Política Nacional
Na CSP, Lewandowski defende coordenação federal da segurança pública
Política Nacional
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, defendeu nesta terça-feira (3), em audiência na Comissão de Segurança Pública (CSP), a proposta do governo federal para integração entre União e estados na elaboração e execução de políticas de segurança pública. O governo ainda discute a ideia com governadores e pode entregar ao Congresso Nacional proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre o tema.
Lewandowski compareceu à CSP para falar sobre iniciativas do ministério no combate ao crime organizado. A audiência foi solicitada pelos senadores Sérgio Petecão (PSD-AC), presidente da CSP, e Sergio Moro (União-PR) (REQ 36/2024 e REQ 52/2024).
— Entendemos que chegou o momento de constitucionalizar o Sistema Único de Segurança Pública [Susp]. Defendemos a PEC para dar maior protagonismo à União no que diz respeito à coordenação das ações de segurança, com o estabelecimento de uma política nacional de segurança — defendeu o ministro.
Durante a audiência, Moro questionou o ministro afirmando que há no Brasil uma “percepção geral de descontrole” em relação ao combate ao crime organizado e à corrupção. Segundo ele, os temas não são bem tratados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
— Pesquisas de opinião pública mostram que a área de segurança pública é a pior avaliada dentro do atual governo. Além disso, há críticas de organismos internacionais, como a Transparência Internacional, que coloca o Brasil na posição 104 entre 180 países no ranking de combate à corrupção — criticou.
As colocações foram rebatidas pelo ministro, que se definiu como “um aliado” dos parlamentares no que diz respeito às preocupações com a criminalidade e a sensação de insegurança.
— Precisamos de instrumentos constitucionais para combater o crime organizado, que avançou muito. Há três grandes preocupações da população: saúde, segurança e educação. Não à toa as duas primeiras são constitucionalizadas. É preciso avançar nesse sentido com a segurança pública, nos moldes a serem preconizados pelos parlamentares — argumentou.
A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) disse concordar com a proposta. Para ela, a iniciativa fará com que o setor da segurança pública não precise ficar em busca de recursos ao longo do ano.
— Só é possível combater a violência na medida em que há dinheiro. A constitucionalização do Susp é um avanço muito grande, uma norma constitucional que dificultará retrocessos. Esse é um caminho que precisa ser buscado com o objetivo de reduzir a preocupação com a segurança pública. É nosso dever blindar o Susp — enfatizou.
Proposta
O Sistema Único de Segurança Pública foi estabelecido pela Lei 13.675, de 2018. Ele reúne representantes da União, dos estados, dos municípios e das forças de segurança para compartilhar informações e conhecimentos técnicos, planejar e executar operações e formular estratégias para a prevenção de crimes.
Pela proposta do governo federal, o Susp seria inserido no texto da Constituição, a exemplo do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Sistema Nacional de Educação (SNE). Segundo Lewandowski, a PEC em elaboração pelo Executivo também deve estabelecer diretrizes gerais de segurança pública e defesa social, atualizar as atribuições da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Além disso, a PEC pretendida deve constitucionalizar o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), que teriam o contingenciamento vedado — assim como acontece com as verbas da saúde e da educação.
Desigualdade
O senador Fabiano Contarato (PT-ES) elogiou o trabalho desenvolvido pelo Ministério da Justiça e pediu mais “serenidade e sobriedade” aos colegas nas discussões que envolvem o tema da segurança pública. Para ele, o sentido do debate deve ser assegurar que a segurança pública seja garantida para toda a população, como direito constitucional e dever do Estado.
Contarato também criticou o que enxerga ser um viés de classe no tratamento do tema dentro do poder público, e disse que é preciso “dar tratamento igual a comportamentos iguais”.
— Por que os parlamentares aqui desse Senado não se debruçam em cima de crimes que efetivamente matam a população? A maioria dos nossos presos são pretos, pardos e semianalfabetos, mas os crimes que mais trazem prejuízo para a população são aqueles praticados por políticos, como crimes contra a ordem tributária, colarinho branco, corrupção ativa e passiva. É fácil legislar em uma Casa composta, majoritariamente, por homens brancos, ricos e engravatados, contra uma camada economicamente menos favorecida — desabafou.
