Search
Close this search box.

Norma municipal de 2019 previa que concessionárias de veículos arcassem com o plantio, mas foi deixada de lado pela atual gestão.

Prefeitura de Rondonópolis pretende investir cerca de R$ 12 milhões em compra de mudas de árvores e ignora lei que poderia reduzir gastos públicos

Publicados

Cidades

 A decisão da Prefeitura de Rondonópolis de investir cerca de mais de R$ 12 milhões na compra de mudas de árvores reacendeu um debate sobre o uso dos recursos públicos e o papel da iniciativa privada na compensação ambiental.

Isso porque uma lei aprovada em 2019, de autoria do então vereador João Moto Táxi, já previa que parte desse trabalho deveria ser bancada pelas concessionárias de veículos da cidade.

A Lei nº 10.523/2019 determina que cada carro novo vendido em Rondonópolis deve ser compensado com o plantio de uma árvore, e que a cada cinco motos vendidas, também deve ocorrer o plantio de outra. O texto foi criado para estimular a responsabilidade ambiental compartilhada, evitando que a conta ficasse apenas nas mãos do poder público.

Na prática, porém, o dispositivo não vem sendo aplicado. Enquanto a norma permanece esquecida nos arquivos municipais, a atual gestão optou por licitar a compra direta de mudas, em um contrato que pode chegar a R$ 12,3 milhões, conforme publicação oficial.

Um custo que poderia ser dividido

Especialistas em sustentabilidade e políticas públicas apontam que, se a lei estivesse em vigor, parte significativa do plantio poderia ser feita pelo setor privado, gerando economia e ampliando a participação das empresas locais em ações de reflorestamento.

A proposta, além de aliviar o orçamento da prefeitura, incentivaria uma cultura de corresponsabilidade ambiental, envolvendo as concessionárias e fabricantes na compensação pelos impactos da frota crescente na cidade.

Leia Também:  Nova gestão almeja consolidar governo digital para modernizar serviços e reduzir burocracia

Apesar disso, a Prefeitura seguiu outro caminho: abriu licitação para adquirir milhares de mudas — nativas, ornamentais e frutíferas — com previsão de plantio em praças, canteiros e vias públicas nos próximos três anos.

O problema, segundo críticos, é que o valor estimado e a ausência de parceria com o setor privado levantam dúvidas sobre o equilíbrio entre gasto e resultado. Há quem questione se o investimento milionário não poderia ter sido menor caso a lei tivesse sido colocada em prática.

 Preços e transparência

Levantamentos de mercado apontam diferenças expressivas entre os valores previstos em edital e os preços médios praticados por viveiros e produtores locais.

Algumas espécies aparecem orçadas até cinco vezes acima do valor de referência, o que reforça o debate sobre a transparência do processo e a necessidade de acompanhamento social dos gastos ambientais da cidade.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agricultura argumenta que o valor licitado representa um teto máximo, e que nem todas as mudas serão adquiridas de uma só vez. Segundo a pasta, o contrato permitirá plantios graduais ao longo de três anos, com espécies de porte médio a grande, o que justificaria o custo unitário mais elevado.

Responsabilidade dividida ou concentrada?

Para muitos observadores, a discussão ultrapassa o campo financeiro e alcança uma questão de gestão ambiental moderna: quem deve pagar pela compensação ecológica?

A prefeitura, que arrecada e administra os recursos públicos, ou as empresas que lucram com atividades que impactam o meio ambiente?

Leia Também:  Em passagem por Cuiabá, Aranyn faz show no Teatro Zulmira com ingresso solidário

Na visão de ambientalistas, aplicar a Lei nº 10.523/2019 seria um passo importante rumo à responsabilidade compartilhada, modelo em que o poder público atua como fiscalizador e articulador — e não como único executor do plantio.

O ex-vereador João Moto Táxi, autor da proposta, defende que a medida foi pensada justamente para equilibrar o compromisso ambiental entre o poder público e a iniciativa privada, reduzindo custos e ampliando o alcance das ações de reflorestamento urbano.

 A importância da arborização

Independente da polêmica, é consenso que Rondonópolis precisa ampliar sua cobertura vegetal. O aumento das temperaturas, o avanço do asfalto e o crescimento desordenado da cidade já exigem políticas consistentes de reflorestamento urbano.

Mais árvores significam menos calor, melhor infiltração da água da chuva, sombreamento em vias públicas e maior qualidade de vida — benefícios que se estendem tanto ao centro quanto aos bairros mais afastados.

