.
O presidente-executivo da Abert, Cristiano Lobato Flôres, destacou que a legislação acompanha a realidade atual da comunicação.
“A nova lei está alinhada à convergência tecnológica do setor, que exige atuação transversal, adaptação constante e atualização permanente dos profissionais,”afirmou.
O que muda com a nova lei
De acordo com a Lei nº 15.325/2026, o profissional multimídia pode ser de nível técnico ou superior e atuar na criação, produção, captação, edição, planejamento, gestão, programação, publicação e distribuição de conteúdos de som, imagem, vídeo, animação e texto em meios eletrônicos e digitais.
A legislação inclui atividades como:
gestão de sites, portais e redes sociais;
desenvolvimento de aplicativos, jogos e animações;
produção e direção de conteúdos audiovisuais.
A atuação é permitida em empresas públicas e privadas, incluindo emissoras de rádio e TV, produtoras de conteúdo, agências de publicidade e plataformas digitais. A lei também autoriza que profissionais de outras áreas assumam funções multimídia por meio de aditivo contratual, desde que haja acordo com o empregador.
Tema deve render novos embates
A sanção da lei expõe um embate antigo entre inovação tecnológica e direitos trabalhistas. Enquanto empresas defendem flexibilidade para acompanhar o mercado digital, trabalhadores alertam para o risco de perda de identidade profissional e de garantias históricas.
O debate promete avançar nos sindicatos, no Congresso e possivelmente no Judiciário — e a WebTV Mato Grosso segue acompanhando os desdobramentos de uma mudança que impacta diretamente quem vive da comunicação no Brasil.