Lewandowski respondeu que a proposta de coordenação federal da segurança pública vai viabilizar a formulação de soluções conjuntas para esse e outros problemas do setor, e que a responsabilidade primária pela criminalidade “é de todos”.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Nacional
Lei da Profissão Multimídia provoca reação de sindicatos e divide o setor de comunicação
Nova legislação sancionada pelo presidente Lula reacende debate sobre acúmulo de funções, precarização do trabalho e futuro do jornalismo e do rádio
A sanção da Lei nº 15.325/2026, publicada nesta quarta-feira (7) no Diário Oficial da União, colocou novamente no centro do debate nacional o futuro das profissões da comunicação. A nova norma reconhece oficialmente a profissão de multimídia, permitindo que um único profissional atue na produção, edição e distribuição de conteúdos audiovisuais e digitais.
A medida, no entanto, gerou forte reação de jornalistas e radialistas, que veem na lei um risco direto à regulamentação das categorias. Já as emissoras de rádio e TV defendem a mudança como um avanço necessário diante da convergência tecnológica.
Sindicatos falam em prejuízo aos trabalhadores
Em nota conjunta, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os 31 sindicatos filiados e o Movimento Nacional dos Radialistas (MNR) afirmaram que a nova legislação representa um ataque direto às profissões regulamentadas, além de abrir espaço para insegurança jurídica e precarização das relações de trabalho.
Segundo as entidades, as atribuições previstas para o profissional multimídia já são garantidas, por lei, aos jornalistas e radialistas. A crítica central é que a nova norma permite o acúmulo de funções sem regras claras, o que pode beneficiar empresas e sobrecarregar os trabalhadores.
“As entidades representativas vão tomar as medidas legais necessárias para preservar as profissões frente a mais essa aberração legislativa,”diz o comunicado.
Outro ponto destacado é a ausência de diálogo durante a tramitação do projeto. Os sindicatos afirmam que não foram ouvidos e que a lei não define carga horária, exigência de registro profissional ou formação específica para a nova atividade.
A Fenaj também demonstrou surpresa com a sanção presidencial.
“Causa estranhamento que um governo com origem no movimento dos trabalhadores tenha sancionado a proposta sem vetos,”afirmou a federação.
Emissoras defendem modernização
Em posição oposta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) avaliou a lei como um passo importante para adequar o setor às transformações tecnológicas.
Para a entidade, o reconhecimento da profissão de multimídia traz clareza a um mercado cada vez mais marcado pela atuação em múltiplas plataformas.
O presidente-executivo da Abert, Cristiano Lobato Flôres, destacou que a legislação acompanha a realidade atual da comunicação.
“A nova lei está alinhada à convergência tecnológica do setor, que exige atuação transversal, adaptação constante e atualização permanente dos profissionais,”afirmou.
O que muda com a nova lei
De acordo com a Lei nº 15.325/2026, o profissional multimídia pode ser de nível técnico ou superior e atuar na criação, produção, captação, edição, planejamento, gestão, programação, publicação e distribuição de conteúdos de som, imagem, vídeo, animação e texto em meios eletrônicos e digitais.
A legislação inclui atividades como:
gestão de sites, portais e redes sociais;
desenvolvimento de aplicativos, jogos e animações;
produção e direção de conteúdos audiovisuais.
A atuação é permitida em empresas públicas e privadas, incluindo emissoras de rádio e TV, produtoras de conteúdo, agências de publicidade e plataformas digitais. A lei também autoriza que profissionais de outras áreas assumam funções multimídia por meio de aditivo contratual, desde que haja acordo com o empregador.
Tema deve render novos embates
A sanção da lei expõe um embate antigo entre inovação tecnológica e direitos trabalhistas. Enquanto empresas defendem flexibilidade para acompanhar o mercado digital, trabalhadores alertam para o risco de perda de identidade profissional e de garantias históricas.
O debate promete avançar nos sindicatos, no Congresso e possivelmente no Judiciário — e a WebTV Mato Grosso segue acompanhando os desdobramentos de uma mudança que impacta diretamente quem vive da comunicação no Brasil.