 O que fica no ar

A decisão da Prefeitura de investir alto na compra de mudas, sem acionar os mecanismos previstos em lei, levanta uma pergunta simples, mas essencial.


Por que gastar milhões em algo que poderia ser, ao menos em parte, custeado pelas próprias concessionárias?

Enquanto a resposta oficial não vem, a cidade observa — entre o verde que ainda falta e o orçamento que já sai do bolso do contribuinte.

Propaganda

Cidades

Justiça nega liminar a Mariúva e caminho fica aberto para convocação de Adonias na Câmara de Rondonópolis

Publicados

em

Decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública considerou legal o ato do presidente Paulo Schuh que declarou a extinção do mandato da vereadora

A Justiça de Mato Grosso decidiu, nesta quarta-feira (3), manter a extinção do mandato da vereadora Mariúva Valentin Chaves da Silva (MDB) e negou o pedido de liminar apresentado pela parlamentar para tentar suspender a decisão tomada pela Câmara Municipal de Rondonópolis.

Na prática, a decisão do juiz Jorge Hassib Ibrahim, da 2ª Vara Especializada da Fazenda Pública, retira o principal obstáculo judicial que impedia o avanço da convocação do suplente.

Com isso, o ex-vereador Adonias Fernandes (MDB), primeiro suplente da coligação, deve ser convocado para assumir a vaga. Adonias já foi vereador de Rondonópolis por cinco mandatos.

Justiça considerou legal o ato do presidente da Câmara

Mariúva entrou na Justiça questionando o procedimento adotado pelo presidente da Câmara, Paulo Schuh (PL), que declarou a extinção do mandato durante a 81ª Sessão Ordinária, realizada no dia 26 de agosto.

Entre os argumentos apresentados pela vereadora estava a alegação de que o presidente não poderia ter tomado a decisão sozinho e que a competência seria da Mesa Diretora. Ela também sustentou que não teve direito de defesa.

Leia Também:  Em passagem por Cuiabá, Aranyn faz show no Teatro Zulmira com ingresso solidário

Os argumentos, porém, não foram aceitos pelo juiz.

Na decisão, o magistrado entendeu que a atuação do presidente da Câmara teve caráter declaratório. Em outras palavras, segundo a Justiça, Schuh não estaria aplicando uma nova punição à vereadora, mas apenas formalizando uma consequência jurídica que já havia ocorrido em razão de uma condenação criminal definitiva.

Mas por que o mandato foi extinto?

O ponto principal está na suspensão dos direitos políticos de Mariúva em razão de uma condenação criminal que já transitou em julgado, ou seja, não cabe mais recurso naquela decisão.

A Constituição Federal estabelece que a condenação criminal definitiva provoca a suspensão dos direitos políticos enquanto durarem seus efeitos.

O juiz também citou entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal de que essa suspensão ocorre de forma automática, não dependendo de uma nova votação ou de um processo dentro da Câmara.

Por esse entendimento, a Câmara apenas reconhece oficialmente a situação.

E por que Adonias pode assumir?

É justamente aí que entra o ex-vereador Adonias Fernandes.

O juiz citou o artigo 8º, parágrafo 1º, do Decreto-Lei nº 201/1967. A legislação determina que, quando estiver comprovada a causa de extinção do mandato, o presidente da Câmara deve comunicar o Plenário, registrar a decisão em ata e convocar imediatamente o suplente.

Leia Também:  Nova gestão almeja consolidar governo digital para modernizar serviços e reduzir burocracia

Por isso, com a liminar negada, o caminho fica aberto para que a Câmara avance na convocação do primeiro suplente.

Na prática, a decisão judicial mantém a extinção do mandato de Mariúva e permite que o processo de substituição siga adiante.

O que acontece agora?

A partir da decisão, a expectativa é que a Câmara Municipal dê sequência aos procedimentos necessários para a convocação de Adonias Fernandes.

A decisão desta quarta-feira não representa uma condenação nova contra Mariúva. O que está sendo discutido na Justiça é a validade do procedimento adotado pela Câmara para declarar a extinção do mandato diante da situação jurídica já existente.

O caso ainda pode ter novos desdobramentos judiciais, mas, neste momento, a liminar que poderia suspender a extinção do mandato foi negada e não há, nessa decisão, impedimento para a convocação do suplente.

A população agora acompanha os próximos passos dentro da Câmara, que poderá confirmar a convocação e, posteriormente, a posse de Adonias Fernandes para ocupar a cadeira deixada por Mariúva.

Continue lendo

RONDONÓPOLIS

POLÍTICA

MATO GROSSO

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA