Política Nacional
Senado votou 1.197 proposições em 2024
Política Nacional
Regulamentação da reforma tributária, pacote de corte de gastos e renegociação das dívidas dos estados foram alguns dos assuntos da pauta econômica que dominaram o debate no Senado em 2024. Segundo um levantamento da Secretaria-Geral da Mesa (SGM), o Senado debateu e votou no ano um total 1.197 proposições. Foram 408 projetos de lei, 11 medidas provisórias, 56 projetos de resolução, 272 projetos de decretos legislativos, além de 7 propostas de emenda à Constituição (PECs), 17 projetos de lei complementar e 389 requerimentos.
O mês recordista de aprovações em 2024 foi setembro, quando o Plenário analisou 189 proposições, seguido de dezembro, com 173, e junho, com 154 matérias votadas.
Entre os temas que passaram pelo crivo dos senadores e impactaram a sociedade em 2024 destacam-se a regulamentação da reforma tributária, a reforma do Novo Ensino Médio e as sanções do Pacote Antifeminicídio e da Política de Manejo Integrado do Fogo. Do total de proposições discutidas e aprovadas, 243 são relacionadas à infraestrutura; 173, à temática social; 147, à economia; 21 às relações internacionais; 11 à segurança pública e 10 a esportes.
Economia
Em dezembro o Senado aprovou a regulamentação da reforma tributária. Relatado pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM), o Projeto de Lei Complementar (PLP) 68/2024, do Poder Executivo, aguarda sanção. O texto contém detalhes sobre cada regime com redução ou isenção de incidência, a devolução de tributos para consumidores de baixa renda (cashback), a compra internacional pela internet e a vinculação dos mecanismos de pagamento com sistema de arrecadação.
Já a Emenda Constitucional 135, que tem o objetivo de diminuir as despesas obrigatórias do governo federal e integra o pacote de corte de gastos, foi promulgada em 20 de dezembro. O texto teve origem na PEC 54/2024, também aprovada em dezembro. Com a emenda e outros dois projetos aprovados (PLP 210/2024 e o PL 4.614/2024) o governo federal espera economizar R$ 70 bilhões em 2025 e 2026.
Mulheres
De acordo com os dados da SGM, o Senado aprovou 27 proposições voltadas à temática das mulheres em 2024. Um exemplo dessas iniciativas foi a sanção do Pacote Antifeminicídio em outubro. A legislação surgiu do PL 4.266/2023, da então senadora Margareth Buzetti (MT) que prevê o aumento para até 40 anos de prisão para o crime de feminicídio, maior previsto na legislação penal, equiparando o feminicídio aos crimes hediondos. Para lesão corporal, a pena passou a ser de até cinco anos. A progressão de regime também foi alterada, e só ocorrerá após 55% do cumprimento da sentença, conforme a legislação aprovada pelos senadores.
Meio ambiente
Na pauta ambiental, o Senado votou 33 proposições, entre as quais a que deu origem à Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo. Sancionado em agosto, o texto estabelece diretrizes para o uso do fogo em áreas rurais e busca promover a substituição gradual das queimadas por técnicas alternativas, especialmente em comunidades tradicionais e indígenas que possuem práticas relacionadas ao manejo do fogo.
Também na temática ambiental, foi aprovado e se tornou lei o substitutivo da senadora Leila Barros (PDT-
DF), presidente da Comissão de Meio Ambiente, ao projeto que regulamenta o mercado de crédito de carbono no Brasil (PL 182/2024). O mercado de carbono permite que empresas e países compensem suas emissões por meio da compra de créditos vinculados a iniciativas de preservação ambiental.
Educação e Saúde
Na pauta da educação, o Senado aprovou 37 matérias. Como exemplo, houve a sanção lei que alterou o Novo Ensino Médio. As mudanças, aprovadas pelo Congresso no início de julho, são provenientes do PL 5.230/2023, de autoria do Poder Executivo. O projeto alterou a lei de 2017 que instituiu o Novo Ensino Médio para adequar à realidade das escolas as alternativas de formação apresentadas aos estudantes.
A restrição do uso de celulares por estudantes em escolas é outro exemplo de projeto da área educacional aprovado pelo Senado em 2024. Aguarda sanção presidencial o o texto do PL 4.932/2024, cujo propósito é proteger a saúde mental, física e psíquica de crianças e adolescentes em todo o país.
Já na área da saúde, 27 proposições foram aprovadas ao longo do ano. Entre essas iniciativas, aguarda sanção presidencial projeto que cria a Política Nacional de Cuidados, para garantir direitos e promover melhorias nas relações profissionais ou voluntárias de cuidado, inclusive nas relações familiares. O PL 5.791/2019 foi votado em Plenário no dia 5 de dezembro.
Social
Um total de 173 proposições legislativas trataram da área social no Senado. Uma delas, o projeto de lei que restringe o acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) e limita o aumento real do salário mínimo (PL 4.614/2024) faz parte do pacote de corte de gastos do governo. Pelas novas regras, o reajuste do salário mínimo acima da inflação deverá ser de, no máximo, 2,5% de crescimento da despesa primária. O texto aguarda sanção.
