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Escola de Pais: juíza da Infância e Juventude sugere acompanhamento para mudança cultural

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Protagonistas. É sob essa perspectiva mestra que o Poder Judiciário de Mato Grosso atua nos casos envolvendo crianças e adolescentes em situação de violência, oferecendo todo acolhimento e acompanhamento multidisciplinar necessários em meio ao trâmite processual. Mas, segundo juíza titular da 1ª Vara Especializada da Infância e Juventude da Comarca de Cuiabá, Gleide Bispo dos Santos, é preciso um trabalho contínuo de educação e conscientização dos adultos, a fim de romper, dentro das casas, a cultura da agressão como instrumento de correção.
 
Nesse sentido, a magistrada estuda implementar na Vara de sua titularidade a Escola de Pais, iniciativa voltada aos pais e responsáveis dessas crianças e adolescentes.
 
A proposta visa realizar um acompanhamento contínuo com equipe interdisciplinar, formada por psicólogos e assistentes sociais, por exemplo. “Por incrível que pareça, a violência física ainda está muito presente na vida das nossas crianças. Temos casos muito peculiares que cortam nosso coração. Crianças e adolescentes ainda são torturados, apanham com chicote de cavalo, sofrem queimaduras com bitucas de cigarro, por exemplo”, lamentou a juíza em entrevista ao Jornal da rádio CBN (95,9 FM).
 
Na ocasião, a magistrada apresentou dados alarmantes. Segundo ela, 68% dos crimes acontecem dentro da residência da vítima e 81,5% dos agressores são conhecidos. “Percebemos que houve um aumento significativo desses números depois da pandemia. Nos deparamos com as mais diversas violações de direitos. E quando pensamos que já vimos de tudo, surge uma nova situação que nos entristece”.
 
De acordo com a juíza, são indiscutíveis os avanços trazidos por meio do Estatuto da Criança e Adolescente (Lei nº 8069/1990). “É uma lei moderna e humanizada que trata a criança e o adolescente como sujeito de direito. Às vezes, é mal interpretada pelo senso comum. Mas o caminho para toda sociedade brasileira é esse empoderamento, investindo nas crianças de 0 a 6 anos, da chamada primeira infância, e também nas de 6 a 14 anos, para que tenhamos um futuro melhor”.
 
No entanto, a magistrada aponta que é preciso mais ações de educação e conscientização dos adultos, especialmente pais e familiares. “Saímos de um ritmo de disciplina por agressão, antes do ECA, e os pais não tiveram o incentivo à educação para entender que esse não é o caminho. Eles dizem: ‘Eu apanhei. Por que meus filhos não podem também?’ Então, as crianças estão à mercê. Precisamos mudar esse tratamento, que deve ser mais humanizado. E essa mudança deve começar dentro de casa”.
 
Atendimento Especializado – A magistrada também defendeu a criação de um Centro Especializado de Atendimento Médico e Psicológico Social, assim como um hospital voltado às crianças e adolescentes. “Isso porque nem sempre conseguimos tratamento para todos. Infelizmente, temos uma deficiência por parte do município e do Estado”, ponderou. “Mas temos esperança. Estamos sempre procurando o diálogo com os agentes políticos para a sensibilização e investimento nas crianças e adolescentes”, completou.
 
A 1ª Vara Especializada da Infância e Juventude da Comarca de Cuiabá realiza ações ao longo do ano, mas em maio, durante a campanha Maio Laranja, dedicada à conscientização sobre o combate ao abuso e à exploração sexual infantil, o Ministério Público Estadual lançou a campanha “Quando o abuso surge, a infância desaparece”, que conta com a parceria do TJMT.
 
Essa iniciativa visa levar esclarecimentos à população sobre os diversos tipos de violência que afetam crianças e adolescentes. Contudo, várias ações ocorrem ao longo de todo ano.
 
A ação também busca divulgar e estimular os canais de denúncia: Disque Direitos Humanos (Disque 100), Polícia Militar (Disque 190) e Polícia Civil (Disque 197). “Quando o abuso surge, é devastador. Se não houver uma assistência, as consequências são muito graves”, reforça a magistrada.
 
A íntegra da entrevista, conduzida pelos jornalistas Camila Ribeiro e Pedro Panock, pode ser conferida no link https://www.youtube.com/live/rInI581rrgk?si=VqT6azzjN4fT_KJ8 .
 
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Talita Ormond
Núcleo de Comunicação Interna
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Afastamento cautelar da juíza Maria das Graças é administrativo, não envolve investigação criminal, esclarecem defesa e AMAM

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O afastamento cautelar da juíza Maria das Graças Gomes da Costa, da Comarca de Rondonópolis, determinado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, não possui qualquer relação com investigação criminal, nem envolve imputação de crime ou conduta ilícita. O esclarecimento foi feito oficialmente pela defesa técnica da magistrada e pela Associação Mato-grossense dos Magistrados, após a circulação de informações consideradas distorcidas sobre o caso.
De acordo com as manifestações oficiais, a medida decorre exclusivamente da instauração de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), de natureza estritamente administrativa, previsto nas normas do Conselho Nacional de Justiça. Trata-se de uma providência cautelar, preventiva e temporária, adotada sem qualquer juízo definitivo de responsabilidade.
A defesa da magistrada esclarece que não existe, em nenhuma instância, investigação criminal em curso contra Maria das Graças. O entendimento adotado pelo Tribunal refere-se a uma avaliação cautelar relacionada ao suposto não cumprimento imediato de uma decisão judicial, contudo, segundo a defesa, a magistrada sequer havia sido intimada formalmente da referida decisão, inexistindo obrigação resistida.
Outro ponto destacado é que o procedimento tramita sob segredo de justiça, o que torna irregular e ilegal a divulgação de detalhes ou versões não oficiais. Segundo a defesa, o vazamento de informações distorcidas gera desinformação e tem como efeito o enfraquecimento indevido da imagem pessoal e profissional da juíza, que possui mais de 40 anos de atuação no Poder Judiciário, sem qualquer registro de sanção ou mancha funcional.
O afastamento foi fixado inicialmente pelo prazo de 90 dias, com manutenção integral da remuneração, podendo ser revisto a qualquer momento pelo Tribunal. Tanto a defesa quanto a AMAM reforçam que a medida não possui caráter punitivo, sendo apenas um instrumento cautelar administrativo até a completa apuração dos fatos.
Em nota pública, a Associação Mato-grossense dos Magistrados ressaltou a trajetória da juíza Maria das Graças, marcada pelo exercício da magistratura com ética, compromisso institucional e respeito às garantias constitucionais. A entidade reafirmou ainda sua confiança no devido processo legal, no contraditório e na ampla defesa, princípios que norteiam o Estado Democrático de Direito.
As informações foram oficialmente repassadas pela defesa técnica da magistrada, representada pelo advogado Dr. Thiago Ranniere, com base na decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, e confirmadas pela Associação Mato-grossense dos Magistrados.
Fontes e referências institucionais
Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Conselho Nacional de Justiça, Associação Mato-grossense dos Magistrados, Nota oficial da defesa técnica da magistrada.

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