Promessa x Realidade será que funcionou?
Promessa x Realidade: Cláudio Ferreira reduziu secretarias, mas custo da máquina pública continua em alta
Cidades
Reforma administrativa muda o desenho da prefeitura, mas não entrega a economia prometida.
Durante a campanha, o prefeito Cláudio Ferreira (PL) fez uma promessa que soou bem aos ouvidos da população: “enxugar a máquina pública.”
A ideia era simples — menos secretarias, menos gastos, mais eficiência.
Mas, na prática, o que se vê em Rondonópolis é uma gestão com estrutura menor no papel e custos que ainda desafiam o discurso da economia.
Logo nos primeiros meses de 2025, a reforma administrativa entrou em vigor.
Pastas foram fundidas, outras extintas. O organograma da prefeitura ficou visualmente mais leve. Porém, uma leitura atenta dos Diários Oficiais mostra um movimento intenso de nomeações, exonerações e readaptações de cargos em comissão justamente aqueles que mais pesam na folha de pagamento.
É o típico caso de uma máquina que muda de formato, mas não necessariamente de tamanho.
A conta que ainda não fecha
A reportagem da Web Tv Mato Grosso teve acesso a publicações oficiais e levantamentos parciais de 2025. O que se observa é que, apesar da redução no número de secretarias, o município continuou a registrar novas nomeações, além de reajustes e investimentos em capacitação de servidores.
Na prática, são medidas que mantêm — ou até ampliam — os custos de pessoal.
Especialistas ouvidos pela WebTV Mato Grosso explicam que o corte de secretarias só gera economia real quando há extinção de cargos e redução de estruturas paralelas, o que não foi o caso.
Se a fusão de pastas vem acompanhada de novas funções ou reacomodações políticas, a economia anunciada tende a ser apenas simbólica.
Dados que precisam vir a público
demonstrativos de Despesa Total com Pessoal (DTP) de 2024 e 2025. Esses números são essenciais para confirmar se houve de fato redução de gastos após a reforma.
Até o momento, os relatórios disponíveis mostram que, em 2024, a folha consumiu valores próximos a R$ 196 milhões em um dos quadrimestres.
Os dados consolidados de 2025 ainda não foram divulgados.
Uma planilha detalhando quantos cargos em comissão foram extintos e quantos foram criados ou preenchidos após janeiro deste ano, são informações que indicarão se o “enxugamento” teve efeito prático ou apenas administrativo.
Até o fechamento desta edição, o município ainda não havia divulgado dados de 2025.
Assim que o posicionamento oficial for divulgado, ele será publicado integralmente nesta reportagem.
Conclusão provisória
A gestão cumpriu parte da promessa — de fato, há menos secretarias.
Mas, sem dados completos, não há como afirmar que o custo da máquina pública tenha diminuído.
Enquanto os números não aparecem, a sensação nas ruas e entre servidores é de que a economia ficou mais no discurso do que na prática.
Cidades
Justiça nega liminar a Mariúva e caminho fica aberto para convocação de Adonias na Câmara de Rondonópolis
Decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública considerou legal o ato do presidente Paulo Schuh que declarou a extinção do mandato da vereadora
A Justiça de Mato Grosso decidiu, nesta quarta-feira (3), manter a extinção do mandato da vereadora Mariúva Valentin Chaves da Silva (MDB) e negou o pedido de liminar apresentado pela parlamentar para tentar suspender a decisão tomada pela Câmara Municipal de Rondonópolis.
Na prática, a decisão do juiz Jorge Hassib Ibrahim, da 2ª Vara Especializada da Fazenda Pública, retira o principal obstáculo judicial que impedia o avanço da convocação do suplente.
Com isso, o ex-vereador Adonias Fernandes (MDB), primeiro suplente da coligação, deve ser convocado para assumir a vaga. Adonias já foi vereador de Rondonópolis por cinco mandatos.
Justiça considerou legal o ato do presidente da Câmara
Mariúva entrou na Justiça questionando o procedimento adotado pelo presidente da Câmara, Paulo Schuh (PL), que declarou a extinção do mandato durante a 81ª Sessão Ordinária, realizada no dia 26 de agosto.
Entre os argumentos apresentados pela vereadora estava a alegação de que o presidente não poderia ter tomado a decisão sozinho e que a competência seria da Mesa Diretora. Ela também sustentou que não teve direito de defesa.
Os argumentos, porém, não foram aceitos pelo juiz.
Na decisão, o magistrado entendeu que a atuação do presidente da Câmara teve caráter declaratório. Em outras palavras, segundo a Justiça, Schuh não estaria aplicando uma nova punição à vereadora, mas apenas formalizando uma consequência jurídica que já havia ocorrido em razão de uma condenação criminal definitiva.
Mas por que o mandato foi extinto?
O ponto principal está na suspensão dos direitos políticos de Mariúva em razão de uma condenação criminal que já transitou em julgado, ou seja, não cabe mais recurso naquela decisão.
A Constituição Federal estabelece que a condenação criminal definitiva provoca a suspensão dos direitos políticos enquanto durarem seus efeitos.
O juiz também citou entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal de que essa suspensão ocorre de forma automática, não dependendo de uma nova votação ou de um processo dentro da Câmara.
Por esse entendimento, a Câmara apenas reconhece oficialmente a situação.
E por que Adonias pode assumir?
É justamente aí que entra o ex-vereador Adonias Fernandes.
O juiz citou o artigo 8º, parágrafo 1º, do Decreto-Lei nº 201/1967. A legislação determina que, quando estiver comprovada a causa de extinção do mandato, o presidente da Câmara deve comunicar o Plenário, registrar a decisão em ata e convocar imediatamente o suplente.
Por isso, com a liminar negada, o caminho fica aberto para que a Câmara avance na convocação do primeiro suplente.
Na prática, a decisão judicial mantém a extinção do mandato de Mariúva e permite que o processo de substituição siga adiante.
O que acontece agora?
A partir da decisão, a expectativa é que a Câmara Municipal dê sequência aos procedimentos necessários para a convocação de Adonias Fernandes.
A decisão desta quarta-feira não representa uma condenação nova contra Mariúva. O que está sendo discutido na Justiça é a validade do procedimento adotado pela Câmara para declarar a extinção do mandato diante da situação jurídica já existente.
O caso ainda pode ter novos desdobramentos judiciais, mas, neste momento, a liminar que poderia suspender a extinção do mandato foi negada e não há, nessa decisão, impedimento para a convocação do suplente.
A população agora acompanha os próximos passos dentro da Câmara, que poderá confirmar a convocação e, posteriormente, a posse de Adonias Fernandes para ocupar a cadeira deixada por Mariúva.
