Rondonópolis
Começa projeto de qualificação para os indígenas da aldeia Tadarimana
Rondonópolis
A Aula Inaugural do Projeto Boe Bororo aconteceu na tarde desta segunda-feira (10) no auditório do Paço Municipal e contou com a presença de dezenas de indígenas da aldeia Tadarimana. Serão 14 cursos com certificação para até 270 pessoas. As aulas começarão efetivamente na comunidade nesta terça (11). O objetivo é ofertar capacitações para que os índios possam trabalhar com as profissões de modo a propagar a cultura indígena e terem mais independência financeira e, por fim, mais qualidade de vida. O projeto está sendo desenvolvido pela prefeitura de Rondonópolis, através da Secretaria de Ciências, Tecnologia e Inovação em parceria com a Obra Kolping.
Participaram da aula, o prefeito José Carlos do Pátio, a secretária de Ciências, Tecnologia e Inovação, Neiva de Cól, o diretor da Obra Kolping, Jhonatan Guimarães e a presidente da Associação de Mulheres Indígenas Bóe Bororo, Sônia Bokaji, entre outros.
Todos os cursos serão ofertados gratuitamente e os equipamentos usados para as aulas práticas serão deixados na Aldeia Tadarimana para a prática desses profissionais. Os indígenas poderão se qualificar em vários tipos de artesanatos cursos específicos da cultura para que possam comercializar os produtos; também estão sendo ofertados cursos de cabeleireiro (masculino e feminino), designer de sobrancelhas, modelagem e costura, estamparia, panificação, salgadeiro, confeitaria tradicional, inclusão digital e rotinas administrativas.
Durante a aula inaugural, o prefeito José Carlos, anunciou que para dar mais autonomia aos indígenas, será instalada a internet na escola “Leosídio Fermau” e colocado wi-fi na praça de esportes e lazer que está sendo construída no centro da aldeia Tadarimana. Também confirmou que um box comercial do Distrito de Boa Vista será destinado para a venda de artesanato produzido pelos índios, como forma de fortalecer a cultura e gerar renda. Durante o evento ainda anunciou que serão doadas caixas d´água para as casas que necessitarem e adiantou que pretende construir uma nova unidade de saúde na aldeia para atender a comunidade.
“Estamos valorizando a cultura indígena e trabalhando para que tenham maior autoestima e autonomia, levando as qualificações e dando oportunidade para que eles possam mostrar a cultura. Nesta gestão, estamos investindo algo em torno de R$ 10 milhões na comunidade indígena, para a valorização dos povos originários”, afirmou o prefeito.
A indígena Sônia, que representou o cacique da aldeia, assegurou a gratidão de todos da aldeia destacando que as pessoas nem imaginam o quando esses cursos são importantes para os indígenas. “Queremos agradecer muito, porque cada curso é importante, mas principalmente os de tecnologia. Esses cursos não acabam com a cultura indígena, mas sim, fortalecem. O que acaba com a cultura é o álcool e também as drogas, que apesar de poucos casos, elas também chegaram lá!”.
Para Neiva de Cól, a iniciativa visa a organização de uma cadeia produtiva. “Quem faz o curso de costura pode dar andamento no produto com estamparia, com desenhos e ilustrações da cultura indígena. Depois podem organizar o processo de produção e de gestão e assim se organizarem e comercializarem os produtos valorizando a cultura indígena.
A aula inaugural foi prestigiada pelos secretários municipais de Agricultura, Ramon Borges, de Promoção e Assitência Social, Fabiana Perez, de Cultura, Pedro Augusto Araújo, de Esportes e Lazer, Chirlei Daiane da Silva, dos vereadores Kasa Grande – Orivaldo Moreira, Marildes Ferreira e Reginaldo Santos.
Cidades
Justiça nega liminar a Mariúva e caminho fica aberto para convocação de Adonias na Câmara de Rondonópolis
Decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública considerou legal o ato do presidente Paulo Schuh que declarou a extinção do mandato da vereadora
A Justiça de Mato Grosso decidiu, nesta quarta-feira (3), manter a extinção do mandato da vereadora Mariúva Valentin Chaves da Silva (MDB) e negou o pedido de liminar apresentado pela parlamentar para tentar suspender a decisão tomada pela Câmara Municipal de Rondonópolis.
Na prática, a decisão do juiz Jorge Hassib Ibrahim, da 2ª Vara Especializada da Fazenda Pública, retira o principal obstáculo judicial que impedia o avanço da convocação do suplente.
Com isso, o ex-vereador Adonias Fernandes (MDB), primeiro suplente da coligação, deve ser convocado para assumir a vaga. Adonias já foi vereador de Rondonópolis por cinco mandatos.
Justiça considerou legal o ato do presidente da Câmara
Mariúva entrou na Justiça questionando o procedimento adotado pelo presidente da Câmara, Paulo Schuh (PL), que declarou a extinção do mandato durante a 81ª Sessão Ordinária, realizada no dia 26 de agosto.
Entre os argumentos apresentados pela vereadora estava a alegação de que o presidente não poderia ter tomado a decisão sozinho e que a competência seria da Mesa Diretora. Ela também sustentou que não teve direito de defesa.
Os argumentos, porém, não foram aceitos pelo juiz.
Na decisão, o magistrado entendeu que a atuação do presidente da Câmara teve caráter declaratório. Em outras palavras, segundo a Justiça, Schuh não estaria aplicando uma nova punição à vereadora, mas apenas formalizando uma consequência jurídica que já havia ocorrido em razão de uma condenação criminal definitiva.
Mas por que o mandato foi extinto?
O ponto principal está na suspensão dos direitos políticos de Mariúva em razão de uma condenação criminal que já transitou em julgado, ou seja, não cabe mais recurso naquela decisão.
A Constituição Federal estabelece que a condenação criminal definitiva provoca a suspensão dos direitos políticos enquanto durarem seus efeitos.
O juiz também citou entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal de que essa suspensão ocorre de forma automática, não dependendo de uma nova votação ou de um processo dentro da Câmara.
Por esse entendimento, a Câmara apenas reconhece oficialmente a situação.
E por que Adonias pode assumir?
É justamente aí que entra o ex-vereador Adonias Fernandes.
O juiz citou o artigo 8º, parágrafo 1º, do Decreto-Lei nº 201/1967. A legislação determina que, quando estiver comprovada a causa de extinção do mandato, o presidente da Câmara deve comunicar o Plenário, registrar a decisão em ata e convocar imediatamente o suplente.
Por isso, com a liminar negada, o caminho fica aberto para que a Câmara avance na convocação do primeiro suplente.
Na prática, a decisão judicial mantém a extinção do mandato de Mariúva e permite que o processo de substituição siga adiante.
O que acontece agora?
A partir da decisão, a expectativa é que a Câmara Municipal dê sequência aos procedimentos necessários para a convocação de Adonias Fernandes.
A decisão desta quarta-feira não representa uma condenação nova contra Mariúva. O que está sendo discutido na Justiça é a validade do procedimento adotado pela Câmara para declarar a extinção do mandato diante da situação jurídica já existente.
O caso ainda pode ter novos desdobramentos judiciais, mas, neste momento, a liminar que poderia suspender a extinção do mandato foi negada e não há, nessa decisão, impedimento para a convocação do suplente.
A população agora acompanha os próximos passos dentro da Câmara, que poderá confirmar a convocação e, posteriormente, a posse de Adonias Fernandes para ocupar a cadeira deixada por Mariúva.
