Turismo
Brasília: Casa de Chá de Niemeyer é reaberta na Praça dos Três Poderes
Turismo

Em plena Praça dos Três Poderes , em Brasília , a Casa de Chá projetada por Oscar Niemeyer reabriu em junho como um café-escola. São os alunos de gastronomia do Senac que executam o cardápio do chef Gil Guimarães, da Casa Baco , e cuidam do serviço.
Pamonha brulée com pimenta de macaco, pão de queijo com creme de pequi e tapioca com queijo de castanha de caju são algumas das opções do menu, que tem pratos com referência ao universo de Brasília . A bebida Alvorada, por exemplo, é feita com chá verde, abacaxi, coco e amêndoa, já o Pão de Queijo JK é preparado com queijo minas artesanal meia cura e curado.
O espaço foi decorado com mobiliário modernista encomendado de designers brasilienses e conta também com peças originais das décadas de 1960 e 1970, como as poltronas do ícone Jean Gillon. É possível fazer reserva, mas há mesas disponíveis por ordem de chegada também.
Em setembro, a Casa de Chá inaugurou uma nova atração. Agora, uma apresentação musical ocorrerá na área externa em todo segundo domingo do mês, das 11h às 13h.
Entre 1965 e 1966, Oscar Niemeyer idealizou a Casa de Chá para ser um local de reuniões e descanso perto do Palácio do Planalto . A estrutura fica semi-enterrada, a poucos metros abaixo do solo, e tem janelas com vista para o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal em toda a sua extensão.
O local tem um passado boêmio e foi um dos pontos mais agitados de Brasília durante as décadas de 1970 e 1980. A partir de 1994, passou por idas e vindas como Centro de Apoio ao Turista (CAT). D epois de quase 20 anos de abandono, a Casa de Chá foi restaurada em 2019 e voltou a ser um CAT, que continua funcionando na entrada da cafeteria.
O Senac irá administrar o espaço por dois anos e seis meses, com a possibilidade de prorrogação pelo mesmo tempo, até somar 10 anos.
Serviço
Casa de Chá
Quando? De quarta-feira a domingo, das 10h às 19h.
Onde? Praça dos Três Poderes – Brasília
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Fonte: Turismo
Curiosidades
Lago Paranoá: A moldura líquida da capital
Quando se pensa em Brasília, é quase impossível não visualizar o brilho tranquilo de um espelho d’água abraçando a cidade: o Lago Paranoá. Mas nem sempre ele esteve ali — na verdade, seu “certificado de nascimento” só ocorreu no século XX.
Em meados da década de 1890, o botânico francês Auguste François Marie Glaziou, integrante da Missão Cruls, identificou no vale do rio Paranoá um amplo “vasto vale banhado pelos rios Torto, Bananal, Gama…” e sugeriu que ali poderia se formar um lago se a água fosse represada.
No edital que selecionou o plano urbanístico de Lúcio Costa para a nova capital, já estava prevista a constituição desse grande reservatório: “lagoa… nível das águas seria a cota de 1000 metros acima do nível do mar”.
As obras da barragem, realizadas em 1957, deram curso à concretização deste plano. O lago foi artificialmente formado para atender mais de um propósito: aumentar a umidade da região ainda muito seca, servir como elemento estético da capital e fornecer lazer aos moradores.
Água, terra e pessoas
Por trás desse espelho d’água está uma história humana marcada por trabalhadores, vilas provisórias e transformações. Em 1957–59 surgiu a Vila Paranoá (também chamada Vila Amaury) que abrigava operários, famílias inteiras e todos os serviços que uma comunidade de construção exigia.
“Fundada em 1957, a Vila Paranoá abrigou grande parte dos trabalhadores que ergueram a capital federal… Localizada entre o Lago Sul e o Lago Norte…”
Quando o nível das águas começou a subir com o represamento, muitas dessas famílias foram removidas; as lembranças daquelas ruas de terra, dos bares, das casas de madeira, foram pouco a pouco encobertas – mas não apagadas.
Um lago de muitos propósitos
Hoje, o Lago Paranoá tem cerca de 48 km² de área, perímetro de aproximadamente 80 km, e profundidade que pode chegar a 38 m.
Ele se transformou em palco de esportes aquáticos, lazer, eventos de vela, caiaque, pesca amadora — além de servir como importante componente ambiental e paisagístico da capital.
Porém, também carrega tensões: o uso urbano, a colonização das margens, o acesso público e as cargas ambientais se tornaram desafios.
Por que essa história importa?
nós, da WebTV, olhar para o Lago Paranoá é mais que mapa turístico: é mergulhar na memória de Brasília — de trabalhadores que edificaram a cidade, de sinais do passado que resistem sob as águas, de um lago que transita entre o uso comum e o reservado, entre o lazer e o ambiente.
Quando você avistar o reflexo alaranjado do pôr-do-sol sobre a água calma, lembre-se: ali está condensada a ambição de uma cidade nova, o suor de quem veio de longe e o desafio de manter público aquilo que foi feito para todos.
vídeo YouTube página Tesouros do Brasil
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