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Madri: como é a viagem no Trem do Morango até Aranjuez

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Madri: como é a viagem no Trem do Morango até Aranjuez
Maurício Brum

Madri: como é a viagem no Trem do Morango até Aranjuez

Historicamente conhecida pela sua produção de morangos, a região nos arredores de Madri conta com um passeio turístico que permite degustar a iguaria local e ainda viajar em um trem preservado do século 19. É o Tren de la Fresa, ou Trem do Morango , que percorre de uma maneira diferente os cerca de 50 km entre a capital da Espanha e a cidade de Aranjuez, ao sul.

Para quem está visitando Madri, vale dedicar um dia a essa escapada para conhecer uma cidade famosa como um antigo destino de férias da família real – dependendo do pacote, a jornada pode incluir uma visita ao impressionante palácio que os monarcas frequentavam na primavera, aos jardins reais e a outros museus que celebram a história de Aranjuez e sua relação com o rio Tejo, o mesmo que deságua em Lisboa.

Dá para fazer tudo em um dia só: o trem sai de Madri às 10h e leva cerca de uma hora para chegar. A viagem de volta parte de Aranjuez às 18h36. Os horários podem ser alterados a depender da época, então vale conferir no site oficial a tabela vigente no momento da viagem.

Como é a viagem no Trem do Morango

O Tren de la Fresa opera em uma linha histórica e utiliza vagões de época preservados. Isso significa que o passageiro viaja em carros com bancos de madeira e é atendido por “funcionários” da ferrovia que vestem uniformes iguais àqueles usados na virada do século 19 para o 20.

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Na verdade, são atores que garantem a imersão na experiência, e não são os únicos: seguindo a ideia dos trens turísticos espalhados pelo mundo, apresentações culturais atravessam os vagões durante a viagem, contando mais da história de Aranjuez e do próprio Trem do Morango – e, é claro, a fresa é oferecida para degustação ao longo do percurso.

Inaugurado em 1984, o trem também costumava ser puxado por maria fumaça, mas na última década ela foi substituída por carros mais modernos. Em alguns momentos esporádicos a velha locomotiva ainda aparece, mas não vá com a expectativa de observar o antigo trem a vapor em funcionamento. Independentemente do motor, porém, os vagões históricos seguem sendo marca registrada da viagem.

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Para amantes das ferrovias, um detalhe a mais certamente justifica a viagem: o Trem do Morango percorre a segunda linha férrea mais antiga da Península Ibérica, e a primeira que conectava a capital Madri, em operação desde 1851 (há uma mais antiga, na Catalunha, inaugurada três anos mais cedo).

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Modalidades de passeio

O trem em si é apenas um dos atrativos da viagem a Aranjuez, e é possível complementar a esticada com visita a outras atrações. Há quatro pacotes básicos disponíveis, todos com nomes temáticos – e também é possível combinar mais de um pacote.

Ruta Fresas al Natural: inclui somente a viagem de trem (ida e volta) e custa € 27,05 por adulto.

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Ruta Fresas con Nata: além da viagem de trem (ida e volta), também é possível dar uma volta por Aranjuez em um “trem turístico” urbano (na verdade, um veículo que circula nas ruas da cidade mas é estilizado como trem) para um passeio guiado. Também sai por € 27,05.

Ruta Fresas del Tajo: além da viagem no trem (ida e volta), o viajante também percorre o rio Tejo (“Tajo” em espanhol) em um barco turístico, com uma visita guiada pelo exterior do Palácio Real e outros jardins da nobreza. Sai por € 42.

Ruta Fresas Reales: além da viagem de trem (ida e volta), essa modalidade inclui uma visita guiada pelo interior do Palácio Real de Aranjuez e pelo Museu das Faluas Reais (faluas eram as pequenas embarcações que percorriam o rio, ricamente adornadas quando prestavam serviços à Coroa). Esse passeio também custa € 42.

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Teto do Gabinete de Porcelana, uma das peças mais impressionantes do Palácio Real de Aranjuez Patrimonio Nacional España/Divulgação

A maioria dos viajantes a Aranjuez faz a ida e volta no mesmo dia. A grande atração da cidade é o Palácio Real, onde os nobres espanhóis iam passar a primavera. Com uma arquitetura imponente e salões com decorações em pedras, metais e outros adornos que destacam a pujança do antigo império, vale a pena investir na Ruta Fresas Reales, que garante acesso à área interna.

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Para aproveitar o máximo da cidade, a dica é adquirir o pacote combinado “Tajo Real” , que inclui o passeio de barco pelo rio (na parte da manhã) e a visita guiada ao interior do palácio (à tarde). Essa opção mais completa sai por 53 euros por adulto.

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Fonte: Turismo

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Lago Paranoá: A moldura líquida da capital

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Quando se pensa em Brasília, é quase impossível não visualizar o brilho tranquilo de um espelho d’água abraçando a cidade: o Lago Paranoá. Mas nem sempre ele esteve ali — na verdade, seu “certificado de nascimento” só ocorreu no século XX.

Em meados da década de 1890, o botânico francês Auguste François Marie Glaziou, integrante da Missão Cruls, identificou no vale do rio Paranoá um amplo “vasto vale banhado pelos rios Torto, Bananal, Gama…” e sugeriu que ali poderia se formar um lago se a água fosse represada.

No edital que selecionou o plano urbanístico de Lúcio Costa para a nova capital, já estava prevista a constituição desse grande reservatório: “lagoa… nível das águas seria a cota de 1000 metros acima do nível do mar”. 

As obras da barragem, realizadas em 1957, deram curso à concretização deste plano. O lago foi artificialmente formado para atender mais de um propósito: aumentar a umidade da região ainda muito seca, servir como elemento estético da capital e fornecer lazer aos moradores. 

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Água, terra e pessoas

Por trás desse espelho d’água está uma história humana marcada por trabalhadores, vilas provisórias e transformações. Em 1957–59 surgiu a Vila Paranoá (também chamada Vila Amaury) que abrigava operários, famílias inteiras e todos os serviços que uma comunidade de construção exigia. 

“Fundada em 1957, a Vila Paranoá abrigou grande parte dos trabalhadores que ergueram a capital federal… Localizada entre o Lago Sul e o Lago Norte…” 

Quando o nível das águas começou a subir com o represamento, muitas dessas famílias foram removidas; as lembranças daquelas ruas de terra, dos bares, das casas de madeira, foram pouco a pouco encobertas – mas não apagadas. 

Um lago de muitos propósitos

Hoje, o Lago Paranoá tem cerca de 48 km² de área, perímetro de aproximadamente 80 km, e profundidade que pode chegar a 38 m. 

Ele se transformou em palco de esportes aquáticos, lazer, eventos de vela, caiaque, pesca amadora — além de servir como importante componente ambiental e paisagístico da capital. 

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Porém, também carrega tensões: o uso urbano, a colonização das margens, o acesso público e as cargas ambientais se tornaram desafios. 

Por que essa história importa?

nós, da WebTV, olhar para o Lago Paranoá é mais que mapa turístico: é mergulhar na memória de Brasília — de trabalhadores que edificaram a cidade, de sinais do passado que resistem sob as águas, de um lago que transita entre o uso comum e o reservado, entre o lazer e o ambiente.

Quando você avistar o reflexo alaranjado do pôr-do-sol sobre a água calma, lembre-se: ali está condensada a ambição de uma cidade nova, o suor de quem veio de longe e o desafio de manter público aquilo que foi feito para todos.

vídeo YouTube página Tesouros do Brasil

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