Turismo
O Quadrado e suas histórias: conheça a origem do “coração de Trancoso”
Turismo

Localizado a aproximadamente uma hora e meia de viagem para quem parte de Porto Seguro , o vilarejo de Trancoso é um dos pontos mais famosos do litoral baiano. O coração do vilarejo é o Quadrado, que na verdade tem formato retângulo e sem dúvida é o hype do pedaço. No meio, um campo de futebol que reúne os locais todo fim de tarde e, no fundo, uma igrejinha bucólica.
Casas pitorescas e noite agitada
Cercada pelas simpáticas casas coloniais coloridas que antigamente serviam como residências da colônia de pescadores que formou o distrito, hoje ali funcionam os restaurantes, bares, lojas e hotéis que cobram caro pelo que vendem e servem. Também é possível se hospedar em uma casa tradicional . À noite, a simplicidade desse cenário dá lugar à movimentação nos bares com música ao vivo que são ponto de encontro.
Nos restaurantes do Quadrado, que oferecem muitas delícias da cozinha baiana, não espere encontrar preços tão modestos quanto o visual das casinhas pitorescas. Considere que você estará pagando pelo conjunto da obra: luz baixa, decoração aconchegante e muita bossa.
Também vale conhecer o Na Praça, o “puxadinho chique” que desde 2023 reúne gastronomia, serviços e até hospedagem na estrutura de um antigo hotel que funcionou ali.
Pontos históricos no Quadrado
Trancoso faz parte da região conhecida como Costa do Descobrimento, onde podem ser observadas as marcas das primeiras ocupações europeias no Brasil. Por isso, é fácil encontrar em um dos lados do Quadrado a icônica igreja de São João Batista, também chamada de “Igrejinha do Quadrado”.
Construída por jesuítas durante o século 18 em arquitetura colonial, a Igreja preserva as imagens sacras de São João Batista, São Benedito, São Sebastião e Santo André originais da época, bem como os altares. De acordo com a Paróquia de São Sebastião, a igreja atual foi construída no mesmo local em que funcionou o convento dos padres no século 18 e, para erguê-la, foram utilizadas pedras de arrecifes e “reboco Santa Fé”, um tipo composto por areia e óleo de baleia.
Atrás da igreja fica uma agradável surpresa: um belo mirante natural com vista para a praia dos Nativos, a praia dos Coqueiros e de toda a vegetação de Mata Atlântica que desenha os limites entre o urbano e o litoral. Para acessar as praias, bastam 15 minutos de caminhada.
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Fonte: Turismo
Curiosidades
Lago Paranoá: A moldura líquida da capital
Quando se pensa em Brasília, é quase impossível não visualizar o brilho tranquilo de um espelho d’água abraçando a cidade: o Lago Paranoá. Mas nem sempre ele esteve ali — na verdade, seu “certificado de nascimento” só ocorreu no século XX.
Em meados da década de 1890, o botânico francês Auguste François Marie Glaziou, integrante da Missão Cruls, identificou no vale do rio Paranoá um amplo “vasto vale banhado pelos rios Torto, Bananal, Gama…” e sugeriu que ali poderia se formar um lago se a água fosse represada.
No edital que selecionou o plano urbanístico de Lúcio Costa para a nova capital, já estava prevista a constituição desse grande reservatório: “lagoa… nível das águas seria a cota de 1000 metros acima do nível do mar”.
As obras da barragem, realizadas em 1957, deram curso à concretização deste plano. O lago foi artificialmente formado para atender mais de um propósito: aumentar a umidade da região ainda muito seca, servir como elemento estético da capital e fornecer lazer aos moradores.
Água, terra e pessoas
Por trás desse espelho d’água está uma história humana marcada por trabalhadores, vilas provisórias e transformações. Em 1957–59 surgiu a Vila Paranoá (também chamada Vila Amaury) que abrigava operários, famílias inteiras e todos os serviços que uma comunidade de construção exigia.
“Fundada em 1957, a Vila Paranoá abrigou grande parte dos trabalhadores que ergueram a capital federal… Localizada entre o Lago Sul e o Lago Norte…”
Quando o nível das águas começou a subir com o represamento, muitas dessas famílias foram removidas; as lembranças daquelas ruas de terra, dos bares, das casas de madeira, foram pouco a pouco encobertas – mas não apagadas.
Um lago de muitos propósitos
Hoje, o Lago Paranoá tem cerca de 48 km² de área, perímetro de aproximadamente 80 km, e profundidade que pode chegar a 38 m.
Ele se transformou em palco de esportes aquáticos, lazer, eventos de vela, caiaque, pesca amadora — além de servir como importante componente ambiental e paisagístico da capital.
Porém, também carrega tensões: o uso urbano, a colonização das margens, o acesso público e as cargas ambientais se tornaram desafios.
Por que essa história importa?
nós, da WebTV, olhar para o Lago Paranoá é mais que mapa turístico: é mergulhar na memória de Brasília — de trabalhadores que edificaram a cidade, de sinais do passado que resistem sob as águas, de um lago que transita entre o uso comum e o reservado, entre o lazer e o ambiente.
Quando você avistar o reflexo alaranjado do pôr-do-sol sobre a água calma, lembre-se: ali está condensada a ambição de uma cidade nova, o suor de quem veio de longe e o desafio de manter público aquilo que foi feito para todos.
vídeo YouTube página Tesouros do Brasil
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