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Curaçao: praias desertas ou nem tanto

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Curaçao: praias desertas ou nem tanto
Maurício Brum

Curaçao: praias desertas ou nem tanto

Com menos de 150 mil habitantes e uma área que caberia três vezes na cidade de São Paulo, Curaçao é um daqueles destinos caribenhos ideais para ver o máximo de praias possíveis: os deslocamentos são relativamente curtos e não há estrada desse território vinculado aos Países Baixos que não termine em um recanto paradisíaco .

Praias com águas cristalinas e tranquilas são abundantes pelo litoral, que dá opções para quem só quer curtir horas incríveis à beira-mar ou para quem pretende mergulhar em águas mais profundas em busca de corais. Para frequentar algumas delas, cobra-se entrada.

Grote Knip

Em Curaçao, as águas cristalinas não são uma exclusividade de Grote Knip (ou Kenepa Grandi), mas a popularidade desse pedaço tem a ver com a tranquilidade do mar, os enormes rochedos no entorno e a proximidade com barreiras de coral, tornando-a perfeita para fazer snorkel e brincar com as crianças.

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Águas tranquilas de Grote Knip são atrativo para famílias e mergulho com snorkel Stephan van de Schootbrugge/Unsplash

Essas condições se devem à característica geográfica de Grote Knip, que fica em uma reentrância, de frente para uma laguna. A praia está próxima ao Westpunt, localidade mais a oeste da ilha, no extremo oposto à capital Willemstad, que fica a 40 km de lá.

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Cas Abao

Um dos destinos mais famosos da ilha, Cas Abao atrai pela boa infraestrutura, que permite passar um dia inteiro com várias facilidades ao redor até para quem não quer entrar na água (embora o onipresente snorkel também seja uma opção). Há alternativas gastronômicas e até a possibilidade de receber uma massagem de frente para o mar.

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Mais remota, Cas Abao oferece opções de alimentação e relaxamento longe do fervo de Willemstad dronepicr/CC BY 2.0/Wikimedia Commons

A praia fica a 30 km de Willemstad e o acesso é pago (abre das 8h às 18h. Há uma cobrança de 10 florins (cerca de R$ 31) por veículo para acessar o local em dias úteis, preço que sobe para 12,50 (cerca de R$ 39) aos finais de semana. Também há aluguel de espreguiçadeiras.

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Klein Curaçao

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Klein Curaçao, a 28 km da ilha principal, justifica o ditado local de que “a praia mais bonita de Curaçao não fica em Curaçao” Zeny Rosalina/Unsplash

Se Curaçao não é lá muito grande, o que dizer de sua ilha-satélite cujo nome significa literalmente “Pequena Curaçao”, em holandês? Localizada a 28 km da margem leste da ilha principal, Klein Curaçao não é habitada e tem apenas 1,7 km². Mesmo minúscula, é um dos locais mais procurados por turistas, destacando-se no meio de uma imensidão de mares azuis por todos os lados.

O acesso é com barcos de passeio e o trajeto leva cerca de duas horas. Não são raros os relatos de quem passou muito mal com o balanço das ondas, mas costuma valer a pena por ser o mais fantástico de Curaçao. Diferentes empresas, como a Blue Finn Charters, fazem a viagem de catamarã todos os dias saindo de praias na região de Willemstad, desde que as condições climáticas favoreçam. O preço para um dia inteiro de passeio fica em torno de US$ 120 por pessoa.

Playa Lagun

Essa pequena praia situada entre dois paredões rochosos não tem nem 50 metros de extensão, mas é um dos destinos mais conhecidos de Curaçao justamente pela peculiaridade geográfica: protegida da violência do mar aberto, acaba atraindo uma grande variedade de vida marinha, tornando-a um dos lugares favoritos para observar um maior número de espécies durante o snorkel.

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Playa Lagun chama atenção pela geografia peculiar, com uma estreita faixa de areia incrustada entre dois paredões Ramon Kagie/Unsplash

Além de peixes e corais, avistamentos de tartarugas marinhas também são recorrentes na área próxima a esse pequeno recôncavo localizado a 36 km de Willemstad.

Mambo Beach e Jan Thiel

Quem estiver em busca de águas tranquilas e algum agito à beira-mar, o que geralmente não existe nas praias mais remotas, a pedida é a Mambo Beach, a 5km do centrinho de Willemstad.

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Se a ideia é curtir amenidades à beira-mar sem sair de Willemstad, a Mambo Beach, rodeada de bares, clubes, restaurantes e até um shopping, pode ser uma boa alternativa Emiel Molenaar/Unsplash

Localizada próxima ao Mambo Beach Boulevard , o grande centro comercial de Curaçao, a Mambo Beach tem diversas opções de restaurantes e clubes de praia para beber e dançar – também fica perto da praia Jan Thiel , outro destino popular para quem está atrás de festa sem sair de Willemstad.

