Turismo
Argentina: como é a viagem no Trem das Nuvens, um dos mais altos do mundo
Turismo

A região andina do norte da Argentina guarda uma atração peculiar para os aficionados do transporte ferroviário: o Tren a las Nubes , ou Trem das Nuvens, considerado a terceira linha de passageiros mais alta do mundo.
Usando os mesmos trilhos de um trajeto histórico que conecta a cidade argentina de Salta ao porto chileno de Antofagasta, o trecho hoje aberto para visitantes tem como ponto alto (literalmente) um viaduto situado mais de 4 mil metros acima do nível do mar.
Como é a viagem
O trajeto completo partindo de Salta envolve 217 km, mas o trecho turístico percorrido sobre os trilhos é bem mais curto: apenas 21 km entre San Antonio de los Cobres, a estação mais próxima do ponto culminante do trajeto, e o Viaducto La Polvorilla, destaque da viagem, a 4.220 metros do nível do mar.
O viaduto em si é a própria atração: além da elevação geográfica, que torna esta uma das pontes ferroviárias mais altas do planeta, a estrutura construída em aço na década de 1930 percorre um vão de 223,5 metros deixando o trem a uma altura de 63 metros acima do solo.
Apesar de a elevação ter relação com a Cordilheira dos Andes, a latitude é a mesma do Atacama: por isso, prepare-se para uma paisagem mais arenosa, com aparência de deserto, sem lembrar os rochedos gelados que são vistos nas montanhas da Patagônia.

Para fazer a viagem, há duas modalidades: a mais cômoda envolve um pacote completo com serviço de ônibus que percorre a ida e volta entre Salta e Los Cobres, com direito a café da manhã e paradas pelo caminho, saindo às 7h. Também é possível adquirir apenas o passeio de trem, mas, neste caso, cabe ao viajante chegar a Los Cobres por conta própria a tempo de pegar o comboio, que parte às 12h.
Em qualquer cenário, é preciso considerar a cidade de Salta como base para fazer esse passeio. Situada a cerca de 1,5 mil km de Buenos Aires, a melhor pedida é chegar até lá de avião, em algum dos vários voos internos oferecidos pelas companhias locais. Algumas operadoras low cost, como a JetSmart, têm passagens de ida e volta por menos de R$ 400 saindo do Aeroparque, na capital do país.
Quanto custa?
Em outubro de 2024, os valores estão em 111.500 pesos por pessoa (cerca de R$ 513 no câmbio paralelo, ou blue ) para o trajeto apenas de trem, e 167.900 pesos por pessoa (cerca de R$ 773 no câmbio blue ) para o passeio com transfer de ônibus. Devido à inflação argentina, os preços e podem mudar rapidamente, então vale conferir a cotação atualizada antes da viagem. Os valores também mudam conforme a época do ano.
Bilhetes podem ser adquiridos pelo site oficial .
Vale ainda prestar atenção às datas e condições climáticas: o passeio não é diário , com as saídas normalmente ocorrendo a cada dois ou três dias. Em situações de tempo severo, as operações podem ser suspensas sem aviso prévio.
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Fonte: Turismo
Curiosidades
Lago Paranoá: A moldura líquida da capital
Quando se pensa em Brasília, é quase impossível não visualizar o brilho tranquilo de um espelho d’água abraçando a cidade: o Lago Paranoá. Mas nem sempre ele esteve ali — na verdade, seu “certificado de nascimento” só ocorreu no século XX.
Em meados da década de 1890, o botânico francês Auguste François Marie Glaziou, integrante da Missão Cruls, identificou no vale do rio Paranoá um amplo “vasto vale banhado pelos rios Torto, Bananal, Gama…” e sugeriu que ali poderia se formar um lago se a água fosse represada.
No edital que selecionou o plano urbanístico de Lúcio Costa para a nova capital, já estava prevista a constituição desse grande reservatório: “lagoa… nível das águas seria a cota de 1000 metros acima do nível do mar”.
As obras da barragem, realizadas em 1957, deram curso à concretização deste plano. O lago foi artificialmente formado para atender mais de um propósito: aumentar a umidade da região ainda muito seca, servir como elemento estético da capital e fornecer lazer aos moradores.
Água, terra e pessoas
Por trás desse espelho d’água está uma história humana marcada por trabalhadores, vilas provisórias e transformações. Em 1957–59 surgiu a Vila Paranoá (também chamada Vila Amaury) que abrigava operários, famílias inteiras e todos os serviços que uma comunidade de construção exigia.
“Fundada em 1957, a Vila Paranoá abrigou grande parte dos trabalhadores que ergueram a capital federal… Localizada entre o Lago Sul e o Lago Norte…”
Quando o nível das águas começou a subir com o represamento, muitas dessas famílias foram removidas; as lembranças daquelas ruas de terra, dos bares, das casas de madeira, foram pouco a pouco encobertas – mas não apagadas.
Um lago de muitos propósitos
Hoje, o Lago Paranoá tem cerca de 48 km² de área, perímetro de aproximadamente 80 km, e profundidade que pode chegar a 38 m.
Ele se transformou em palco de esportes aquáticos, lazer, eventos de vela, caiaque, pesca amadora — além de servir como importante componente ambiental e paisagístico da capital.
Porém, também carrega tensões: o uso urbano, a colonização das margens, o acesso público e as cargas ambientais se tornaram desafios.
Por que essa história importa?
nós, da WebTV, olhar para o Lago Paranoá é mais que mapa turístico: é mergulhar na memória de Brasília — de trabalhadores que edificaram a cidade, de sinais do passado que resistem sob as águas, de um lago que transita entre o uso comum e o reservado, entre o lazer e o ambiente.
Quando você avistar o reflexo alaranjado do pôr-do-sol sobre a água calma, lembre-se: ali está condensada a ambição de uma cidade nova, o suor de quem veio de longe e o desafio de manter público aquilo que foi feito para todos.
vídeo YouTube página Tesouros do Brasil
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