Política Nacional
Participantes de sessão destacam trabalho da Pastoral da Pessoa Idosa
Política Nacional
Os 20 anos da Pastoral da Pessoa Idosa (PPI) foram comemorados em sessão especial do Senado nesta segunda-feira (25). Autor do requerimento para a solenidade, o senador Flávio Arns (PSB-PR) destacou a metodologia própria da instituição para acompanhar os assistidos, com ações como a promoção de campanhas de vacinação e a contribuição para a criação de novas redes de apoio em favor dos idosos em todo o país.
Conforme o parlamentar, um trabalho voluntário qualificado é desenvolvido pela instituição, gerando impacto social relevante para a promoção da saúde, prevenção de doenças e garantia de direitos das pessoas idosas e de seus familiares.
— A Pastoral é uma força silenciosa que tem transformado vidas, levando dignidade às comunidades mais carentes e reforçando os laços de solidariedade. Um trabalho importante, necessário, bom para o Brasil. Que os prefeitos procurem as lideranças das pastorais em seus municípios, para desenvolverem em conjunto esse atendimento com qualidade da pessoa idosa pelo país. A pastoral presta, também, apoio social e assistencial a pessoas idosas em estado de extrema pobreza ou vulnerabilidade social. Com satisfação, vivemos uma tendência crescente de expectativa de vida. Assim, vivendo por mais tempo, temos que assegurar que essa longevidade seja acompanhada por qualidade de vida, saúde, assistência social, proteção, dignidade e cidadania —afirmou Arns.
Boas práticas
Idealizada pela médica pediatra e sanitarista Zilda Arns (1934–2010), tia de Flávio Arns, a Pastoral da Pessoa Idosa foi fundada em 5 de novembro de 2004 e está presente em todos os estados brasileiros. Com práticas de baixo custo e por meio de visitas domiciliares, a organização — que é vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) — acompanha em média 100 mil pessoas idosas por mês e conta com a atuação de 20 mil líderes voluntários capacitados em 1.080 municípios brasileiros.
Bispo da Arquidiocese de Curitiba e presidente da Pastoral da Pessoa Idosa, dom José Antônio Peruzzo agradeceu aos líderes da PPI atuantes em todo o país que, segundo ele, “oferecem dias preciosos de suas vidas para os idosos viverem melhor”. O convidado lembrou o momento em que foi convidado por Zilda Arns para cuidar da instituição e disse que ao longo dos anos foram muitas as experiências que o convenceram de ter tomado a decisão certa.
— Até o Senado nos abriu as portas, porque a causa é nobre. Cuidar dos idosos não é apenas questão de Estado ou de política social, pois todos eles poderiam ser plenamente assistidos e ainda assim sofrerem de solidão. Em muitos lugares do mundo, como eu vi na Alemanha, para essas pessoas não falta nada [material], mas falta afeto. Mas aos líderes da Pastoral da Pessoa Idosa nos parece que levam o coração na ponta dos dedos, pois tudo o que tocam tem um componente de encanto, de ternura e de gratuidade. Agradeço a todos os que acompanham os idosos, pois somos apenas 20 mil servindo a uma multidão que só cresce — relatou o religioso.
Atividades
Em visitas domiciliares mensais, os voluntários da pastoral realizam atividades como apoio continuado de necessidades e orientações sobre a saúde das pessoas idosas e de seus familiares; coleta de informações a partir de indicadores de saúde e qualidade de vida; atividades de prevenção à violência doméstica e abandono; orientações sobre cuidados pessoais, como higiene, exercícios e alimentação; e ações de prevenção e cuidados relacionados com as condições orgânicas e males típicos da longevidade.
Coordenadora nacional da PPI, Sandra Regina Capana Michellim ressaltou o carinho e a dedicação de todos os que abraçaram a causa.
— Fazer parte desse grupo, além de bênção, é privilégio. É ganhar porque eles têm muito a nos oferecer. Às vezes, os idosos nos relatam assuntos que não têm coragem de falar nem para as suas famílias. Ser um líder da PPI é gratificante e comemorar esses 20 anos é reafirmar a metodologia própria e consolidada que temos, ressaltando que somos referência mundial no cuidado e na valorização da pessoa idosa.
Experiência
A idosa Regina Siqueira da Silva, acompanhada pela pastoral, falou das dificuldades que enfrenta ao cuidar do marido, acometido pelo mal de Alzheimer, e do valor do apoio que ela recebe pela PPI. Emocionada, a convidada destacou o empenho dos voluntários da instituição e a felicidade por participar da sessão especial do Senado.
— Estou aqui porque Deus me dá forças, a quem eu agradeço. E é claro, agradeço também pelas visitas que recebo e pelas pessoas dessa instituição por quem sou tão bem acolhida.