Outra matéria da área social analisada pelo Senado foi o PL 6.012/2023- SCD, que torna permanente o mecanismo para facilitar empréstimos bancários aos pequenos negócios e permite o uso de R$ 4 bilhões do Fundo Garantidor de Operações (FGO) para o Programa Pé-de-Meia, que incentiva a permanência de estudantes carentes no ensino médio. Aprovado em Plenário no dia 19 de dezembro, a proposição seguiu para sanção.
Empreendedorismo
O setor do empreendedorismo também recebeu atenção especial do Senado em 2024. A área teve 23 proposições legislativas aprovadas, a exemplo do PLN 28/2024, que reduz o tempo para abertura de empresas e da meta de matrículas no ensino superior para jovens de 18 a 24 anos. O texto incluiu no Plano Plurianual (PPA) o programa “Empreendedorismo e Inclusão Socioprodutiva”, que tem como um dos objetivos reduzir o tempo para a abertura de empresas no país.
Infraestrutura
Na área da infraestrutura, o Senado aprovou 243 matérias como o projeto de lei que institui o Programa de Aceleração da Transição Energética (Paten), para incentivar a substituição de matrizes energéticas poluentes por fontes de energia renovável. O PL 327/2021 aguarda sanção.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Nacional
Lei da Profissão Multimídia provoca reação de sindicatos e divide o setor de comunicação
Nova legislação sancionada pelo presidente Lula reacende debate sobre acúmulo de funções, precarização do trabalho e futuro do jornalismo e do rádio
A sanção da Lei nº 15.325/2026, publicada nesta quarta-feira (7) no Diário Oficial da União, colocou novamente no centro do debate nacional o futuro das profissões da comunicação. A nova norma reconhece oficialmente a profissão de multimídia, permitindo que um único profissional atue na produção, edição e distribuição de conteúdos audiovisuais e digitais.
A medida, no entanto, gerou forte reação de jornalistas e radialistas, que veem na lei um risco direto à regulamentação das categorias. Já as emissoras de rádio e TV defendem a mudança como um avanço necessário diante da convergência tecnológica.
Sindicatos falam em prejuízo aos trabalhadores
Em nota conjunta, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os 31 sindicatos filiados e o Movimento Nacional dos Radialistas (MNR) afirmaram que a nova legislação representa um ataque direto às profissões regulamentadas, além de abrir espaço para insegurança jurídica e precarização das relações de trabalho.
Segundo as entidades, as atribuições previstas para o profissional multimídia já são garantidas, por lei, aos jornalistas e radialistas. A crítica central é que a nova norma permite o acúmulo de funções sem regras claras, o que pode beneficiar empresas e sobrecarregar os trabalhadores.
“As entidades representativas vão tomar as medidas legais necessárias para preservar as profissões frente a mais essa aberração legislativa,”diz o comunicado.
Outro ponto destacado é a ausência de diálogo durante a tramitação do projeto. Os sindicatos afirmam que não foram ouvidos e que a lei não define carga horária, exigência de registro profissional ou formação específica para a nova atividade.
A Fenaj também demonstrou surpresa com a sanção presidencial.
“Causa estranhamento que um governo com origem no movimento dos trabalhadores tenha sancionado a proposta sem vetos,”afirmou a federação.
Emissoras defendem modernização
Em posição oposta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) avaliou a lei como um passo importante para adequar o setor às transformações tecnológicas.
Para a entidade, o reconhecimento da profissão de multimídia traz clareza a um mercado cada vez mais marcado pela atuação em múltiplas plataformas.
O presidente-executivo da Abert, Cristiano Lobato Flôres, destacou que a legislação acompanha a realidade atual da comunicação.
“A nova lei está alinhada à convergência tecnológica do setor, que exige atuação transversal, adaptação constante e atualização permanente dos profissionais,”afirmou.
O que muda com a nova lei
De acordo com a Lei nº 15.325/2026, o profissional multimídia pode ser de nível técnico ou superior e atuar na criação, produção, captação, edição, planejamento, gestão, programação, publicação e distribuição de conteúdos de som, imagem, vídeo, animação e texto em meios eletrônicos e digitais.
A legislação inclui atividades como:
gestão de sites, portais e redes sociais;
desenvolvimento de aplicativos, jogos e animações;
produção e direção de conteúdos audiovisuais.
A atuação é permitida em empresas públicas e privadas, incluindo emissoras de rádio e TV, produtoras de conteúdo, agências de publicidade e plataformas digitais. A lei também autoriza que profissionais de outras áreas assumam funções multimídia por meio de aditivo contratual, desde que haja acordo com o empregador.
Tema deve render novos embates
A sanção da lei expõe um embate antigo entre inovação tecnológica e direitos trabalhistas. Enquanto empresas defendem flexibilidade para acompanhar o mercado digital, trabalhadores alertam para o risco de perda de identidade profissional e de garantias históricas.
O debate promete avançar nos sindicatos, no Congresso e possivelmente no Judiciário — e a WebTV Mato Grosso segue acompanhando os desdobramentos de uma mudança que impacta diretamente quem vive da comunicação no Brasil.