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Yakutsk: como é a vida na cidade mais fria do mundo

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Yakutsk: como é a vida na cidade mais fria do mundo
Maurício Brum

Yakutsk: como é a vida na cidade mais fria do mundo

No meio da Sibéria , Yakutsk está muito mais próxima do Círculo Ártico do que da própria capital da Rússia : são apenas 450 km em linha reta até a latitude polar e mais de 8,3 mil km para quem tenta fazer o interminável trajeto por terra partindo de Moscou . Mas a fama do lugar é menos por ser remoto e mais pela temperatura: Yakutsk é tida como a “cidade mais fria do mundo”.

Aqui, vale um asterisco: até há povoamentos humanos em que as temperaturas batem mais baixo no termômetro, mas Yakutsk lidera entre os centros urbanos com alguma relevância. São mais de 350 mil pessoas vivendo em uma cidade onde a temperatura média anual fica em −8 °C, enquanto no inverno as máximas raramente superam −20°C.

De fato, a cidade jamais registrou um dia com temperaturas positivas entre meados de novembro e de março. Já o recorde histórico, em um dia de fevereiro no final do século 19, chegou a −64,4 °C.

Como é a vida em Yakutsk

“Adapte-se ou sofra” é o lema dos moradores locais, que estão habituados a resistir aos extremos. É um festival de incômodos para os sentidos: com o frio constante e a neve tomando conta das ruas na maior parte do ano, é inevitável conviver com a fumaça do aquecimento das casas, barulhentos caminhões que passam para desobstruir as ruas de tempos em tempos, e o uso de várias camadas de roupa, como um repolho ou cebola, como eles próprios comparam. Não dá para descuidar e deixar a pele muito exposta: nos dias mais gélidos, até os cílios chegam a congelar, rendendo fotos virais.

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Desde o começo da guerra entre Rússia e Ucrânia , a situação se tornou ainda mais complicada, com um racionamento de energia que fez a cidade se habituar aos apagões. Além de deixar Yakutsk às escuras por horas, os cortes de eletricidade também afetam o aquecimento, gerando inconvenientes como canos rompidos pelo congelamento da água.

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Neve, prédios cinzentos e fumaça: a realidade gelada e industrial de Yakutsk Ilya Varlamov/CC BY-SA 4.0/Wikimedia Commons

Com tanta dificuldade, surge a dúvida: por que alguém decidiria morar em um lugar tão inóspito? A explicação passa pelas riquezas minerais. A vida de Yakutsk gira em torno da indústria mineradora, com a extração de carvão e diamantes puxando a economia local. Também há reservas de ouro, mas elas são menos relevantes hoje do que já foram um dia.

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A realidade industrial também moldou as características da cidade: um ambiente cinzento e tomado por smog , mesmo em dias mais quentes (ou menos frios ) em que as residências não usam calefação. De modo geral, a cidade lembra o estereótipo das urbes de tamanho médio da antiga União Soviética: chaminés de fábricas e grandes blocos habitacionais de concreto dominam o horizonte.

Tem algo turístico por lá?

O principal atrativo de Yakutsk é a própria fama de “cidade mais fria do mundo”. Mas, para quem decide se aventurar pela região, os principais programas são relacionados ao permafrost – a camada de solo perenemente congelada encontrada em grandes partes da Sibéria , inclusive sob o próprio perímetro urbano da cidade.

A maior beleza da região são os Pilares do Lena , uma formação rochosa às margens do Rio Lena, considerada um Patrimônio Mundial pela Unesco. Para chegar lá, pode-se fazer o trajeto de barco pelo próprio rio ou percorrer um trecho de carro e o restante usando botes ou uma moto de neve, a depender das condições climáticas.

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São cerca de 370 km entre a cidade e a parte mais famosa dos pilares, que chegam a 300 metros de altura. Antes da guerra, um tour de um dia partindo de Yakutsk custava cerca de € 500 euros para duas pessoas, mas a disponibilidade dos passeios e valores tem variado muito desde então.