Vida longa
Secretário nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, ligado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alexandre da Silva ressaltou que a pastoral tem contribuído com a construção de políticas públicas em favor dos idosos. Ele considerou a sessão especial do Senado uma oportunidade para lembrar a toda a sociedade que ainda é preciso lutar por conquistas como o fim da discriminação por idade, por exemplo.
— Precisamos entender que envelhecer é sinal de que as coisas estão dando certo. Do contrário, é morrer precocemente e injustamente. E o governo tem uma série de iniciativas para a garantia de direitos dos idosos e está sempre à disposição para o diálogo. Vida longa à PPI — declarou Alexandre.
O requerimento para a realização da sessão especial (RQS 427/2024) foi assinado também pelos senadores Esperidião Amin (PP-SC), Jorge Kajuru (PSB-GO), Mara Gabrilli (PSD-SP), Paulo Paim (PT-RS) e Professora Dorinha Seabra (União-TO).
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Nacional
Lei da Profissão Multimídia provoca reação de sindicatos e divide o setor de comunicação
Nova legislação sancionada pelo presidente Lula reacende debate sobre acúmulo de funções, precarização do trabalho e futuro do jornalismo e do rádio
A sanção da Lei nº 15.325/2026, publicada nesta quarta-feira (7) no Diário Oficial da União, colocou novamente no centro do debate nacional o futuro das profissões da comunicação. A nova norma reconhece oficialmente a profissão de multimídia, permitindo que um único profissional atue na produção, edição e distribuição de conteúdos audiovisuais e digitais.
A medida, no entanto, gerou forte reação de jornalistas e radialistas, que veem na lei um risco direto à regulamentação das categorias. Já as emissoras de rádio e TV defendem a mudança como um avanço necessário diante da convergência tecnológica.
Sindicatos falam em prejuízo aos trabalhadores
Em nota conjunta, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os 31 sindicatos filiados e o Movimento Nacional dos Radialistas (MNR) afirmaram que a nova legislação representa um ataque direto às profissões regulamentadas, além de abrir espaço para insegurança jurídica e precarização das relações de trabalho.
Segundo as entidades, as atribuições previstas para o profissional multimídia já são garantidas, por lei, aos jornalistas e radialistas. A crítica central é que a nova norma permite o acúmulo de funções sem regras claras, o que pode beneficiar empresas e sobrecarregar os trabalhadores.
“As entidades representativas vão tomar as medidas legais necessárias para preservar as profissões frente a mais essa aberração legislativa,”diz o comunicado.
Outro ponto destacado é a ausência de diálogo durante a tramitação do projeto. Os sindicatos afirmam que não foram ouvidos e que a lei não define carga horária, exigência de registro profissional ou formação específica para a nova atividade.
A Fenaj também demonstrou surpresa com a sanção presidencial.
“Causa estranhamento que um governo com origem no movimento dos trabalhadores tenha sancionado a proposta sem vetos,”afirmou a federação.
Emissoras defendem modernização
Em posição oposta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) avaliou a lei como um passo importante para adequar o setor às transformações tecnológicas.
Para a entidade, o reconhecimento da profissão de multimídia traz clareza a um mercado cada vez mais marcado pela atuação em múltiplas plataformas.
O presidente-executivo da Abert, Cristiano Lobato Flôres, destacou que a legislação acompanha a realidade atual da comunicação.
“A nova lei está alinhada à convergência tecnológica do setor, que exige atuação transversal, adaptação constante e atualização permanente dos profissionais,”afirmou.
O que muda com a nova lei
De acordo com a Lei nº 15.325/2026, o profissional multimídia pode ser de nível técnico ou superior e atuar na criação, produção, captação, edição, planejamento, gestão, programação, publicação e distribuição de conteúdos de som, imagem, vídeo, animação e texto em meios eletrônicos e digitais.
A legislação inclui atividades como:
gestão de sites, portais e redes sociais;
desenvolvimento de aplicativos, jogos e animações;
produção e direção de conteúdos audiovisuais.
A atuação é permitida em empresas públicas e privadas, incluindo emissoras de rádio e TV, produtoras de conteúdo, agências de publicidade e plataformas digitais. A lei também autoriza que profissionais de outras áreas assumam funções multimídia por meio de aditivo contratual, desde que haja acordo com o empregador.
Tema deve render novos embates
A sanção da lei expõe um embate antigo entre inovação tecnológica e direitos trabalhistas. Enquanto empresas defendem flexibilidade para acompanhar o mercado digital, trabalhadores alertam para o risco de perda de identidade profissional e de garantias históricas.
O debate promete avançar nos sindicatos, no Congresso e possivelmente no Judiciário — e a WebTV Mato Grosso segue acompanhando os desdobramentos de uma mudança que impacta diretamente quem vive da comunicação no Brasil.