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Quanto ao banho de mar, a Mambo Beach conta com uma barreira artificial erguida junto à faixa litorânea, criando uma “piscina” de águas tranquilas ideal para quem só quer passar o dia relaxando na água.

O ingresso custa 3,50 florins (R$ 11) e o acesso se encerra às 17h – mas os beach clubs podem seguir abertos até a madrugada. Na Jan Thiel , o preço de acesso é 6 florins (R$ 18), mas a entrada é liberada após às 16h30.

Curaçao além das praias

Que as praias são o grande chamariz de Curaçao, não há qualquer dúvida. Mas, se você quiser um programa diferente em algum dos dias na ilha, também há opções – algumas delas integradas a outras partes da natureza caribenha.

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Excluindo as praias, a Ponte Rainha Emma é o ponto turístico mais conhecido de Curaçao Aron Marinelli/Unsplash

Para quem quer conhecer o visual deslumbrante do lado rochoso do litoral, uma boa pedida é o Parque Nacional Shete Boka , com trilhas – o acesso custa 25,75 florins (R$ 80) por adulto. Outra opção para um lado da natureza que não envolve diretamente as praias é uma excursão pelas Cavernas Hato , com tours guiados a US$ 10 por adulto.

Atrativos ainda incluem o Curaçao Sea Aquarium , um aquário de águas abertas em Willemstad; o Museu Kurá Hulanda , no centro da capital, dedicado à história dos africanos escravizados no Caribe; e a cênica Ponte da Rainha Emma , uma travessa flutuante conectando dois bairros de Willemstad, que se destaca pela iluminação noturna.

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Fonte: Turismo

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Lago Paranoá: A moldura líquida da capital

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Quando se pensa em Brasília, é quase impossível não visualizar o brilho tranquilo de um espelho d’água abraçando a cidade: o Lago Paranoá. Mas nem sempre ele esteve ali — na verdade, seu “certificado de nascimento” só ocorreu no século XX.

Em meados da década de 1890, o botânico francês Auguste François Marie Glaziou, integrante da Missão Cruls, identificou no vale do rio Paranoá um amplo “vasto vale banhado pelos rios Torto, Bananal, Gama…” e sugeriu que ali poderia se formar um lago se a água fosse represada.

No edital que selecionou o plano urbanístico de Lúcio Costa para a nova capital, já estava prevista a constituição desse grande reservatório: “lagoa… nível das águas seria a cota de 1000 metros acima do nível do mar”. 

As obras da barragem, realizadas em 1957, deram curso à concretização deste plano. O lago foi artificialmente formado para atender mais de um propósito: aumentar a umidade da região ainda muito seca, servir como elemento estético da capital e fornecer lazer aos moradores. 

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Água, terra e pessoas

Por trás desse espelho d’água está uma história humana marcada por trabalhadores, vilas provisórias e transformações. Em 1957–59 surgiu a Vila Paranoá (também chamada Vila Amaury) que abrigava operários, famílias inteiras e todos os serviços que uma comunidade de construção exigia. 

“Fundada em 1957, a Vila Paranoá abrigou grande parte dos trabalhadores que ergueram a capital federal… Localizada entre o Lago Sul e o Lago Norte…” 

Quando o nível das águas começou a subir com o represamento, muitas dessas famílias foram removidas; as lembranças daquelas ruas de terra, dos bares, das casas de madeira, foram pouco a pouco encobertas – mas não apagadas. 

Um lago de muitos propósitos

Hoje, o Lago Paranoá tem cerca de 48 km² de área, perímetro de aproximadamente 80 km, e profundidade que pode chegar a 38 m. 

Ele se transformou em palco de esportes aquáticos, lazer, eventos de vela, caiaque, pesca amadora — além de servir como importante componente ambiental e paisagístico da capital. 

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Porém, também carrega tensões: o uso urbano, a colonização das margens, o acesso público e as cargas ambientais se tornaram desafios. 

Por que essa história importa?

nós, da WebTV, olhar para o Lago Paranoá é mais que mapa turístico: é mergulhar na memória de Brasília — de trabalhadores que edificaram a cidade, de sinais do passado que resistem sob as águas, de um lago que transita entre o uso comum e o reservado, entre o lazer e o ambiente.

Quando você avistar o reflexo alaranjado do pôr-do-sol sobre a água calma, lembre-se: ali está condensada a ambição de uma cidade nova, o suor de quem veio de longe e o desafio de manter público aquilo que foi feito para todos.

vídeo YouTube página Tesouros do Brasil

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