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Pilares do Lena se formaram há cerca de 400 mil anos Demidova Oksana/CC BY-SA 4.0/Wikimedia Commons

Já na cidade, o passeio mais famoso é o museu conhecido como Reino do Permafrost , com esculturas em gelo e personagens inspirados na cultura local. É um passeio mais voltado para as crianças e tudo está escrito exclusivamente em russo.

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Para quem busca um olhar mais científico, as opções incluem o Instituto Melnikov , com um museu dedicado aos estudos do permafrost , e o Museu do Mamute , vinculado à universidade local, que guarda fósseis de mamutes e exposições dedicadas à vida desses animais.

Yakutsk conta com um aeroporto e uma companhia aérea própria, a Yakutia Airlines, que opera linhas entre a cidade e outros destinos russos – é a melhor maneira de chegar a esse local remoto sem passar dias nas imensidões geladas da Sibéria . E claro: tanto na cidade quanto nos tours ao redor, as visitas aos pontos turísticos normalmente só funcionam durante o verão.

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Fonte: Turismo

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Lago Paranoá: A moldura líquida da capital

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Quando se pensa em Brasília, é quase impossível não visualizar o brilho tranquilo de um espelho d’água abraçando a cidade: o Lago Paranoá. Mas nem sempre ele esteve ali — na verdade, seu “certificado de nascimento” só ocorreu no século XX.

Em meados da década de 1890, o botânico francês Auguste François Marie Glaziou, integrante da Missão Cruls, identificou no vale do rio Paranoá um amplo “vasto vale banhado pelos rios Torto, Bananal, Gama…” e sugeriu que ali poderia se formar um lago se a água fosse represada.

No edital que selecionou o plano urbanístico de Lúcio Costa para a nova capital, já estava prevista a constituição desse grande reservatório: “lagoa… nível das águas seria a cota de 1000 metros acima do nível do mar”. 

As obras da barragem, realizadas em 1957, deram curso à concretização deste plano. O lago foi artificialmente formado para atender mais de um propósito: aumentar a umidade da região ainda muito seca, servir como elemento estético da capital e fornecer lazer aos moradores. 

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Água, terra e pessoas

Por trás desse espelho d’água está uma história humana marcada por trabalhadores, vilas provisórias e transformações. Em 1957–59 surgiu a Vila Paranoá (também chamada Vila Amaury) que abrigava operários, famílias inteiras e todos os serviços que uma comunidade de construção exigia. 

“Fundada em 1957, a Vila Paranoá abrigou grande parte dos trabalhadores que ergueram a capital federal… Localizada entre o Lago Sul e o Lago Norte…” 

Quando o nível das águas começou a subir com o represamento, muitas dessas famílias foram removidas; as lembranças daquelas ruas de terra, dos bares, das casas de madeira, foram pouco a pouco encobertas – mas não apagadas. 

Um lago de muitos propósitos

Hoje, o Lago Paranoá tem cerca de 48 km² de área, perímetro de aproximadamente 80 km, e profundidade que pode chegar a 38 m. 

Ele se transformou em palco de esportes aquáticos, lazer, eventos de vela, caiaque, pesca amadora — além de servir como importante componente ambiental e paisagístico da capital. 

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Porém, também carrega tensões: o uso urbano, a colonização das margens, o acesso público e as cargas ambientais se tornaram desafios. 

Por que essa história importa?

nós, da WebTV, olhar para o Lago Paranoá é mais que mapa turístico: é mergulhar na memória de Brasília — de trabalhadores que edificaram a cidade, de sinais do passado que resistem sob as águas, de um lago que transita entre o uso comum e o reservado, entre o lazer e o ambiente.

Quando você avistar o reflexo alaranjado do pôr-do-sol sobre a água calma, lembre-se: ali está condensada a ambição de uma cidade nova, o suor de quem veio de longe e o desafio de manter público aquilo que foi feito para todos.

vídeo YouTube página Tesouros do Brasil

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