Jovens com ensino médio lideram contratações; setor de serviços puxa saldo positivo
Região de Rondonópolis cria quase 2 mil novos empregos formais em junho
Agronegócio
A região de Rondonópolis voltou a apresentar saldo positivo na geração de empregos com carteira assinada. Segundo dados do Cadastro de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, foram registradas 10.646 admissões formais no mês de junho, contra 8.760 desligamentos — o que resultou em um saldo de 1.886 novos postos de trabalho.
O recorte revela que a maioria dos contratados é formada por jovens entre 18 e 24 anos, com ensino médio completo. Do total de admissões, 7.274 foram homens e 6.301 pessoas possuíam essa escolaridade.
Entre os setores que mais puxaram o crescimento, o de serviços lidera com 3.317 novas vagas, seguido pela agropecuária, que registrou 2.585 contratações, e o comércio, com 2.271. A indústria e a construção civil também contribuíram para o bom desempenho da região.
Perfil dos novos contratados
O dinamismo econômico tem favorecido principalmente os mais jovens, que encontram nas contratações formais a porta de entrada para o mercado de trabalho. Esse é o caso de Ana Luiza*, de 20 anos, que conquistou seu primeiro emprego em uma rede de supermercados de Rondonópolis. “Estou muito feliz. Com a carteira assinada, me sinto mais segura e com chances reais de crescimento profissional”, conta.
A predominância de trabalhadores com ensino médio completo nas admissões reforça a importância da formação básica na hora de buscar oportunidades.
Trabalho temporário ganha espaço
O levantamento do Caged também mostrou que o Brasil registrou 88.025 contratações temporárias em junho. E essa modalidade vem ganhando espaço em tempos de sazonalidade e ajustes no mercado.
Mesmo com tempo determinado, o trabalho temporário garante direitos como carteira assinada, 13º proporcional, férias, FGTS, recolhimento ao INSS e jornada regulamentada. Pela legislação vigente (Lei 6.019/74), o contrato pode durar até 180 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 90 dias. Caso o desempenho seja positivo, a efetivação também é uma possibilidade durante esse período.
Desempenho nacional acompanha tendência
O saldo positivo na região de Rondonópolis reflete uma movimentação também observada no cenário nacional. Em junho, o Brasil registrou 2.139.182 admissões e 1.972.561 desligamentos, com saldo final de 166.621 novos empregos com carteira assinada.
Todos os principais setores da economia apresentaram crescimento, com destaque para o setor de serviços — especialmente nas áreas de tecnologia, finanças e atividades profissionais e administrativas.
Municípios da região
Os dados abrangem toda a região de Rondonópolis, que inclui os municípios de Alto Araguaia, Alto Garças, Alto Taquari, Campo Verde, Dom Aquino, Gaúcha do Norte, Guiratinga, Itiquira, Jaciara, Juscimeira, Paranatinga, Pedra Preta, Poxoréu, Primavera do Leste, Santo Antônio do Leste, São José do Povo, São Pedro da Cipa e Tesouro.
Com um mercado em recuperação e oportunidades se abrindo em diversas áreas, a expectativa é de que os próximos meses mantenham a tendência de crescimento no número de empregos formais — fortalecendo o desenvolvimento da região e garantindo novas perspectivas para quem busca uma colocação no mercado.
Agronegócio
Rondonópolis e o Agro: o Coração Produtivo que Nem Sempre Entra no Radar dos Rankings
Quando se fala em agronegócio no Brasil, a imagem que vem à mente de muitos é a de vastos campos de soja e milho, tratores no amanhecer e caminhões carregados rumando aos portos. Em Mato Grosso, esse cenário é ainda mais forte: o estado abriga 36 dos 100 municípios mais ricos do agronegócio brasileiro, segundo levantamento do Ministério da Agricultura e Pecuária com base nos dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) do IBGE.
No topo desse ranking nacional estão cidades como Sorriso, Sapezal e Campo Novo do Parecis, todas no interior de Mato Grosso. Sorriso, por exemplo, lidera com folga o valor da produção agrícola — impulsionada principalmente pela soja — e é considerada por muitos a “capital nacional do agronegócio”.
Mas e Rondonópolis? A cidade que carrega o brasão do agronegócio em sua economia não aparece na lista dos 100 municípios mais ricos em produção agrícola no Brasil.
Uma economia que pulsa além dos campos
O fato de não figurar no ranking oficial pode surpreender quem vive e respira a rotina produtiva do município. Rondonópolis é um dos principais polos de apoio logístico ao agronegócio no Centro-Oeste brasileiro, ponto estratégico de escoamento de grãos e insumos, e um dos maiores exportadores do estado.
Dados mostram que o município segue gerando emprego e renda em diversas frentes, embora a agropecuária — isoladamente — não domine a balança de criação de postos de trabalho como em outras cidades do interior.
O ex vereador Reginaldo Santos, crítico à ausência de Rondonópolis no ranking, aponta que esse cenário pode resultar de critérios específicos usados pelo IBGE para medir a produção agrícola municipal. Ele defende que a cidade tem força econômica suficiente para merecer destaque e alerta para a importância de uma imagem positiva para atrair investimentos.
Mais do que números: o papel humano do agro em Rondonópolis
Para os moradores, produtores e trabalhadores rurais, a presença do agronegócio vai além de estatísticas: ela molda histórias de vida, sustenta famílias e impulsiona negócios locais. Do pequeno produtor que colhe sua primeira safra ao caminhoneiro que cruza rodovias estaduais carregando soja, o setor está no dia a dia de muita gente.
Agronegócio, aqui, não é apenas um título econômico — é carne, é coragem e é identidade.
O que diz o ranking do agro
O levantamento do Ministério da Agricultura considerou o valor da produção agrícola municipal, resultado da soma de 70 produtos das lavouras temporárias e permanentes. Os municípios que lideram essa lista são responsáveis por uma parte significativa da economia agro do país, com destaque para a soja, que representa cerca de 42,8% do valor total produzido.
Mesmo fora desse “Top 100”, Rondonópolis segue sendo um ator importante na cadeia produtiva: seus esforços logísticos, industriais e de apoio ao campo fortalecem toda a economia mato-grossense. O agronegócio por aqui é feito de chão batido, rodas de caminhão na madrugada e sonhos que desabrocham na colheita — muito além de um número num ranking.