Turismo
Justiça proíbe turismo no “Caribe Brasileiro” de Maragogi
Turismo

A Justiça Federal de Alagoas determinou a suspensão das visitas e passeios turísticos à Lagoa Azul, localizada na Praia de Antunes, em Maragogi.
Conhecido como o “Caribe Brasileiro” por suas águas cristalinas e areia branquinha, o local é um dos destinos mais cobiçados da região, mas a medida busca preservar o ecossistema diante do impacto ambiental causado pelo intenso fluxo de turistas.
Uma liminar da Justiça Federal revogou o decreto municipal que autorizava o turismo de massa na Lagoa Azul, situada na Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais. A região, que abriga a segunda maior barreira de corais em biodiversidade do planeta, terá as atividades turísticas limitadas em prol da preservação ambiental.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) alertou que o turismo na Lagoa Azul é incompatível com os objetivos de conservação da Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais. Segundo o órgão, a fragilidade dos recifes, que apresentam baixa resiliência, somada à intensa pressão humana, coloca o ecossistema em risco, tornando urgente a adoção de medidas restritivas.
Em resposta à decisão judicial, a Prefeitura de Maragogi afirmou, em nota, que discorda da suspensão do turismo na Lagoa Azul. O governo municipal destacou que a regulamentação foi elaborada com base na legislação vigente, com o objetivo de equilibrar o desenvolvimento sustentável da região e a preservação ambiental.
O município também informou que irá recorrer da decisão para retomar as atividades turísticas na área o mais rápido possível.
Na liminar, a Justiça ressaltou que, embora os municípios possam criar unidades de conservação sobrepostas a áreas federais, essas iniciativas devem respeitar o princípio da maior proteção ambiental, priorizando a preservação do ecossistema.
Destino turístico

O Ministério Público Federal (MPF) apontou que o decreto municipal que permitia o turismo na Lagoa Azul autorizava atividades incompatíveis com as normas da APA Costa dos Corais. Entre as práticas autorizadas estavam a visitação diária de até 3 catamarãs e 40 lanchas, além de serviços comerciais de mergulho e fotografia, que comprometem a preservação ambiental da região.
Criada em 1997, a APA Costa dos Corais é a maior unidade de conservação marinha do Brasil, abrangendo mais de 120 km de extensão, que se estendem de Tamandaré, em Pernambuco, até Maceió, em Alagoas.
Fonte: Turismo
Curiosidades
Lago Paranoá: A moldura líquida da capital
Quando se pensa em Brasília, é quase impossível não visualizar o brilho tranquilo de um espelho d’água abraçando a cidade: o Lago Paranoá. Mas nem sempre ele esteve ali — na verdade, seu “certificado de nascimento” só ocorreu no século XX.
Em meados da década de 1890, o botânico francês Auguste François Marie Glaziou, integrante da Missão Cruls, identificou no vale do rio Paranoá um amplo “vasto vale banhado pelos rios Torto, Bananal, Gama…” e sugeriu que ali poderia se formar um lago se a água fosse represada.
No edital que selecionou o plano urbanístico de Lúcio Costa para a nova capital, já estava prevista a constituição desse grande reservatório: “lagoa… nível das águas seria a cota de 1000 metros acima do nível do mar”.
As obras da barragem, realizadas em 1957, deram curso à concretização deste plano. O lago foi artificialmente formado para atender mais de um propósito: aumentar a umidade da região ainda muito seca, servir como elemento estético da capital e fornecer lazer aos moradores.
Água, terra e pessoas
Por trás desse espelho d’água está uma história humana marcada por trabalhadores, vilas provisórias e transformações. Em 1957–59 surgiu a Vila Paranoá (também chamada Vila Amaury) que abrigava operários, famílias inteiras e todos os serviços que uma comunidade de construção exigia.
“Fundada em 1957, a Vila Paranoá abrigou grande parte dos trabalhadores que ergueram a capital federal… Localizada entre o Lago Sul e o Lago Norte…”
Quando o nível das águas começou a subir com o represamento, muitas dessas famílias foram removidas; as lembranças daquelas ruas de terra, dos bares, das casas de madeira, foram pouco a pouco encobertas – mas não apagadas.
Um lago de muitos propósitos
Hoje, o Lago Paranoá tem cerca de 48 km² de área, perímetro de aproximadamente 80 km, e profundidade que pode chegar a 38 m.
Ele se transformou em palco de esportes aquáticos, lazer, eventos de vela, caiaque, pesca amadora — além de servir como importante componente ambiental e paisagístico da capital.
Porém, também carrega tensões: o uso urbano, a colonização das margens, o acesso público e as cargas ambientais se tornaram desafios.
Por que essa história importa?
nós, da WebTV, olhar para o Lago Paranoá é mais que mapa turístico: é mergulhar na memória de Brasília — de trabalhadores que edificaram a cidade, de sinais do passado que resistem sob as águas, de um lago que transita entre o uso comum e o reservado, entre o lazer e o ambiente.
Quando você avistar o reflexo alaranjado do pôr-do-sol sobre a água calma, lembre-se: ali está condensada a ambição de uma cidade nova, o suor de quem veio de longe e o desafio de manter público aquilo que foi feito para todos.
vídeo YouTube página Tesouros do Brasil
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