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Mercado Modelo de Salvador: reforma, nova galeria de arte e história

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Mercado Modelo de Salvador: reforma, nova galeria de arte e história
Maurício Brum

Mercado Modelo de Salvador: reforma, nova galeria de arte e história

A região do bairro do Comércio, em Salvador , situada em frente à Baía de Todos os Santos, possui diversos edifícios tombados como patrimônio histórico e um deles é justamente o Mercado Modelo, que passou por uma grande reforma concluída em dezembro de 2023.

Erguido originalmente em 1861, o mercado funcionou até 1969 no espaço onde existe hoje a escultura “Fonte da Rampa do Mercado”, de Mário Cravo Júnior, que foi destruída após incêndio e recuperada em 2023. O fogo, aliás, marca a história do Mercado Modelo. Durante sua primeira existência, foram três grandes incêndios, sendo que o mais grave deles, em 1969, inviabilizou qualquer tipo de reconstrução do edifício. O poder público então tomou a decisão de demolir o que sobrou e em 1971 reabriu o mercado onde ele está hoje, no prédio em estilo neoclássico onde funcionou a alfândega e que foi inaugurado em 1861 por Dom Pedro II. Em 1984, um novo incêndio atingiu o “novo” mercado e os comerciantes perderam tudo, mas bastaram dez meses para que fosse reaberto.

Ao longo dos anos, o perfil do lugar foi mudando e ele foi deixando de ser um endereço de abastecimento para a população, no melhor estilo mercadão, para se tornar um lugar eminentemente turístico. Hoje, suas mais de 250 lojas vendem souvernires, rendas e objetos de arte popular. Após uma reforma que durou um ano e nove meses e custou R$ 22 milhões, o mercado está tinindo. Além da parte elétrica e hidráulica, boxes foram reformados, banheiros e rampas de acessibilidade foram construídos, a cobertura foi toda recuperada e agora as arcadas estão visíveis. O que não mudou foi o ato de pechinchar (o segundo andar costuma ser um pouco mais barato). Também no segundo andar funcionam dois restaurantes, o Camafeu de Oxóssi e o Maria de São Pedro .

Arte popular e contemporânea no mesmo espaço

Uma das novidades do mercado neste ano é a Galeria Mercado Modelo , situada no subsolo, que também passou por uma grande requalificação. O espaço tem o objetivo de valorizar artistas baianos e soteropolitanos e, por isso, apresenta uma exposição permanente com obras de Mário Cravo Júnior, Rubem Valentim e fotografias históricas da região do Comércio produzidas por vários fotógrafos.

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Uma das obras em exibição – e uma das mais fotografadas – é a instalação “Lágrimas”, do artista Vinícius S.A.. Composta por 15 mil lâmpadas suspensas em redes de nylon, a obra busca refletir sobre o aspecto sagrado da água da chuva.

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A galeria funciona de terça a sábado, das 9h às 17h, e domingos e feriados, das 9h às 14h. A entrada custa R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia, com entrada gratuita às quartas-feiras. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria ou pela plataforma Sympla .

Além do acesso à galeria, um único bilhete também garante entrada na Casa das Histórias de Salvador , outro centro cultural da região, localizado na Rua Bélgica, logo ao lado do Mercado Modelo.

Como chegar às atrações do bairro do Comércio

O Mercado Modelo fica em frente à Praça Visconde de Cairu, na Cidade Baixa, ao lado do Elevador Lacerda e nas cercanias do Porto de Salvador. Além da escultura de Mário Cravo Júnior, agora existe também uma escultura em homenagem às vítimas da Covid-19 de autoria do artista Tatti Moreno, autor dos orixás flutuantes do Dique do Tororó e também da escultura de Jorge Amado e Zélia Gattai na Praça de Santana, no Rio Vermelho. Na região do Comércio também é possível visitar a histórica Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia e também almoçar no Dona Mariquita Casa de Veraneio .

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O Mercado Modelo de Salvador funciona de segunda a sábado, das 9h às 18h, e aos domingos, das 9h às 14h.

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Fonte: Turismo

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Lago Paranoá: A moldura líquida da capital

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Quando se pensa em Brasília, é quase impossível não visualizar o brilho tranquilo de um espelho d’água abraçando a cidade: o Lago Paranoá. Mas nem sempre ele esteve ali — na verdade, seu “certificado de nascimento” só ocorreu no século XX.

Em meados da década de 1890, o botânico francês Auguste François Marie Glaziou, integrante da Missão Cruls, identificou no vale do rio Paranoá um amplo “vasto vale banhado pelos rios Torto, Bananal, Gama…” e sugeriu que ali poderia se formar um lago se a água fosse represada.

No edital que selecionou o plano urbanístico de Lúcio Costa para a nova capital, já estava prevista a constituição desse grande reservatório: “lagoa… nível das águas seria a cota de 1000 metros acima do nível do mar”. 

As obras da barragem, realizadas em 1957, deram curso à concretização deste plano. O lago foi artificialmente formado para atender mais de um propósito: aumentar a umidade da região ainda muito seca, servir como elemento estético da capital e fornecer lazer aos moradores. 

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Água, terra e pessoas

Por trás desse espelho d’água está uma história humana marcada por trabalhadores, vilas provisórias e transformações. Em 1957–59 surgiu a Vila Paranoá (também chamada Vila Amaury) que abrigava operários, famílias inteiras e todos os serviços que uma comunidade de construção exigia. 

“Fundada em 1957, a Vila Paranoá abrigou grande parte dos trabalhadores que ergueram a capital federal… Localizada entre o Lago Sul e o Lago Norte…” 

Quando o nível das águas começou a subir com o represamento, muitas dessas famílias foram removidas; as lembranças daquelas ruas de terra, dos bares, das casas de madeira, foram pouco a pouco encobertas – mas não apagadas. 

Um lago de muitos propósitos

Hoje, o Lago Paranoá tem cerca de 48 km² de área, perímetro de aproximadamente 80 km, e profundidade que pode chegar a 38 m. 

Ele se transformou em palco de esportes aquáticos, lazer, eventos de vela, caiaque, pesca amadora — além de servir como importante componente ambiental e paisagístico da capital. 

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Porém, também carrega tensões: o uso urbano, a colonização das margens, o acesso público e as cargas ambientais se tornaram desafios. 

Por que essa história importa?

nós, da WebTV, olhar para o Lago Paranoá é mais que mapa turístico: é mergulhar na memória de Brasília — de trabalhadores que edificaram a cidade, de sinais do passado que resistem sob as águas, de um lago que transita entre o uso comum e o reservado, entre o lazer e o ambiente.

Quando você avistar o reflexo alaranjado do pôr-do-sol sobre a água calma, lembre-se: ali está condensada a ambição de uma cidade nova, o suor de quem veio de longe e o desafio de manter público aquilo que foi feito para todos.

vídeo YouTube página Tesouros do Brasil

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